Se reeleito neste domingo, Ney abandona prefeitura daqui a 2 anos, revela Hugo

Especial para o VERBO ONLINE

Sem máscara, Ney e Hugo fazem carreata; 'o projeto é o Ney prefeito, eu vice, e Ney deputado federal em 2022, eu assumo a prefeitura', diz Hugo | Divulgação

ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

EXCLUSIVO. O prefeito Ney Santos (Republicanos), se se reeleger nas eleições municipais neste domingo (15), vai abandonar a prefeitura daqui a dois anos para disputar outra eleição. Ele não quer, a rigor, servir a população à frente do município, como sugere o slogan de campanha “Para fazer muito mais”. Ney tem como “projeto” ser deputado federal em 2022. A revelação foi feita pelo próprio candidato a vice de Ney, Hugo Prado (MDB).

Hugo confidenciou o “plano” há oito meses, em um áudio gravado em março – obtido pelo VERBO. Com o prazo de novas filiações no fim, Ney e Hugo estavam em campo em uma ofensiva agressiva para aliciar futuros candidatos a vereador de oposição para esvaziar o lado adversário. Na ocasião, na companhia de um aliado, Paulinho da Solidariedade, Hugo tinha ido conversar com um opositor supostamente para trazer para o time de Ney.

Nas investidas, Ney e Hugo já tinham tirado da oposição lideranças como Rafa do Casa Branca e Vitor Matos, que antes apoiavam a então pré-candidata a prefeita Rosângela Santos (PT), e Maicon Gonçalves (PL), que declarava apoiar Sargento Ruas (PSL). Ney não foi até o opositor para tentar convencer e negociar para integrar o grupo que estava montando – vaidoso e com sentimento de superioridade, ele alegou estar com suspeita de covid-19.

Porém, Ney participou no fim da conversa de Hugo com o opositor, virtualmente, por videochamada, e festejou, com desdém, ter tirado lideranças do PSDB. “Não tem ninguém do PSDB. Quem tinha, nós tiramos de lá. A oportunidade de ganhar a eleição é essa”, disse, ao se dirigir ao opositor. “Você enrolou para fazer a escolha, para falar a verdade, se você ficar lá no PSDB, se eu fosse você nem saía candidato. Lá não tem quociente”, falou.

Antes, Hugo mirou também o PSDB, ao dizer achar “difícil brigarem por uma cadeira”, já que Adalto Batista “já não tem mais aquela expressão, vai ser engolido lá [no Pinheirinho]”. “Não vamos dar ‘boi’. Toda a massa de políticos [com muito apoio] está conosco”, disse, ao contar a “estratégia” do grupo para faturar as 17 vagas na Câmara. Porém, soltou que a tática não era “comprar” todos os opositores, ao revelar que um ex-vereador quis negociar.

“Quem me ligou agora, João Leite: ‘Você sabe da candidatura do Klaus [sobrinho]’. Falei: ‘Com todo o respeito, para nós hoje não é interessante o enfraquecimento da candidatura da Rosângela, ela tira voto do Geraldo [Cruz]’. Eu já tenho mais dois caras que pularam de lá [do PT] para cá hoje’. Se eu tirar esse cara, Rosângela não é mais candidata. E queremos todos os candidatos no jogo”, disse Hugo, interessado na fragmentação da oposição.

Depois, Hugo foi explícito sobre a grande “jogada”, ao criticar os próprios secretários aliados. “Para mim, o governo – vou falar do nosso – tem acertos e tem erros. Para mim, os nossos acertos são maiores que os nossos, mas nós erramos. Um dos erros que cometemos foi: não politizamos o governo. Muitos dos nossos secretários [passa a falar baixo] não são secetários políticos, que têm aquela pegada”, disse o então pré-candidato a vice oculto.

“Traçamos a estratégia de montar sete [partidos]. Dentro dessa conta, a gente está trabalhando para fazer 15, 16 e, se Deus abençoar, fazer as 17 cadeiras. Mas, mais do que isso, dos sete partidos, a gente quer pelo menos, [passa a falar baixo de novo] trazer sete vereadores eleitos para assumir secretaria. Além de ampliar a probabilidade para quem vai disputar a eleição – mais um suplente vai ter mandato -, consigo politizar o governo”, revelou Hugo.

Ou seja, os secretários não serão escolhidos por capacidade técnica, em prejuízo aos serviços públicos à população. Nesse contexto, Hugo revelou, radiante, o plano de Ney. “O projeto, você sabe: é o Ney prefeito, eu vice, e Ney deputado federal em 2022, eu assumo a prefeitura”, afirmou, ao pressionar ainda o interlocutor a se somar. Ele não topou. O hoje candidato opositor teve de ouvir que “na oposição você só vai ter papel, aqui vai ter recurso”.

OUÇA ÁUDIO EM QUE HUGO REVELA QUE NEY, SE REELEITO, VAI ABANDONAR O CARGO PARA SER DEPUTADO

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