ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra
O governo Aprígio (Podemos) elaborou o que chamou de “Plano de Retomada: Educação de Taboão com Segurança / 2021” em que apontou a possível volta dos alunos às escolas da rede municipal no dia 15 de março, mas surpreendido após o documento vir a público recuou e se apressou em dizer que “não há uma data prevista para o início das aulas presenciais”, para evitar desgaste político diante do agravamento da covid-19 no município.
No “plano de retomada”, a Secretaria Municipal de Educação, que produziu o material em conjunto com o Comitê de Combate à Covid-19, afirma explicitamente, já na introdução, que “o documento apresentado deverá subsidiar os gestores do município com recomendações para a reabertura das atividades nas escolas de Taboão da Serra”. A pasta alega que teve a “parceria” da Secretaria da Saúde e “recomendações” da ONG Todos pela Educação.
A secretaria reafirma a posição de voltar com o ensino presencial ao observar que as aulas a distância causaram prejuízo ao aprendizado dos alunos, ao ter resultados “limitados”. “O processo de retomada terá um grande desafio, pois embora as ações tenham sido necesssárias durante todo o ano de 2020, por questões relacionadas ao período pandêmico, sabemos que o fechamento das escolas nos trouxe desafios expecionais”, pondera no texto.
“Os educadores tiveram que buscar um novo modelo de Educação, e as atividades que sempre foram presenciais, [sic] passaram a ser remotas. Mesmo com todo o esforço para melhorar esses efeitos de portões trancados, os resultado para os alunos foram limitados”, continua a pasta, que cita como efeitos “menor capacidade em ajudar alunos com dficuldades”, “fragilidades com os meios tecnológicos para aqueles com vulnerabilidade social”.
Com o “diagnóstico”, embora fale em visar o “objetivo maior, ‘preservar vidas'” e reconhecer que “os riscos epidemiológicos ainda existem e são extremamente importantes para o contexo atual”, a secretaria insiste no retorno às aulas presenciais e passa a listar uma série de insumos e medidas de distanciamento social. O subsídio é extenso, mas só no fim crava que “o plano de retomada prevê o início presencial em 15/março de 2021”.
A secretaria, chefiada pela professora Dirce Nakano, indica ignorar ou minimizar o recrudescimento da doença. Após informar que a UPA Akira Tada estava com 97% dos leitos com pacientes de covid-19 na terça, o governo comunicou nesta quarta que a unidade superou 100% da lotação e improvisou a criação de mais três vagas, que também já foram ocupadas por doentes. Mesmo antes da fase alarmante, a gestão já via a escalada da doença.
O “plano” foi revelado pelo jornalista David da Silva, que postou em rede social o título do documento e destacou a data cogitada para a volta às aulas em sala. “CONTRAMÃO. Discutida ontem em reunião de diretores de escolas municipais de Taboão da Serra a retomada de aulas presenciais no próximo 15 de março. A Prefeitura diz que o plano deve ser comunicado “com clareza [às] famílias (…) além da organização dos espaços escolares”, critica.
“O grande temor dos profissionais do Ensino é voltar às salas antes de serem vacinados. O secretário de Estado da Saúde declarou hoje cedo [2] à rádio CBN ser contrário à reabertura das escolas neste período de agravamento da pandemia”, completa Davi. No ano passado, com a pandemia em estágio não tão grave, uma pesquisa feita pelo governo anterior apontou que 85% dos pais dos alunos da rede eram contra a volta das aulas presenciais.
OUTRO LADO
O governo Aprígio, por meio da Secretaria de Comunicação, apressou-se em emitir nota para negar a volta dos alunos às escolas, mas admitiu que o documento existe. “A Prefeitura de Taboão da Serra vem a público esclarecer que as imagens que circulam nas redes sociais sobre o “Plano de Retomada: Educação em Taboão com Segurança / 2021” é verdadeiro. No entanto, ainda não há uma data prevista para o início das aulas presenciais”, afirmou.
“Enquanto não houver diminuição no número de casos confirmados e óbitos, além de segurança para alunos, professores e demais profissionais da Educação, não serão retomadas as aulas presenciais”, afirmou o governo. “Minutos depois que postei, a gestão reconheceu que era documento legítimo. Mas não valia o escrito sobre voltar em 15 de março à sala de aula. Quando documento interno é revelado, diz nada a ver”, disse David ao VERBO.
LEIA NA ÍNTEGRA “PLANO DE RETOMADA” DO GOVERNO APRÍGIO PARA AS AULAS PRESENCIAIS EM TABOÃO





