RÔMULO FERREIRA
Reportagem do VERBO ONLINE, em Embu das Artes
O vereador de Embu das Artes Luiz do Depósito (MDB) será nomeado secretário de Esportes, pelo prefeito reeleito Ney Santos (Republicanos), para o próximo governo. Reeleito para o quinto mandato, Luiz vai assumir a pasta para abrir vaga para o primeiro suplente do partido, Lúcio Costa, na Câmara Municipal. A “jogada” já era certa, conforme “estratégia” confessada pelo vice-prefeito eleito Hugo Prado, do mesmo partido, conforme revelou o VERBO.
Ao tentar aliciar um candidato a vereador da oposição, em março, Hugo foi explícito sobre o plano, ao criticar os atuais secretários. “Para mim, o governo – vou falar do nosso – tem acertos e tem erros. Para mim, os nossos acertos são maiores que os nossos erros, mas erramos. Um dos erros que cometemos foi: não politizamos o governo. Muitos dos nossos secretários [fala baixo] não são secetários políticos, que têm aquela pegada”, disse.

“Traçamos a estratégia de montar sete [partidos]. Dentro dessa conta, a gente está trabalhando para fazer 15, 16 e, se Deus abençoar, fazer as 17 cadeiras. Mas, mais do que isso, dos sete partidos, a gente quer pelo menos [passa a falar baixo de novo] trazer sete vereadores eleitos para assumir secretaria. Além de ampliar a probabilidade para quem vai disputar a eleição – mais um suplente vai ter mandato -, consigo politizar o governo”, revelou Hugo.
Ou seja, os secretários serão escolhidos por critério puramente político, em “acordão”, e não por capacidade técnica, em prejuízo aos serviços públicos para a população. A “negociata” é parte de um plano ainda maior. Hugo revelou, radiante, o “projeto” de Ney em caso de reeleição. “O projeto […] é o Ney prefeito, eu vice, e Ney deputado federal em 2022, eu assumo a prefeitura”, afirmou o vereador, cuja candidatura a vice-prefeito ainda era ocultada.
Desde o início do mês, Ney pressionava Luiz do Depósito para acatar a “ordem” para não assumir novo mandato, para executar o plano que traçou, colocar Lucinho, como conhecido, na Câmara. O vereador desconversou sobre o real motivo. “Estou ainda indecisivo, não tenho um posicionamento. [Mas] Acredito que vou para o governo. Vamos ver se para onde eu vou se tem algum trabalho que bate com o meu estilo”, disse Luiz à reportagem no dia 8.
“Eu queria ter uma nova experiência, deixar no currículo. Vou ver se tem alguma coisa em que eu possa contribuir, não é pelo salário, pela proposta de secretário”, acrescentou Luiz. Ele, porém, relutou por quase duas semanas. “Não é que está faltando alguma coisa para que a gente decidir. Eu tenho o objetivo de entrar e ser diferente de quem já trabalhou, deixou de trabalhar numa secretaria. Tenho que ver se vão me dar estrutura”, disse.
No entanto, conforme este portal apurou junto a correligionários do vereador, Luiz colocava como condição para assumir a secretaria ter “porteira fechada”, indicar apoiadores para todos os cargos da pasta. Ele teria cedido, já que Ney não concordou com a exigência, decidiu oferecer apenas o posto de secretário – já o de adjunto e demais vagas, nada feito. “Decidimos que vamos aceitar o convite lá da Secretaria de Esportes”, disse, sem entusiasmo.
Lucinho foi o 17º mais votado, o número de cadeiras da Câmara, mas não se elegeu devido ao coeficiente eleitoral. Com o “acordão”, assumirá a vaga de Luiz, que teve 2.362 votos (6º colocado). Lucinho usou a estrutura da Câmara, disponibilizada pelo presidente Hugo, para tirar fotos para a candidatura a vereador, no setor de Comunicação – fotografado pelo então diretor Alexandre Oliveira. Ney deve anunciar os novos secretários na segunda-feira (28).
> Colaborou a Redação do VERBO ONLINE





