Criado em Embu, mestre Massao Shinohara, maior judoca do Brasil, morre aos 95 anos

Especial para o VERBO ONLINE

Massao Shinohara, criado em Embu, foi técnico da seleção brasileira que trouxe 3 medalhas nos Jogos de Los Angeles e é o único 10º Dan do país | CBJ/Divulgação

ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em São Paulo

Massao Shinohara, considerado o maior judoca do Brasil e o único no país a possuir a graduação máxima da modalidade esportiva, o 10º Dan, morreu na manhã deste sábado (5) aos 95 anos, em São Paulo. Sensei (mestre) Massao foi técnico da seleção brasileira de judô nos Jogos Olímpicos de Los Angeles (EUA), em 1984, quando a equipe nacional conquistou três medalhas. Filho de imigrantes japoneses, ele foi criado em Embu das Artes.

Massao começou a praticar judô em 1940, aos 15 anos. A forma como lutava chamou a atenção de Ryuso Ogawa, um dos grandes mestres brasileiros do esporte, com quem passou a treinar em São Paulo até se tornar professor. Em 1956, fundou a Associação de Judô Vila Sônia, na zona oeste da capital, numa garagem alugada, e conciliava as aulas com o trabalho de transportador de legumes, setor em que atuaram os primeiros imigrantes nipônicos.

Com a ajuda do amigo Jorge Tatsumi e dos pais de alunos, Massao angariou recursos para comprar um terreno maior e ergueu sozinho o que é hoje o dojô (local de treinos) da associação, inaugurado em 1986. O polo se tornou referência tanto na comunidade local como no país e levou o idealizador a trabalhar na Confederação Brasileira de Judô. Em 2017, a CBJ conferiu a maior honraria, o 10º Dan (nível), a Massao – simbolizada pela faixa vermelha.

Com Massao como técnico, o Brasil conquistou uma medalha de prata, com Douglas Vieira, e duas de bronze, com Luiz Onmura e Walter Carmona. Na trajetória como professor, Massao formou grandes faixas pretas brasileiros, entre eles o próprio filho, Luiz Shinohara, técnico da seleção brasileira masculina desde 2002. “O judô brasileiro está de luto. A Confederação Brasileira de Judô lamenta profundamente sua despedida”, disse a CBJ em nota.

Em uma rede social, Aurelio Miguel, ouro nos Jogos de Seul (1988), reverenciou o mestre, ao lembrar que teve, aos 6 anos, o primeiro contato com ele “na beira do tatami da Vila Sônia, no início da década de 70”. “Lá se foram 50 anos e hoje me despeço do meu querido sensei, minha maior referência dentro do esporte. […] Massao escreveu uma das páginas mais ricas da história do judô brasileiro. Fica seu legado, fica seu exemplo de vida”, disse.

Miguel postou um vídeo da torcida do mestre quando disputava o ouro. “[…] Assistindo minha final olímpica, gritou no sofá de casa: ‘Agora’. Meu pai, assustado, perguntou se eu havia ouvido aquela orientação [de golpe] mesmo estando em Seul. E sensei Massao respondeu, com a serenidade e firmeza dos samurais: ‘Não escutou, mas o espírito passa para ele, né?”, contou. Massao foi sepultado no fim da tarde no Memorial Parque Paulista, em Embu.

VEJA VÍDEO POSTADO POR AURELIO QUANDO TEVE A TORCIDA DE MASSAO AO DISPUTAR OURO OLÍMPICO

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