Com PS Central lotado e só 2 médicos, governo Ney impõe dia de caos a pacientes

Especial para o VERBO ONLINE

Pacientes aguardam na recepção do Pronto-Socorro Central de Embu; paciente só foi atendida após 5 horas de espera, das quais duas na medicação | Divulgação

RÔMULO FERREIRA
Reportagem do VERBO ONLINE, em Embu das Artes

O Pronto-Socorro Central de Embu das Artes, que já é alvo de reclamações quase que diárias, impôs aos pacientes um dia de caos e sofrimento nesta quarta-feira (3). O PS, gerenciado por empresa contratada pelo governo Ney Santos (Republicanos), teve sala de espera lotada, pacientes passando mal, demora de mais de cinco horas para passar em consulta e medicação, por ter só dois médicos para atender. Ney deu “desculpa” que não convenceu.

Uma moradora do Jardim do Colégio procurou a reportagem e relatou o “calvário” que foi procurar o pronto-socorro. Às 11h31, ela disse: “Estou no PS Central desde as 9 horas esperando atendimento. Pessoas passando mal. Aglomeração. Idosos. Não tem lugar para sentar”. Ela fez fotos da situação, com a entrada da unidade com dezenas de pessoas, muitas impacientes. “Isso do lado de fora na recepção. Imagine lá dentro. Um calor”, descreveu.

Ela passou pelo pré-atendimento antes das 10h, mas a “fila” travou. “Só tinha um fazendo a triagem. Tanto é que passei pela triagem às 9h45 e me deram a ficha para passar no médico às 12h12. Tinha só dois médicos na porta”, disse. Se a espera tivesse valido a pena pelo menos. “Não fiquei um minuto na sala, mal olham na nossa cara. Mandou para medicação”, falou. O suplício seguiria. “Lá fiquei mais duas horas para tomar uma injeção”, contou.

Quando esperava duas horas e meia, a moradora mandou mensagem ao prefeito para reclamar. Ney culpou o “fechamento” do pronto-socorro do Hospital Geral de Itapecerica, que agora só atende casos graves. “Minha querida, estamos com problema gigantesco, o governo do Estado fechou o pronto-socorro do HGIS e do Hospital de Cotia ontem, a maioria das pessoas está vindo para Embu. Estamos correndo para poder resolver”, disse.

“Entendo isso, mas não pode ficar assim. Estamos vivendo ainda uma pandemia. Lá dentro está vazio? Estão segurando o povo aqui fora. Como falei, desde as 9 horas só passei pela triagem até agora. Cadê os médicos [?]”, questionou a moradora. Ela avisou que funcionários falaram que “não tem ninguém lá dentro”, em represamento devido a poucos médicos para atender. “Tenho pessoas que trabalha aqui dentro, olha o que me passou”, acusou.

A munícipe continuou a cobrar ao mandar informações “internas”, como a de que eram atendidas “duas pessoas a cada 30 minutos”. “Só dois médicos na porta atendendo? Sabendo vocês que o [PS] de Itapecerica fechou? Hipocrisia de vocês [que] sabendo disso não se precaveram”, protestou. Ney calou. Depois de a mulher dizer que ia chamar uma emissora de TV e falar ainda “bom, já avisei o Verbo”, o prefeito mandou uma “representante” ao PS.

“O pronto-socorro do HGIS não está mais atendendo ‘porta’. No [Hospital] de Cotia, a mesma situação. Infelizmente, somos o município mais próximo, e as pessoas estão vindo para cá. O SUS é um sistema único, não podemos negar atendimento a pessoas que não são munícipes. […] A gente pede um pouco de paciência”, disse a mulher aos pacientes. “Depois de falar com ele, mandou a pessoa representando falando isso”, contou a moradora.

Ela ainda teve que cobrar o prefeito. “Agora que me deram a ficha para passar no médico… O senhor acha isso justo? E os idosos, pessoas com crianças?”, disse. Pouco antes das 13h30, apelou por empatia. “Meu Deus, já estou há 1 hora para tomar medicação. Ajuda o povo, por favor. Gente com dor. Que falta de amor pelo próximo. O que dizer dessa gestão e da administração do PS? Digno de compartilhamento para toda população de Embu”, ironizou.

A moradora – que terá o nome preservado – não aceitou a alegação de Ney do fechamento de PSs de hospitais para o péssimo atendimento no PS. “Nada convincente. Essa semana não foi a primeira reclamação, teve uma antes de fechar o PS do HGIS. São só dois médicos na porta sempre, não muda nunca. Depois que falei com ele, não passou dez minutos a mulher apareceu. E aí começaram o atendimento”, protestou, sobre o descaso.

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