Rico com a política após ‘rachar’ salários, Doda convoca família e usa até mãe falecida na campanha

Especial para o VERBO ONLINE

Doda, inelegível por tornar Câmara 'cabide de empregos', reúne-se com apoiadores e faz propaganda eleitoral com imagem da mãe falecida em julho | Divulgação

ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

Rico com a política (elevou o patrimônio de R$ 262 mil para R$ 996 mil em apenas quatro anos), após embolsar parte do salário de assessores e de “apadrinhados” que empregou no governo passado e na atual gestão Ney Santos (Republicanos) – esquema da “rachadinha”-, o vereador de Embu das Artes e candidato à reeleição Doda Pinheiro (Republicanos) “recrutou” a família para o defender e usa até imagem da mãe falecida para pedir voto.

No dia 22 de outubro, o VERBO noticiou que Doda elevou em quase quatro vezes o patrimônio desde 2016 e virou praticamente um milionário. Ele declarou à Justiça Eleitoral entre oito bens – não mais dois, quando eleito em 2012 – um sobrado de R$ 225.000 e um apartamento de R$ 409.000. Segundo um ex-assessor, ele “esqueceu” de declarar a “rachadinha”. “Ele deixou de falar mais coisinhas, o dinheiro vivo [arrecadado] em casa”, afirmou.

Um dia depois, a mulher de Doda gravou um vídeo para dizer que “não posso permitir que #fakenews tentem denegrir a imagem de um homem que desde que o conheço sempre lutou pelo próximo” – na mesma gravação, a filha, pré-adolescente, também o defendeu. Após a reportagem, outros familiares se apressaram em defender o vereador, como um sobrinho e um concunhado, empregado na frente de trabalho em vaga “arranjada” por Doda.

No entanto, o dado sobre o enriquecimento de Doda é público e ex-correligionários afirmam, categoricamente, que o vereador “racha” salário. Um ex-apoiador – uma das pessoas que o vereador “traiu” ao trapacear em acordos – disse que a reportagem “deu o recado”. “A mulher do cidadão, que nunca na vida, nunca, trabalhou na política, fez um vídeo, colocou até a filha para falar. A matéria foi ‘quente’, repercutiu mesmo, o homem está doido”, comentou.

Por causa da “safadeza”, Doda perdeu apoiadores importantes, lideranças de peso na cidade. Como consequência, por exemplo, em fevereiro, na pré-campanha, ele reuniua penas cerca de 50 pessoas em reunião política para ouvir Ney e se irritou com o fiasco do evento com “um punhado de gatos pingados”, conforme definiu um aliado do governo. Depois, ele mandou mensagem em tom de ameaça, inclusive aos apoiadores que foram “sozinhos”.

Doda não disfarçou o constrangimento pelo fiasco na “prestação de contas” de Ney. Vereador em segundo mandato, líder de Ney na Câmara e com benesses à altura, ele deveria ter reunido ao menos quatro vezes mais. “Quem tem pessoas na prefeitura tem como levar mais gente. Ele tem três assessores na Câmara, 25 a 30 cargos na prefeitura, contando a frente de trabalho. Trinta levando dez apoiadores dá 300 pessoas”, calculou o aliado.

Doda fez cobrança no grupo em rede social. “Parabenizo especialmente os que se comprometeram e levaram seu pessoal. Aos que foram sozinhos, repensem sua participação neste grupo, os que não foram mais ainda”, disparou. “Ele fala até para quem foi e não levou ninguém. Imagina quem não foi […]. Quem vai só é para repensar. Para quem não vai, é ‘meter marcha’, não ficar no grupo. Olha o tom de ameaça”, disse uma pessoa próxima a Doda.

Doda se preocupou apenas com a “carreira” política, não falou em compromisso com a população. “Eu NÃO posso correr o risco de ficar de fora da Câmara e deixar os que se comprometem na mão, por irresponsabilidades de algumas pessoas”, apelou, em nova estocada nos apoiadores. “O povo está desanimado. Mas não pode considerar que o pessoal está insatisfeito com ele. Ele tem que falar que é irresponsabilidade”, reagiu um correligionário.

Nos últimos meses, Doda perdeu mais uma leva de correligionários, pelo menos cinco, entre eles Carlos “Bodão”, que estava com o vereador desde o primeiro mandato, inclusive como assessor. “Deixei a equipe por questão ideológica”, alegou “Bodão”. O VERBO questionou em que ideologicamente o candidato que passou a apoiar é diferente de Doda se é também aliado de Ney. “‘Tô’ meio enrolado agora, depois conversamos, ok?”, esquivou-se.

Outro correligionário deixou o grupo de Doda após não esconder grande insatisfação de assumir cargo de grande responsabilidade e ficar com “mixaria” por ser obrigado a “rachar” o salário para o vereador. Agora já durante a campanha, Doda realizou nova reunião com a presença de Ney – sem máscara -, em 10 de outubro. Com medo de novo fiasco, fez em casa, mas não conseguiu reunir muito mais pessoas do que os “gatos pingados” da outra vez.

Diante da reunião esvaziada, um ex-apoiador comentou: “A maioria é familiar. E outra coisa: o homem está cassado [inelegível]”, disse. De fato, Doda teve a candidatura indeferida por rejeição das duas contas quando presidente da Câmara. Ele recorre. Diante dos reveses, ele estaria apelando, usando a imagem da mãe, que morreu em julho de covid-19, na campanha. “Como é sujo, usa a mãe falecida para fazer propaganda eleitoral”, disse um ex-assessor.

comentários

>