Fechado com Ney após Bete dividir votos da oposição, Natinha ‘surge’ no governo

Especial para o VERBO ONLINE

Natinha discursa em reunião de Ney com secretários neste sábado, na 1ª aparição pública ao lado do prefeito após fechar acordo há mais de um mês | Divulgação

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

O ex-vice-prefeito Natinha (PTB) fez a primeira aparição pública ao lado do prefeito Ney Santos (Republicanos) neste sábado (27) em reunião de secretários. Ele já tinha negociado com Ney a ida ao governo há mais de um mês – no início de fevereiro, chegou a ir à Câmara para se “alinhar” com os vereadores da base. Ele auxiliará Hugo Prado (MDB) para o vice assumir a prefeitura quando Ney abandonar o cargo para ser candidato a deputado federal.

Oficialmente, Natinha será “assessor especial” do governo, mas na prática atuará como forte cabo eleitoral de Ney, que está fazendo de tudo para se eleger a mandato em Brasília em 2022 – para não correr o risco de repetir o fracasso com a irmã Ely Santos (Republicanos) em 2018. “Ele vai ser coordenador de tudo com o Ney”, disse um interlocutor do vice de 2009 a 2016 do prefeito Chico Brito (PSD, ex-PT), aliado de “primeira hora” de Ney.

“[Vou] Prestar assessoria ao prefeito Ney Santos e ao vice Hugo Prado, lotado na subprefeitura com Hugo. Assessoria em projetos de modo geral. Na implantação de políticas públicas na cidade”, disse Natinha ao VERBO. Indagado se ia atuar em vista de Hugo assumir a prefeitura, ele tentou despistar sobre o “projeto” de Ney, definido em 2019. “Hugo já vinha me convidando para ajudá-lo. Não sei ainda se Ney vem a federal. Tem a discussão”, disse.

A ex-vereadora Dra. Bete (PTB) também “embarcou” no governo, como não seria diferente. Conforme apurou a reportagem, a mulher de Natinha vai atuar na própria área profissional, coordenará o serviço de fisioterapia, considerado pela população precário a exemplo da saúde em geral avaliada como caótica na atual administração – Ney conta com a nova aliada para superar o grande desgaste na área em vista do “projeto” de deputado.

Dra. Bete não deixaria de ser “neyzista” por um motivo simples, conforme o observador próximo a Natinha. “Ele só foi [conseguiu fechar acordo com Ney] por ela. Quem quer ele sozinho?”, disse. Natinha é visto no meio político da cidade – e na região – como pragmático demais ou “fisiologista”, que faz da política “balcão de negócios”. Já Dra. Bete ainda nutriria apoio popular. Candidata a prefeita em 2020, teve 15.612 votos (12,25%), quarta mais votada.

Com a ida para o governo tornada pública, Natinha passou a ser alvo de críticas – com alusão à “fama” que carrega – de que lançou a mulher candidata à prefeita para dividir os votos da oposição no populoso Jardim Santo Eduardo, reduto do casal, em articulação com Ney. “Agora a gente sabe porque a Bete foi candidata, agora se comprova. Ela só fez campanha [forte] na região de cá, em cima dos votos dos adversários do Ney”, disse uma liderança do bairro.

OUTRO LADO
Indagado sobre a ida ao governo ser a confirmação da “negociação” com Ney para lançar a candidatura da mulher com o objetivo de fragilizar os opositores do prefeito na eleição, Natinha negou relação. “[É] Uma visão das lideranças da cidade totalmente maldosa. Tentamos construir um projeto para a cidade com a candidatura legítima da Bete, até porque em 2016 retiramos a candidatura para apoiar o Geraldo [Cruz, então no PT, hoje PDT]”, disse.

“Se formos pensar dessa forma, nenhuma cidade poderá ter mais que dois candidatos à prefeitura? Onde está a democracia? Se retiramos a candidatura, somos ‘taxados’ de covardes. Se levamos e defendemos uma candidatura é para atrapalhar? Em 2018 a minha candidatura a deputado ajudou ou atrapalhou quem? Isso as lideranças não falam! Saí candidato para vencer, ser deputado federal pela região”, falou Natinha. Procurada, Bete não respondeu.

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