ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra
O prefeito de Taboão da Serra, Aprígio (Podemos), 69, tomou posse nesta sexta-feira (1º), na Câmara Municipal, para mandato de 2021 a 2024, com o vice Buscarini (PSD), e fez discurso de conciliação ao Legislativo com maioria da oposição – oito dos 13 eleitos. Ele recuou da fala de “terra arrasada”, diante de vereadores aliados de Fernando Fernandes (PSDB) que refutam a crítica ao governo do ex-prefeito, e fez apelo para a Câmara aprovar o orçamento.
Na cerimônia – que começou com quase duas horas de atraso, conduzida pelo vereador mais votado, Marcos Paulo (PSDB) -, Buscarini, que se considera “prefeito-vice”, já deu o tom da mensagem do novo governo ao discursar primeiro, com alfinetada em Fernando. “A eleição acabou, não adianta nos provocar, bater no que já aconteceu. Vamos olhar para frente. […] Faço um pedido. Destravem e aprovem o orçamento o mais rápido possível”, disse.
Ao discursar, Aprígio disse primeiro que as pessoas devem perseguir o sonho acalentado, para falar da própria história e reagir a Fernando. Ele disse que o rival – cujo nome não cita – falou que nunca seria capaz de erguer prédios de apartamentos, se conseguisse não teriam qualidade, que não seria vereador e jamais deputado. “Vocês acham, vocês acreditam?”, ironizou, com gesto que teria sido feito pelo ex-prefeito. “Ele se enganou”, respondeu.
Aprígio criticou Fernando por não ter deixado “entrar cinco técnicos na prefeitura” e ter entregue documentos só 16 dias depois que pediu e apenas parte. “Até hoje não recebi autorização para fazer a transição”, disse, quando citou o tempo para começar a executar. “Como vou dizer a vocês vereadores ‘vamos fazer tudo que precisam, que a cidade precisa’? Não vou. Preciso de pelo menos um mês ou mais para ver o que tem e posso fazer”, disse.
Aprígio questionou as obras em andamento iniciadas por Fernando. “Muita coisa precisa ser arrumada na cidade, muitas obras paradas, ele disse ‘o dinheiro está aí [em caixa]’. Se está, por que a obra não está pronta? Não estou criticando, se tivesse deixado fazer a transição, eu já saberia a resposta”, disse. Ele falou, porém, que no dia da eleição vias foram recapeadas, mas no “dia seguinte parou tudo”, ao ser eleito. “Não é compra de votos?”, acusou.
O prefeito disse que foi eleito por conta de que a população pedia “mudança”. “O pessoal dizia ‘vamos mudar, a saúde está ruim, a educação está ruim, a habitação está ruim, o Aprígio vai demolir as casas. Será que ele não fica com vergonha agora em ver que o Aprígio não vai demolir nada?”, reagiu ainda ao rival. Disse que “muitas pessoas” não distinguem a Câmara e prefeitura e se não se unirem, perante os munícipes, “seremos políticos ruins”.
Cada vez mais enfático no pedido aos vereadores por união, Aprígio retirou a fala de que Taboão é “terra arrasada” após oito anos da gestão Fernando, dita em 3 de dezembro. “Não é. É uma terra que tem pouca coisa, porque não é muito fácil construir uma cidade em quatro, cinco, seis anos. Todos os prefeitos que passaram por Taboão, cada um fez um pouquinho, mas não é o suficiente. Quero que nos ajudem para que a gente faça a diferença”, disse.
Aprígio chegou ao ponto no apelo aos vereadores. “A Câmara tem o seu trabalho, não estou criticando, mas não sei o motivo por que ainda não foi votado o orçamento. Mas peço a vocês, votem, deem condições para que a gente trabalhe”, pediu. Ele tocou em questão sensível e arriscada na tática de convencimento. “Na hora de repassar verba para Câmara, não está aprovado, não vai repassar. Aí o Aprígio é ruim? Não. Vocês sabem como funciona”, falou.
Aprígio recorreu ao “voto de confiança”. “Deixo a critério de vocês, mas peço: aprovem. Se eu não trabalhar direito, não falar o que fiz com o dinheiro, podem falar ‘você enganou a gente, não vai enganar mais’. Certo. Mas deem oportunidade neste ano. Para mim, não. Para o povo de Taboão da Serra”, disse. Oficialmente, a oposição quer participar da destinação dos recursos. Nos bastidores, busca espaço no governo. O prefeito se recusa a “negociar”.
Nono prefeito da história de Taboão, Aprígio se dirigiu depois à prefeitura com o vice e empossou os 17 secretários do novo governo. No ato, ele comunicou oficialmente os seis secretários que faltavam ser anunciados: Alexandre Depieri (Gestão de Pessoas), Binho da Saúde (Cultura), José Vanderlei Santos (Transporte), Nilcio Regueira Dias (Habitação e Desenvolvimento Urbano), Olívio Nóbrega (Esporte e Lazer) e Valdemar Aprígio da Silva (Obras).
NOVO GOVERNO NA PREFEITURA DE TABOÃO DA SERRA NO QUADRIÊNIO 2021-2024
Prefeito – Aprígio (Podemos)
Vice-prefeito – Buscarini (PSD)
Secretários
Adriana Barcellos – Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda
Alexandre Depieri – Gestão de Pessoas
Antônio Rodrigues – Fazenda (Finanças)
Arnoldo Landiva – Comunicação
Eduardo Nóbrega – Manutenção e Serviços
Dirce Takano – Educação
Janderson Pinto (Binho da Saúde) – Cultura
José Alberto Tarifa – Saúde
José Vanderlei Santos – Transporte
Mário de Freitas – Governo
Matheus Barbosa de Almeida – Assuntos Jurídicos
Nilcio Regueira Dias – Desenvolvimento Urbano e Habitação
Olívio Nóbrega – Esporte e Lazer
Roberto Furtado (Betinho) – Planejamento e Gestão Estratégica
Wagner Eckstein – Assistência Social
Wagner Eckstein Junior – Administração
Valdemar Aprígio da Silva – Obras





