ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes
O vereador Carlos Alberto da Silva Noia, o Carlinhos do Embu (PSC), não conseguiu se reeleger no dia 15 de novembro. Na eleição para as 17 cadeiras da Câmara Municipal, ele foi o oitavo colocado com 2.259 votos, mas a votação não foi suficiente. No ano passado, Carlinhos perdeu o decoro do cargo e xingou o público que estava na sessão de “vagabundo”. Porém, ele que já foi preso e até chegou a ser denunciado na Lei Maria da Penha.
Na sessão em 9 de outubro de 2019, Carlinhos, da base do governo Ney Santos (Republicanos), fez a acusação de que pessoas no plenário tinham feito parte da folha de pagamento do governo Chico Brito e não trabalhavam. “Tô vendo pessoas do Bolsa Família que eram fantasma no outro governo e está [sic] aqui batendo palma e gritando. Primeiro, vai trabalhar, vagando! Vai trabalhar”, falou, aos manifestantes, sem citar ninguém em específico.
Procurado pelo VERBO na ocasião, Carlinhos admitiu a ofensa, mas alegou que dirigiu o xingamento a apenas uma pessoa. Ele fez confusão sobre benefício que apontou. “Eu chamei um cara lá que eu conheço há muito tempo, que inclusive tinha casa no São Marcos e pegava cesta… Aquele… O Bolsa Família… Bolsa Família não… Bolsa aluguel. Aí ele me viu, fez um gesto para mim, e chamei ele de vagabundo. Eu chamei ele, mais ninguém, entendeu?”, disse.
Porém, Carlinhos não soube dizer o nome da pessoa. “É o filho do ‘seu’ Joaquim. Xinguei a pessoa dele, inclusive ele começou a se esconder e saiu fora. Aí o [vereador] Edvânio [Mendes] comprou a briga, não sei por quê. Eu não sou de debate, mas o cara se dirigiu a mim”, disse. Questionado se podia provar a acusação de que o suposto ex-funcionário foi “fantasma”, ele também demonstrou que não. “Se posso provar? A gente corre atrás, né?”, falou.
Outro episódio inusitado marcou a sessão. O trecho da ofensa de Carlinhos “sumiu” do vídeo gravado pela Câmara – o VERBO assistia à sessão pela internet e viu o insulto. A reportagem apurou que no próprio dia o vídeo foi posto no site do Legislativo. Mas por volta de 18h saiu do ar é só voltou a ser disponibilizado na manhã do dia seguinte, porém com corte aos 16 minutos e 32 segundos – as falas de Carlinhos e de outro vereador foram suprimidas.
Apesar de partir para desqualificação, Carlinhos, 60, foi condenado por roubo a mão armada e com comparsa a cinco anos e quatro meses de prisão, em 1994, aos 34 anos. Ele ficou preso por dois anos, de maio de 1998 a julho de 2000, e saiu da cadeia por livramento condicional após cumprir 1/3 da pena. Em caso recente, do ano passado, ele foi denunciado por agressão a uma mulher e sofreu medida protetiva – ordem de não se aproximar da vítima.
Carlinhos foi bem votado, mas o partido não teve bons “puxadores de voto” e somou apenas quantidade para eleger um candidato, Bobilel Castilho, reeleito com 2.757 votos. O PSC totalizou 8.555 votos, mas o quociente eleitoral, o mínimo para eleger um vereador, foi de 7.767 votos (132.054 votos válidos divididos por 17 cadeiras) – precisaria mais de 1.500 para fazer o segundo vereador, no caso Carlinhos. Em 2016, foi eleito com 1.856 votos.
VEJA VÍDEO EM QUE CARLINHOS DO EMBU (PSC) XINGA PÚBLICO NO ANO PASSADO; NÃO FOI REELEITO





