Gilson compra voto com ajuda de pastores, indicam áudios; fiel diz aceitar ‘oferta’

Especial para o VERBO ONLINE

Comitê de Gilson, ao lado da Ibau, dos pastores Rose e Madson Pires; candidato ostenta apoio dos religiosos à campanha | Gabriel Binho|Alceu Lima/Verbo

ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

Áudios que circulam nas redes sociais apontam que o vereador de Embu das Artes e candidato Gilson Oliveira (Republicanos) está comprando voto ao pagar a eleitores até R$ 150 para ser votado e que o pastor Madson Pires e a mulher, a pastora Rose Lopes, da Igreja Batista do Avivamento Unido (Ibau), auxiliam no crime eleitoral. O comitê de Gilson, nome da coligação do prefeito e postulante à reeleição Ney Santos (Republicanos), fica ao lado da igreja.

Madson e Rose são cabos eleitorais entusiastas de Gilson, que, por sua vez, ostenta a adesão dos religiosos nas rede sociais. Confirmou publicou o VERBO em setembro, o vereador divulga há meses ter apoio de vários pastores, inclusive de duas figuras controversas que misturam religião e política capaz de fazer qualquer fiel perder a fé ou virar ateu: Madson e Rose. A reportagem mostrou que o casal não é afeito a dar bom exemplo aos seguidores.

No ano passado, Madson foi flagrado em um vídeo fazendo boca-de-urna para a mulher, que era andidata a conselheira tutelar. No episódio mais grave da eleição, ele agrediu a vereadora Rosângela Santos (PT) com um “mata-leão” ao ser questionado por entregar “santinhos” de Rose ante a escola ao lado da igreja. Apesar de o grupo político de Ney tentar confundir a população, ele admitiu que segurou Rosângela e “lhe abraçou pelo pescoço”.

Um membro da igreja de Madson e Rose procurou o VERBO à época para denunciar. “O pastor Madson realmente estava fazendo boca-de-urna. Isso é habitual desde a última eleição. […] Eles precisam reconhecer o erro […]! Isso é ilegal e não condiz com suas posições”, disse. Rose foi eleita conselheira em 2015, mas impugnada por boca-de-urna e por abuso de poder econômico ao ter apoio de Ney. Pela nova boca-de-urna, ela foi cassada outra vez.

Em um dos áudios, um homem diz: “Ô, Marcelo, o negócio do Gilson lá é verdade, viu? Eu fui lá no comitê dele lá, ele está pagando cem reais para colocar o adesivo [em carro] e [R$] 150 para votar nele. O que você acha?”. Em outra gravação, fala: “O comitê dele está lá do lado da Ibau, do apóstolo Nivaldo. Depois dá uma passada lá hoje para você ver”. Em terceira mensagem, a pessoa completa: “É, então, eu acertei com o filho dele lá, mano”.

O quarto áudio é de uma mulher que sugere ser fiel da igreja dos pastores aliados de Gilson. Como o fiel que condenou os pastores pela boca-de-urna, ela demonstra indignação: “Silvana, mas não é justo. A Ibau é uma igreja grande, que não pode estar se envolvendo nesse tipo de coisa, o vereador Gilson Oliveira está comprando voto. Eu mesma não vou entrar nessa daí, não. Eu vou conversar com o apóstolo e procurar outra igreja para congregar”.

A fiel justifica, ao se referir a Madson ao citar “pastor”, segundo apurou este portal: “Porque eu não acho justo. Compra de voto… O pastor está se envolvendo nesse negócio de compra de voto. Pastora Rose também. Não acho justo, a Ibau é uma igreja de nome, renovada, próspera. Agora, para estar se envolvendo em negócio de corrupção, compra de voto, eu mesmo vou conversar com o apóstolo e cair fora. Não dá para mim. Não dá para mim, não”.

Nesta sexta-feira, um morador vizinho ao comitê procurou a reportagem para avisar que pessoas procuradas por Madson e pelo filho do vereador foram ao local atrás da “oferta” de dinheiro por voto. “Está todo mundo aqui sabendo. Começou hoje. Tem até fila”, disse. Um eleitor disse ter atendido, a pedido do líder da igreja: “Eu coloquei no meu carro. O adesivo… Não falo mal do Gilson por aí, e isso tudo é por causa do apóstolo que me ajudou”.

OUTRO LADO
O VERBO não conseguiu contato com o apóstolo Nivaldo. Também não conseguiu falar com o pastor Madson, mas conversou com a mulher. Pastora Rose, de imediato, esquivou-se. “Desculpe, mas não vou falar”, disse. A reportagem disse que ela não sabia do assunto. “Qual seria?”, disse. Ao ouvir que era sobre o áudio, ela falou: “Esse áudio é fake. Vocês acreditam em tudo o que o povo fala”. Mas diante de outro questionamento, ela desligou.

Também contatado, Gilson foi econômico em negar estar comprando voto nas eleições deste domingo (15). “Eu não preciso disso! Eu tenho 32 anos de vida pública”, afirmou o vereador. A reportagem esteve diante do comitê do candidato, na estrada de Itapecerica a Campo Limpo, no Jardim Santa Emília, no fim da tarde deste sábado, e viu Gilson entrar no comitê com Madson – apenas cerca de uma hora e meia depois de falar com este portal.

> Colaborou a Redação do VERBO ONLINE

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