ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra
Moradores do loteamento no Parque Laguna dialogaram nesta segunda-feira (12) com Aprígio (Podemos) e saíram com a promessa do prefeito de que irá fazer uma reunião nesta quarta-feira (14) na área para discutir a situação das pessoas que adquiriram terreno no local. No último dia 2, o governo entrou na propriedade – particular – e abriu buracos nas ruas de terra para evitar a entrada das famílias com carros e de materiais para construções.
Moradores foram atendidos pelo prefeito após realizarem protesto contra a intervenção do governo no loteamento. Cerca de cem pessoas participaram da manifestação, que começou na rodovia Régis Bittencourt na altura do km 273,5 e seguiu pela estrada federal até a prefeitura, escoltados pela Polícia Militar. O ex-vereador Moreira (PDT) participou. “Foi tranquila e pacífica, graças a Deus”, disse um morador da rua Gaivotas, na área.
Após os manifestantes permanecerem por cerca de uma hora em frente à prefeitura, uma comissão de seis pessoas, incluídos advogados dos moradores, foi recebida por Aprígio. “A gente foi bem atendido, não foi mal recebido, não. Ele só não queria entrar em acordo com a gente. Tanto que ele vai vir aqui no loteamento para tentar entrar com todo mundo num acordo”, disse o morador. No entanto, os buracos nas ruas continuam.
Uma moradora se mostrou cética em relação a decisão do prefeito, ao indicar a falta de humanidade por conta das valas impedindo o ir-e-vir das famílias. “Vamos aguardá-lo na quarta-feira para fechar os buracos. Nós, moradores, já fechamos alguns, principalmente diante da casa que você [repórter] viu no vídeo [divulgado], de uma senhora idosa, cadeirante, que necessita da entrada de ambulância para buscá-la para ir fazer o tratamento dela”, disse.
“Tapamos os buracos para ter acesso [de carro às casas], mas ele disse que na quarta vai mandar os funcionários tirar as valetas com tubo e fechar os buracos que restam. Eu não acredito nele, mas veremos o que vamos ouvir dele”, afirmou a moradora. O governo não se pronunciou sobre a reivindicação dos moradores. Em uma rede social, no domingo, Aprígio disse: “Não compre lotes ou construa seu imóvel sem antes consultar a prefeitura”.
Há dois anos, em julho de 2019, em entrevista, Aprígio, então deputado estadual, indicou que iria intervir na área, se eleito prefeito. Ao atacar o então prefeito Fernando Fernandes (PSDB), ele classificou o loteamento de “crime”, conforme noticiou o “Taboão em Foco”. “[A prefeitura] Não poderia deixar fazer. É um loteamento vendido por 30 ou R$ 40 mil o lote, em uma pirambeira. É área de risco e as pessoas vão morrer lá. E quem é o culpado?”, disse.
No protesto, os moradores levavam faixas escritas “Aprígio devolve a nossa casa” e “Prefeito Aprígio vai regularizar seus prédios”. Enquanto presidente da Cooperativa Vida Nova, Aprígio enfrenta ações de improbidade movidas pela municipalidade sobre a divisão de terrenos para construção de condomínios, sem deixar área institucional para escola e posto de saúde – em apenas uma processo, a cooperativa tem bloqueados mais de R$ 20 milhões.





