Ney vê juiz ‘contaminado’ e acusa Geraldo e advogados de Chico por cassação

Especial para o VERBO ONLINE

RÔMULO FERREIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

O vereador Ney Santos (PSC) negou mais uma vez na sessão da Câmara de Embu das Artes na quarta-feira, dia 19, que buscou obter votos durante atendimentos de saúde prestados por uma ONG que apoia, em meio à campanha eleitoral em 2012, e atribuiu a cassação de novo do mandato a um juiz “contaminado” por ideologia política. Ele acusou de perseguição advogados da coligação do hoje prefeito Chico Brito (PT) e o deputado estadual reeleito Geraldo Cruz (PT).

“Todos que acompanham meu trabalho social, que realizo não só na cidade como na região, sabem que nunca troquei nenhum tipo de apoio, nunca pedi voto. Desafio qualquer pessoa aqui a colocar o dedo na minha cara e falar: ‘Ney pediu voto para mim a troco de qualquer benefício’. O importante é estar de consciência tranquila, um dia a verdade vem à tona. Infelizmente, a Justiça que temos nesta cidade, só Deus sabe o que passa na cabeça desses homens”, disse.

Ney discursa sobre cassação e desafia alguém de o acusar de pedir voto em troca de atendimento de ONG

De acordo com Ney, o juiz Gustavo Sauaia Romero Fernandes determinou à época que chefe de cartório, delegado e investigador de polícia fossem até a ação social da ONG Vida Feliz para verificar se era pedido voto para ele ou tinha material da campanha dele exposto. “Na primeira vez, não pegaram nada, como nunca existiu isso. Na segunda vez, se passaram como pacientes, foram atendidos pela ONG. Mais uma vez, quebraram a cara, nunca teve isso”, disse.

Ney afirmou que Sauaia o cassou, em 2013, sob a justificativa de que usava a ONG para angariar votos, mas dois ou três dias depois desfez a decisão por não estar convicto do ilícito. Disse que o juiz, “com a pressão da imprensa”, “foi a uma rede social e se manifestou contra a minha pessoa”. Falou ainda que, ao recorrer ao TRE, desembargadores anularam a sentença, como se dissessem para que “aprendesse a julgar, e mandaram de novo o processo para cá”.

A juíza Maria Priscilla Ernandes Veiga Oliveira ouviu os depoimentos de testemunhas pendentes considerados necessários. Para Ney, a magistrada não teve certeza de que as pessoas falavam a verdade e “não teve como julgar”. Ele questionou como o processo pôde voltar às mãos de Sauaia. “Ele tinha sido afastado depois que nós o denunciamos no Conselho Nacional de Justiça e no TRE. Agora, só Deus sabe como voltou, e cassou meu mandato novamente”, disse.

Em entrevista no intervalo da sessão, Ney disse que o magistrado é “contaminado”, ao dizer confiar que será julgado inocente. “Lá trás, ele refez a sentença duas vezes, não tenho dúvida de que a sentença vai ser reformada. O tribunal [em São Paulo] não é como o fórum aqui de Embu, não é um juiz contaminado, é um que tem clareza e convicções certas”, afirmou, segundo a assessoria da Câmara. A reportagem não localizou Sauaia para se pronunciar.

Apesar de rebater a sentença, Ney disse que “também não é segredo para ninguém que eu sempre apoiei a ONG” e lançou dúvidas sobre a postura do PT de entrar com a representação. Ele citou que o colega petista Edvânio Mendes e disse que outros membros do partido na Casa também realizam ação em comunidades carentes. “Todos os vereadores aqui têm um trabalho social. Agora, porque só comigo as coisas funcionam diferente? É perseguição”, declarou.

Diante de grande número apoiadores no plenário com cartazes como “Fora PT”, ele reagiu contra o partido. “Por que em vez de representar contra um vereador que faz um trabalho social, o PT não vai lutar por qualidade na saúde, na educação. Só quero ver se esse Judiciário que agilizou meu processo de cassação vai ter ter a mesma agilidade de julgar quando eu começar a apresentar as irregularidades no governo. Todo dia no gabinete chegam denúncias”, afirmou.

Ney disse, porém, que “não é nada contra vocês”, ao se dirigir a João Leite e Edvânio, apesar de altos dirigentes do PT, presidente e líder da bancada. Ele mirou, porém, os advogados da coligação Marcos Rosatti e Francisco Iderval. Sempre assíduos, não estavam, no entanto, na primeira sessão após a sentença. “Parabenizo os dois, dr. Iderval e dr. Marcos. Foram duas pessoas importantíssimas na minha cassação, acho que dormiam e acordavam no fórum”, ironizou.

Apesar de os advogadores serem do cabeça-de-chapa Chico Brito (PT), o prefeito foi poupado. Ney se voltou contra Geraldo. “Minha sentença saiu na segunda [dia 17] às 18h, [mas] quando era uma e meia da tarde ele já estava comemorando, inclusive se vocês não foram convidados, vão ser, para o show da vitória que ele vai fazer no dia 29. A maior vitória dele não é a eleição, é a minha cassação”, disse Ney, sobre os dois virem a disputar a prefeitura em 2016.

comentários

>