RÔMULO FERREIRA
Reportagem do VERBO ONLINE, em Embu das Artes
O vereador cassado de Embu das Artes Renato Oliveira (MDB), presidente da Câmara Municipal, postou um vídeo nesta terça-feira (8) em que se limitou a atacar adversários políticos, admitiu involuntariamente o abuso do poder econômico pelo qual foi condenado e derrapou ao citar número de votos a mais do que obteve. Apesar de ter usado a máquina do governo Ney Santos (Republicanos), Renato teve votação “pífia” e quase não se elegeu.
Especialista em manipular e distorcer informações, Renato disse, em fala de quase três minutos, que “teve que se juntar quatro partidos” de esquerda para que fosse denunciado à Justiça, ao sugerir que as siglas se reuniram apenas para pedir a investigação contra ele, mas PT, Pros, PC do B e PSOL formaram coligação que disputou as eleições no ano passado, e fizeram pleito pertinente, já que o vereador foi cassado em primeira instância.
Ao mirar principalmente o PSOL, Renato disse que o partido teve 13 candidatos a vereador em 2020 que tiveram 1.165 votos. Na verdade, o PSOL teve 12 postulantes. Ele citou 13 com a votação na legenda, mas omitiu que no caso o partido teve no total 1.422 votos. Renato teria ficado irritado com o fato de ter tido o carro oficial de presidente flagrado dois dias antes em ponto de balada pelo autônomo Tadeu Veron, um dos candidatos da sigla.
Renato se atrapalhou ao tentar ainda desqualificar o PSOL. “Faltaram mais de 800 votos para eles chegarem na quantidade de votos que eu tive, que foi 1.985”, disse, em demonstração de não saber nem a votação recebida. Ele teve 1.958 votos. Apesar da ordem de Ney aos secretários e comissionados para atender Renato no governo em vista de ser eleito “a qualquer preço”, o vereador foi o último eleito no MDB ao não chegar nem a 2 mil votos.
Lucio Costa (MDB), outro “candidato de Ney” – por quem o prefeito se empenhou para ser eleito -, fracassou ao ter 1.798 votos, e só é hoje vereador com a “jogada” de Ney de forçar Luiz do Depósito a abrir mão da cadeira na Câmara em troca de ser secretário. Ou seja, Renato poderia não ter sido eleito se não tivesse realizado o “comício” na “chácara do Ney”, como pontuou a sentença pela qual foi condenado em definitivo por campanha antecipada.
“A rigor, não é descompensado cogitar que o comício, com seus gastos, visava primordialmente a promoção do investigado […]. Num pleito em que uma ou duas centenas de votos fazem a diferença para a Vereança, não se pode dar tal influência como eleitoralmente nula. Longe disso”, concluiu o juiz Rodrigo de Godoy. A argumentação foi usada pelo juiz Gustavo Sauaia como elemento para cassar Renato por abuso do poder econômico.
Renato, aliás, reconheceu o resultado do abuso. “Eles me acusaram na Justiça de abuso do poder econômico, por causa de uma reunião que eu participei muito antes de ser candidato a vereador, reunião essa que foi muito mais gente, muito mais apoiadores do que nós imaginávamos”, disse, em possível cinismo. Além de confessar campanha antecipada, foi cassado por disparar convite em que disse “teremos transporte saindo de vários bairros” – citou 18.
Condenado e ponto, podendo por ora só “dar pulos”, Renato finalizou o vídeo com novo traço de inconsequência. “Eu tenho mais processos que idade, eu tenho 28 anos e uns 30 processos vindo desse tipo de gente. Enquanto esse tipo de gente tiver me processando, significa que estou no caminho certo”, disse. Ele é denunciado por tentativa de homicídio triplamente qualificado, por derrubar um repórter de moto em rodovia em Embu em 2017.
Na sentença por abuso do poder econômico, Renato mereceu uma citação sobre o indecoroso “currículo” visto como razão para recorrer ao indevido “comício”. “Um ato de tal magnitude mostrava-se mui conveniente à divulgação prévia de futuro candidato cujos fatos notoriamente conhecidos (entre os quais uma pronúncia por tentativa de homicídio, ainda pendente de júri) pouco o recomendariam ao grande público”, disse o juiz.
RENATO OLIVEIRA FOI O ÚLTIMO ELEITO PELO MDB COM MENOS DE 2 MIL VOTOS E QUASE NÃO SE ELEGE

RENATO OLIVEIRA ATACA EM VEZ DE SE DEFENDER DA ACUSAÇÃO E ERRA O PRÓPRIO Nº DE VOTOS QUE TEVE





