ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra
O prefeito eleito de Taboão da Serra, Aprígio (Podemos), concedeu na quinta-feira (3) a primeira entrevista coletiva em que evitou anunciar pelo menos parte do secretariado e não respondeu sobre temas cruciais para a cidade, como a retomada das aulas na rede municipal e melhora do atendimento nas unidades básicas e pronto-socorros diante da pandemia da covid-19. Ele chegou a dizer que para “resolver” a saúde vai depender de ajuda divina.
Aprígio anunciou a criação de equipe de transição para buscar informações no governo Fernando Fernandes (PSDB) sobre a situação administrativa e financeira da prefeitura e anunciou o nome de José Alberto Tarifa, ex-secretário de Saúde em Taboão e Embu das Artes, nas gestões Evilásio Farias e Ney Santos – aliados do prefeito eleito. Outro ex-secretário de Evilásio foi confirmado, Antonio Rodrigues, que chefiou a pasta de Assuntos Jurídicos.
A equipe é formada ainda pelo vereador e candidato a prefeito derrotado Eduardo Nóbrega (MDB), pelo advogado Matheus Barbosa e pelo advogado e coordenador-geral da campanha de Aprígio, Wagner Eckstein Junior – namorado de uma filha do eleito. Sobre a transição, Aprígio mirou Fernando. “Estamos fazendo uma transição bem pacífica, é o que queremos fazer, apesar de que o prefeito ainda não nos permitiu entrar na prefeitura”, disse.
Aprígio foi questionado várias vezes sobre o secretariado – ponto central de uma gestão -, mas se esquivou. Decidido a não falar os primeiros nomes, ele se confundiu ao responder a primeira pergunta, que foi sobre o grupo de transição. “Não dá para formar toda uma equipe em três, quatro dias. Lógico, a gente está analisando nomes, mas não tem equipe formada”, disse. Depois, alegou que “é difícil determinar tanta coisa ao mesmo tempo”.
Indagado pela segunda vez sobre a volta das aulas na pandemia e o gestor para a pasta, Aprígio repetiu que o secretariado “não está fechado”, mas indicou que a estratégia é postergar. “Não é momento de divulgar os nossos secretários, até porque tem três dias que ganhamos a eleição, é um tempo muito pequeno para estar divulgando”, disse. Antes de Aprígio responder sobre o secretário, o vice-prefeito eleito Buscarini (PSD) murmurou: “Não tem”.
Indagado se o secretariado terá perfil político ou técnico, Aprígio disse que “o político, a gente já tem experiência que não funciona como você quer”. “Hoje tem que ser um secretário técnico naquela pasta para saber o que vai fazer. Fazendo trabalho técnico, vai errar menos”, disse. Buscarini falou, porém, que é “evidente que mescla-se um pouco com o político”. “Fizemos alianças, e terão que ser contempladas”, avisou. Nóbrega e Ney apoiaram Aprígio.
Aprígio foi perguntado ainda se tinha nome cotado para a Cultura. Ele apontou que a área não perderá status de pasta. “Em alguns dias vamos divulgar os nomes do nosso secretariado e com certeza o secretário de Cultura será anunciado”, disse. Na campanha, diante de acusações de que Aprígio seria racista por não ter assinado carta que pedia a criação da secretaria do negro, Buscarini defendeu cortar pastas e fundir a Cultura à Educação ou Esporte.
Acossado de novo sobre não ter assinado a carta, Aprígio negou discriminar os negros, mas fez fala polêmica. “Se a gente tiver que pôr um secretário ‘negrinho’, vai ter”, disse. Em descompasso outra vez, Buscarini disse que a Coordenadoria da Igualdade Racial será mantida. “Bem estruturada, com dinheiro em torno de R$ 300 mil, R$ 400 mil [de orçamento anual], tem muito mais eficiência que uma secretaria que não vai resolver nada”, disse.
Aprígio disse que ouviu na campanha mais queixas sobre a saúde e prometeu focar a área. “Primeiro, vamos ter que ‘se’ equipar, dar condições para a equipe técnica cuidar da pasta. Vamos dar atenção especial já no primeiro dia do governo”, disse. Indagado se vai mudar a empresa que gerencia os pronto-socorros, ele falou: “Sim, vamos entrar com muita disposição, muita determinação para resolver o mais rápido possível o problema da saúde”.
Aprígio não citou, porém, nenhuma ação concreta e recorreu à providência divina. “Vamos pedir a Deus para que não se estenda muito a covid, que acabe o mais rápido para que a gente acabe fazendo uma saúde melhor. Vai depender muito de Deus para que a gente faça um trabalho decente”, disse. Ele prometeu na campanha fazer uma auditoria, mas agora disse que “depende muito do tratamento deles [Fernando] com a gente [na transição]”.
Entre as poucas decisões, Aprígio anunciou a recriação da Administração Regional do Pirajuçara. “Já está definida, o Buscarini é o homem que vai cuidar. Vamos melhorar muito aquela região com o Buscarini ali, quase em tempo integral”, disse. Buscarini demonstrou, porém, insatisfação de ficar “instalado” numa região. “Vou ajudá-lo [Aprígio] participando ativamente de todos os setores. A Regional terá um espaço, mas não é o Buscarini [a ficar lá]”, disse.
Aprígio prometeu “tratar muito bem o funcionalismo”. Em tom de revanche, Buscarini disse aos comissionados para terem “a dignidade de pedir a conta” ainda na atual gestão. “Não espere a gente chegar para ser exonerado”, falou. Em aparente busca de protagonismo, o vice disse ainda que Aprígio e ele têm compromisso com quem votou e não votou neles, mas “compromisso menor com quem anulou o voto”. “Quem anula não pode cobrar nada.”
Aprígio se mostrou pessimista com a prefeitura que herdará e repetiu fala de aliado. “Vamos encontrar quebrada; como dizia o Evilásio, terra arrasada”, disse. Falou, porém, que com o orçamento previsto de R$ 840 milhões para 2021 “dá para fazer um bom trabalho”. Afirmou que para “mexer no trânsito” vai “privatizar” a rodovia Régis Bittencourt, que, porém, já é sob concessão. Ele foi “socorrido”. “É municipalizar a BR”, cochichou Eckstein Junior.
Aprígio minimizou que 8 dos 13 vereadores eleitos são oposição – precisa mais dois votos para eleger o presidente. “Vamos conversar, por mais que elegi a minoria, acredito que boa parte dos vereadores ou quase todos querem o melhor para a cidade”, disse. Já com a deputada estadual Analice Fernandes (PSDB), recusou diálogo. “Não vou precisar da amizade, que nunca tive, da deputada Analice. Tenho amigos lá que vão poder me ajudar mais”, disse.





