Homem ferido não era Denis e socorro foi correto, não teve omissão, indica áudio

Especial para o VERBO ONLINE

Denis com Ney; após tiroteio e já com a PM no local, populares observam homem caído ferido, que seria Rodrigo, e não Denis, indica testemunha | Divulgação

ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

EXCLUSIVO. O homem que agoniza em um vídeo gravado por populares após tiroteio em bar no Jardim Flórida, em Embu das Artes, na madrugada de 11 de outubro, não é o guarda municipal, ex-secretário e candidato a vereador Denis Viana, e sim o segurança do GCM, Rodrigo Barros Rodrigues, indica gravação em que uma mulher aciona o Samu. O áudio contesta fala da família Viana, que alega que o ferido era Denis e ataca o socorro prestado ao GCM.

Denis e Rodrigo estavam no bar Nilsinho Shows quando se envolveram em uma briga com três policiais militares, às 3h30 da madrugada. O PM Leme foi baleado na perna e o dono do bar, no pé e na bacia. Rodrigo foi atingido na cabeça, mas sobreviveu. Ele depôs que atirou primeiro e depois fez disparos “em direção a outros indivíduos armados”. Denis morreu com dois tiros, nas costas, disparados pelo PM Poli após disparo contra o colega.

Um vídeo publicado nas redes sociais mostra, já com a Polícia Militar no atendimento à ocorrência, um homem caído ferido se mexendo, diante da boate, enquanto moradores cobram que os PMs socorram a vítima. “Cara vivo lá, arma no chão, ninguém toma providência”, diz um popular. “Se fosse seu filho, não ia socorrer?”, diz outro. Depois, porém, veem que os PMs estão fazendo o “serviço deles” e que a vítima está “só esperando o Samu”.

Irmão de Denis, Marco Viana, também guarda de Embu e comandante da GCM quando Denis era secretário de Segurança, compartilhou o vídeo e fez acusações aos PMs. “Já temos algumas informações que algumas pessoas que estavam no Nilsinho Show no sábado e que filmaram o assasinato do meu irmão Denis Viana foram obrigados pelos PMs a apagar os vídeos e inclusive teve uma moça que teve o celular subtraído por eles”, escreveu.

Marco acusou ainda que a PM não socorreu Denis e o irmão foi levado para hospital mais longe “para dar tempo dele morrer”. “Já sabemos que o Denis foi morto pelas costas e desarmado e não foi socorrido pelos policiais que chegaram. Ficou agonizando, esperando por socorro por 40 minutos e depois foi levado ao PS Central a 5 km, ao invés de levarem para Hospital do Pirajussara, a 500 metros, pra dar tempo dele morrer no caminho”, disse.

Marco deu entrevista à Record TV e reforçou as acusações contra a PM. “O Denis teria ficado no local do crime cerca de 30, 40 minutos, esperando socorro, por omissão de socorro por parte dos policiais, agonizando, ainda se mexendo”, disse. A reportagem relata que, além de possível omissão de socorro pelos PMs, Marco lança suspeita sobre Denis, apesar do risco de morte, não ter sido levado ao Hospital Pirajuçara, mais próximo do local do crime.

“Ele foi socorrido até a unidade de pronto-socorro central de Embu, que fica quase 6 km de distância do local, sendo que as outras vítimas foram socorridas ao Hospital Geral do Pirajuçara, que fica a 700 metros, um hospital de referência com UTI, centro cirúrgico e poderia ter salvo a vida dele. São várias situações que estão erradas nesta ocorrência. Estão chegando informações de novas testemunhas que vão comprovar que foi uma execução”, falou.

No entanto, a gravação em que um mulher, provalvemente uma popular, liga para o Samu de Embu para reclamar socorro ao homem caído na calçada em frente, obtida pelo VERBO, desbanca a versão de Marco. No áudio de contato com o serviço de ambulância, a mulher diz: “Ô moço, o homem está vivo aqui ainda, perto do Cemitério Jesuítas, aqui atrás do Hospital Geral”. O profissional do Samu pergunta: “O que está acontecendo? Eu sou médico”.

A mulher relata: “Tiroteio, um homem ainda está vivo, ele está pedindo uma ajuda!” O médico diz: “Tá. A gente está mandando ambulância aí, só aguardar”. Ela: “Por favor”. Ele: “Uma vítima só?” Ela afirma que um morreu no local: “É… Duas, um já está em óbito. O outro ainda está vivo, porque está dando sinal pra nós”. O médico: “Tá’, aguarda a ambulância aí”. Ela: “‘Tá’, moço, mas vai demorar muito? Também ele vai entrar [fim do áudio] – teria dito “óbito”.

Se a mulher relatou que um já estava morto, e a única vítima fatal foi Denis, o homem no vídeo agonizando seria Rodrigo. Diante do fato, também ao contrário do que sustenta Marco, o procedimento de socorro foi regular, Denis foi levado ao PS de Embu por já estar sem vida, para confirmação do óbito. Já o PM, o dono do bar e inclusive Rodrigo, por estarem feridos, com chance de sobreviver, foram socorridos à unidade mais próxima, o HGP.

Não houve omissão de socorro, contrariamente também ao que diz Marco. Como disse um popular no vídeo, o homem (Rodrigo) estava para ser socorrido por serviço indicado – “cara vivo lá, só esperando o Samu”. Não são os PMs que socorrem ou escolhem o local para levar feridos, mas uma ambulância ou resgate. O Corpo de Bombeiros, que chegou antes do Samu, levou Denis ao PS, por já estar sem vida, e os demais ao HGP, por estarem feridos.

“Não é que ficaram 5 km rodando com o Denis. Ele não podia mais ser socorrido, por já ter a morte constatada no local”, disse um interlocutor da gestão Ney Santos (Republicanos). A suspeita é de que o grupo político de Ney, do qual os Viana fazem parte, esteja tentando culpar os PMs e acobertar Rodrigo. O segurança de Denis é condenado por porte de arma ilegal e usava arma da GCM sem ser GCM. Apesar do flagrante, foi solto; é considerado foragido.

O VERBO apurou que os Viana contrataram, para incriminar os PMs, o mesmo advogado do candidato a vereador Renato Oliveira (MDB), “pupilo” de Ney e réu confesso de ter derrubado um repórter na rodovia Régis Bittencourt, mandado a júri popular por tentativa de homicídio triplamente qualificado. O advogado chegou a sustentar que Denis estava desarmado. Mas a arma do GCM foi apreendida no local. Este portal não conseguiu falar com Marco.

OUÇA ÁUDIO EM QUE TESTEMUNHA INDICA QUE HOMEM QUE AGONIZAVA ERA O SEGURANÇA, E NÃO DENIS

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