Vereadores ‘submissos’ a Ney barram CPI contra AMG, de veterinário, alvo da PF

Especial para o VERBO ONLINE

Abidan (centro) tem requerimento e pedido de CPI contra OS da gestão Ney rejeitados por governistas, como Bobilel e Betinho (no alto à esq. e dir.) |Reprodução

ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

Os vereadores da base do prefeito Ney Santos (Republicanos) barraram na sessão na quinta-feira (22) requerimento de informação sobre o Portal de Transparência e pedido de criação de uma CPI para investigar contratos do governo com a AMG, que gerencia os pronto-socorros municipais. A empresa, cujo dono é veterinário, é alvo de investigação da Polícia Federal por fraude e desvio de recursos públicos que ultrapassam R$ 200 milhões.

O vereador Abidan (PDT), único da oposição na Câmara de Embu das Artes, fez os pedidos e incomodou os colegas “submissos” a Ney, que partiram para o “abafa”. No início da sessão, Abidan tentou abordar a operação da PF, mas o presidente Renato Oliveira (MDB), principal aliado de Ney, disse que o orador tinha que se ater ao projeto que dava nome a rua. Bobilel Castilho (PSC) cobrou para interromper Abidan. “Sobre o projeto, presidente”, gritou.

No meio da sessão, Abidan apresentou o primeiro pedido. “Em 2017 não há nenhum contrato nem licitação no Portal de Transparência. Nos anos de 2018, 2019 e 2020, tem pouquíssimos. Estou fazendo esse requerimento, com base na Lei de Acesso à Informação, para que seja completado o Portal de Transparência, para termos informações do que está acontecendo na cidade. A operação da Polícia Federal feita nesta semana…”, disse.

Ao ouvir “Polícia Federal”, a “tropa de choque” de Ney interrompeu imediatamente – orientada pelo prefeito em tempo real, via rede social, segundo apurou a reportagem. “Vamos seguir o que a Comissão Mista determinou”, reclamou Betinho (PSD). Abidan pediu licença para concluir e tentou dizer que a operação da PF se devia à falta de transparência do governo. “A pauta não é essa, desse jeito não dá. Corta o microfone”, interrompeu Bobilel.

Abidan pediu para ter o tempo restabelecido. “O seu tempo já acabou”, disse Lúcio Costa (MDB) – suplente que assumiu cadeira cedida pelo vereador Luiz do Depósito em manobra de Ney. O pedetista pediu uma CPI. “A Polícia Federal pediu documentos e a prefeitura não respondeu, por isso vejo problema no Portal da Transparência. Vou protocolar a criação de uma CEI para que a Câmara possa ser atuante na investigação [da PF sobre a OS]”, disse.

Renato interrompeu. Abidan pediu de novo para finalizar. “Não dá para terminar, a pauta não é essa”, esbravejou Bobilel. “O senhor me interrompeu diversas vezes”, retrucou Abidan. O presidente ameaçou censurar o orador, irritado com o fato de que o requerimento não era submetido ao plenário. “Que a diretoria se atentasse aos pedidos que eu fizesse. Já que o vereador não está respeitando o tempo de fala, o microfone será cortado”, disse.

Desatentos e não interessados na discussão sobre os contratos fraudados na saúde por alinhamento a Ney, Alexandre Campos (PTB) e o próprio Bobilel não viram que a votação anterior já tinha acabado e foram a favor do requerimento de Abidan. “Estamos votando o quê?”, perguntou Gerson Olegário (Avante). Índio Silva (Republicanos) pôs a mão no rosto e riu da confusão. “Essa votação não é do título [de cidadão]?”, disse Bobilel, desorientado.

No fim, os que votaram a favor do requerimento retificaram o voto, e os 13 vereadores “fiéis” a Ney presentes rejeitaram a proposição. “Quero deixar a minha imensa tristeza pela votação contrária. A cidade foi manchete dos jornais pelo país pela busca e apreensão da Polícia Federal. A CEI é para investigar todos esses indícios de irregularidades que a Polícia Federal apontou, e a Câmara não pode ser omissa nessa investigação”, disse Abidan.

Abidan entrou com pedido de apuração sobre a contratação da AMG pelo governo Ney ao Ministério Público. Em representação endereçada ao procurador-geral de Justiça, ele solicitou “abertura de investigação de crimes eleitorais” contra o prefeito ao se referir a “indícios de caixa 2 em contratos de combate à pandemia”. “Esse dinheiro [desviado] muito provavelmente tinha como destino final o pagamento de agentes públicos”, afirma a PF.

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