RÔMULO FERREIRA
Reportagem do VERBO ONLINE, em Embu das Artes
Em novo episódio do “descaso” do governo Ney Santos (Republicanos) na saúde – com a contratação da empresa de um veterinário, a AMG -, uma idosa morreu por negligência ao ser atendida no Pronto-Socorro Central de Embu das Artes. Tereza Lourenço, de 76 anos, foi internada com pneumonia e infecção urinária e não resistiu após ser mal alimentada, ficar horas sem medicação, ser deixada defecada e dividir o quarto com paciente com covid-19.
Tereza deu entrada no PS no último dia 8, mas só piorou enquanto esteve internada, inclusive deixou de comer sozinha para ser alimentada pelo nariz. “Ela passou a usar sonda nazoenteral. Eles tiveram muita dificuldade para colocar na minha mãe. Aí levaram mais de 3 horas para fazer raio-x para ver se a sonda estava na posição correta. Depois, a sonda estava entupida, tiraram novamente”, conta a filha Elizabeth Lourenço, em relato ao VERBO.
“Levaram mais quatro horas para colocar a segunda sonda e novamente mais quatro horas para o segundo raio-x. A mãe já não falava mais, mal abria os olhos. Minha mãe ficou mais de 12 horas sem comer por irresponsabilidade deles”, diz a filha, sobre o oitavo dia de internação. Uma outra parente de Tereza registrou o fato. “Para confirmar o horário que eu ‘tô’ gravando esse vídeo: 10 e 20 da noite. E minha avó ainda não se alimentou”, relatou a neta.
Tereza também ficou sem tomar os remédios prescritos. “Medicamento, ela não conseguir ingerir. Também informei, de tarde. E até agora ninguém veio pra dar o medicamento na veia, já que ela não conseguiu engolir”, gravou ainda a neta. Para piorar, a idosa ficou no mesmo quarto de uma paciente com covid-19, em disparate à parte. “A mãe estava com mais três pessoas internadas, uma, funcionária do próprio hospital”, conta Elizabeth.
“Na quinta-feira, depois de dois dias sentindo muita dor de cabeça, a pessoa foi transferida para um quartinho no hospital onde ficou sozinha. Ela pediu um exame de covid, mas ninguém ‘deu bola’. Como ela trabalha lá e tem amigos, alguém do laboratório atendeu o pedido, e à noite um enfermeiro levou para ela um resultado de covid que dava negativo, mas com data de 9 de abril, feito no dia da admissão dela no hospital”, relata Elizabeth.
No dia seguinte pela manhã, a funcionária do PS já tinha um outro resultado, que acusava a doença. A família de Tereza só soube pela própria paciente. No áudio, ela diz: “Ó, o meu exame deu positivo. Acabaram de me falar aqui do hospital”. “Ficamos desesperados, minha mãe já tinha piorado muito”, explica a filha. Ainda assim, o PS não fez teste de covid-19 na idosa, não teve a preocupação da funcionária da unidade que era colega de quarto de Tereza.
O “absurdo” não tinha acabado. No sábado (17) pela manhã, segundo a família, a médica Norma Vieira foi ao quarto e disse que ia mandar Tereza para casa por estar “ótima” e não ter “mais nada”. Outra filha acompanhante questionou como a idosa ia ter alta naquela situação. “Ela gritou com minha irmã, disse que a médica era ela e que no prontuário dizia que a mãe não tinha nada. Até chamaram a polícia para a minha irmã”, afirma Elizabeth.
Depois da discussão, Tereza foi transferida para a emergência, mas voltou a sofrer pela reclamação da família. “Chegando lá, a mãe estava toda defecada, suja”, denuncia Elizabeth. “Eles não cuidavam da higiene dela, na maioria das vezes éramos nós que a limpava e fazia a higienização”, acrescenta. Após o protesto, no decorrer do dia, outros médicos apareceram para cuidar da idosa. Já era tarde. Tereza morreu às 21h do próprio sábado (17).
“Quem estava lá era a doutora Norma, ela que fez o atestado de óbito, a mesma que queria dar alta de manhã”, diz Elizabeth. “Pedimos exame de covid na mãe e ninguém nos atendeu! Quando minha mãe piorou, quiseram dar alta e falaram que estava com esquizofrenia. A mãe nunca foi esquizofrênica. E mais três pessoas que estavam no quarto com ela testaram positivo para covid, uma paciente e duas irmãs que estavam de acompanhante”, declara.
“Total descaso. Total despreparo. Total falta de humanidade. Total falta de respeito ao dizer que a mãe não tinha prioridade e que era igual aos outros. Sou cuidadora de idosos e aprendi com a vida e no curso que fiz que idosos têm prioridade, sim. Mataram minha mãe e eu não vou deixar isso assim, nem que seja a última coisa que eu faça nesta vida”, declara Elizabeth. Questionados sobre o “descaso”, a secretária Thais Miana (Saúde) e Ney silenciaram.
FILHA DENUNCIA DESCASO DO PS CENTRAL DE EMBU NA MORTE DE TEREZA, 76, AO FALAR COM O VERBO

QUESTIONADOS SOBRE O ATENDIMENTO DO PS QUE LEVOU IDOSA À MORTE, NEY E SECRETÁRIA SILENCIAM


VEJA REPORTAGEM DO ‘FALA BRASIL’ (RECORD TV) SOBRE MORTE DE IDOSA DE 76 ANOS NO PS DE EMBU
> Colaborou a Redação do VERBO ONLINE





