ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra
Lideranças e militantes de partidos realizaram neste sábado, dia 12, manifestação contra a instalação do Poupatempo na praça Luiz Gonzaga, no Pirajuçara, em Taboão da Serra. Cerca de 50 pessoas participaram do ato e defenderam que o local continue como área de lazer para os moradores da região e espaço para atividades culturais e grandes eventos da cidade, apontaram outros possíveis lugares para implantação da unidade e do restaurante Bom Prato, no mesmo prédio, e tacharam a decisão do prefeito Fernando Fernandes (PSDB) de construir o posto na praça de “autoritária”.
“O prefeito tem que ouvir o povo, que quer a praça para lazer e cultura da cidade”, disse o vereador Moreira (PT). O deputado estadual Geraldo Cruz (PT) disse que a praça, local de realizações como festa junina, paixão de Cristo, festa do trabalhador, parada gay, ações sociais, é “marcada pelos eventos mais importantes da região”. “Se ele quiser dialogar, indicamos outro lugar ao Poupatempo”, disse. Foram mencionados como opção terrenos nos bairros Jardim Guaciara – em frente ao Ser (serviço de reabilitação) -, Clementino, São Judas, e área da Prodesp, ao lado de shopping.

A ex-vice-prefeita Márcia Regina (PT) acusou falta de transparência do governo municipal e questionou a inscrição “galpão multiuso” na placa da obra, e não o posto de emissão de documentos e outros serviços úteis. “É que eles não têm certeza de que vai ser possível construir na praça, se tiver algum problema legal, não põem o Poupatempo aqui”, afirmou. O grupo protestou em frente a uma cerca, colocada pela prefeitura para a obra até quase o fim da praça. “Isso aqui esconde a vergonha do jeito de governar do PSDB na cidade”, atacou o dirigente do PT-SP Irineu Casemiro.
A grande maioria dos manifestantes era do PT. Outras lideranças contrárias como do PC do B não apareceram. Um militante do PSOL, José Afonso, opositor do PT na gestão passada, não discursou e deixou o ato antes do fim. O ex-vereador Paulo Félix (PMDB), ex-aliado de Fernando, porém, fez pronunciamento contundente. “Tirar a praça é um atentado ao patrimônio cultural da cidade. Eu indico outro lugar, o prédio do Bradesco [ao lado da praça], que é do prefeito. Por que não faz um aluguel simbólico? E não iam usar só 1.500 m2, porque fecharam toda a praça?”, falou.
Moradores passaram no local e se posicionaram. “É errado isso, tirar o único espaço de lazer que temos, tem muitos lugares aí para fazer o Poupatempo”, disse Marivalda Santos, 61, residente do Parque Jacarandá, atrás da praça, há 42 anos. “Estava aqui quando foi inaugurada, quem veio foi o Dominguinhos”, completou, ao lembrar a homenagem a Luiz Gonzaga e aos nordestinos na cidade. “A praça é um lazer para as crianças. Venho sempre para cá com meus filhos”, falou Bianca de Carvalho, 21, do Sítio das Madres. “Acho ruim, onde vou jogar bola agora?”, perguntou Matheus, 13.

João (não quis falar o sobrenome), do Jardim São Salvador, reprovou o ato. “A praça é usada por jovens que ficam se drogando. E o Poupatempo vai trazer progresso, empregos para a cidade, quem mora aqui é a favor. Passei só para ver quem são os políticos que estão contra”, disse. A maioria das pessoas ouvidas, porém, discordou do equipamento na praça. “Aqui as crianças andam de bicicleta, e é o único lugar para comemorações. Ano passado teve distribuição de brinquedos [do Dia das Crianças], e hoje não tem nada”, disse Maria Helena Avelino, 48, do Parque São Joaquim.
No local, moradores contrários ao Poupatempo na praça subscreveram abaixo-assinado. A coleta de assinaturas, feita desde domingo em praças, escolas e entidades, já chegou a cerca de 5 mil apoios e “tem adesão fácil”, segundo a organização, que disse aguardar decisão judicial a ação ingressada no Ministério Público contra a obra no local para definir o próximo passo. Com o ato esvaziado, os participantes não conseguiram “abraçar” a praça e fizeram um gesto simbólico, mas falaram em fazer da causa “uma questão de princípio” e que serão “milhares em outra manifestação”.





