ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes
O prefeito de Embu das Artes, Ney Santos (Republicanos), reeleito com 61.660 votos, tomou posse nesta sexta-feira (1º) para mandato de 2021-2024, com o vice-prefeito eleito Hugo Prado (MDB). Os 17 vereadores da Câmara Municipal também assumiram o cargo eletivo e escolheram a nova mesa-diretora. Renato Oliveira (MDB) foi eleito presidente para o biênio 2021-2022. A cerimônia foi virtual, como prevenção ao contágio pelo novo coronavírus.
Com a mesa-diretora já decidida em negociação comandada por Ney, apenas Renato e Índio Silva (Republicanos) estavam no plenário da Câmara. Índio conduziu o início da cerimônia, como o vereador mais votado, mas foi eleito 1º-secretário. Gerson Olegário (Avante) foi escolhido vice-presidente. Foi eleito 2º-secretário Betinho Souza (PSD) – partido “entregue” a Ney pelo ex-prefeito Chico Brito (PSD). Bobilel Castilho (PSC) ficou como 3º-secretário.
Os ocupantes da mesa-diretora, todos aliados de Ney, tiveram 16 dos 17 votos. Não apenas os 14 vereadores eleitos na chapa de Ney votaram nos escolhidos, Adalto Batista (PSDB) e Sander Castro – Rochinha Mandato Coletivo (Podemos), que se elegeram na oposição, também seguiram o voto dos governistas, indicação de que o Legislativo será muito alinhado (“submisso”) ao Executivo. Apenas Abidan Henrique (PDT) não aderiu – absteve-se.
Abidan marcou posição. Na fala dos vereadores – após juramento dos empossados -, o eleito na coligação do candidato a prefeito Geraldo Cruz (PDT) culpou a gestão Ney pela morte de seis pessoas soterradas no Jardim do Colégio. “Enchentes, deslizamentos não acontecem à toa e muito menos da noite para o dia. Na ausência do poder público, falta de política de habitação para tirar pessoas das áreas de risco, a população que paga o preço”, disse.
Gilson Oliveira e Ricardo Almeida, ambos do partido do prefeito, rebateram a crítica. Gilson foi o primeiro a reagir, disse que enquanto o governo assistia as famílias afetadas pelo deslizamento “o vereador estava ausente, talvez estava no condomínio no Butantã”. Abidan, que ainda não tinha assumido, pediu a palavra ao dizer que foi citado. O presidente Renato negou, ao dar o tom de como comandará a Casa, com cerceamento da fala à oposição.
Ao discursar, Ney também respondeu a Abidan. “Convido você a fazer uma análise de tudo aquilo que o nosso governo fez para que não seja infeliz na sua fala, querendo colocar sobre nós o desastre sobrenatural, que a chuva trouxe. […] Peço aos nossos adversários que aceitem a derrota que tiveram na urna e deixem a gente trabalhar. Você [vereador] pode contribuir com o nosso governo com suas ideias, não precisa tentar nos prejudicar”, disse.
Ney também atacou as adversárias Rosângela Santos (PT) e Dra. Bete (PSDB), candidatas a prefeita que eram vereadoras no ano passado, ao enaltecer a única mulher eleita para a atual legislatura, Aline Santos (MDB), aliada. “Você tem um papel fundamental neste mandato, até porque tivemos eleitas que não fizeram o que tinham que fazer, principalmente a favor da mulher. Quando criei a Secretaria da Mulher, as vereadoras votaram contra”, disse.
Ney disse que foi eleito por conta de que a “população tomou conhecimento do nosso plano de governo”. “No mandato passado, tivemos a honra de cumprir muito mais do que prometemos. Agora, com mais experiência, mais dinamismo, esforço, vamos conseguir fazer também muito mais do que prometemos para este mandato”, falou. Na verdade, ele não cumpriu sequer uma das dez promessas feitas em 2016, sobretudo na educação e na saúde.
O prefeito fez dezenas de viagens a Brasília sob alegação de trazer recursos para a cidade, mas não construiu em quatro anos uma única escola e nenhum posto de saúde, a partir do alicerce – inaugurou a creche no Itatuba e a UBS no Santa Emília com o prédio já construído e a obra bem adiantada. No entanto, ele disse que a dívida com a empresa de coleta de lixo (mais de R$ 250 milhões) que alegava engessar o governo “está quase toda paga”.
Ney não deixou de exaltar Renato à frente da Câmara. Ele traçou o projeto de eleger o “pupilo” e para presidir a Casa em 2019, mas disse que “todos os vereadores fizeram ótima escolha”. Renato reverenciou o mentor. “Falo como alguém em que o senhor confiou quando todos atacavam, todos perseguiam. Não vou decepcionar o senhor nem a nossa cidade de Embu das Artes. O senhor me ensinou a olhar com humanidade e alma as pessoas”, disse.
Na prática, Renato é réu confesso em derrubar um repórter de moto na rodovia Régis Bittencourt na madrugada em Embu em 2017, mandado a júri popular por tentativa de homicídio triplamente qualificado. Já Ney e Hugo foram empossados sob liminar, enquanto aguardam julgamento de recurso. Eles foram cassados por usarem ações da prefeitura para promoção pessoal. Ambos também são denunciados por corrupção na Operação “Prato Feito”.
AFASTAMENTO
Luiz do Depósito (MDB) pediu licença da Câmara para ser secretário de Esportes. Conforme antecipou o VERBO, ele assumiu a pasta para abrir vaga para o primeiro suplente do partido, Lúcio Costa. A manobra já era esperada, Hugo confessou que eleitos iam virar secretário para o suplente ter mandato e “politizar o governo”. Lúcio usou em 2019 a estrutura da Câmara para tirar fotos para a candidatura a vereador, com anuência do então presidente Hugo.





