Vereadores aliados do prefeito Hugo Prado (Republicanos) barraram proposta em defesa das mulheres e evitaram discutir a paralisação da obra do novo pronto-socorro infantil e maternidade de Embu das Artes, na última quarta-feira (25). A sessão foi marcada por intenso embate. Uriel Biazin (PT) criticou a Comissão Mista da Câmara em emitir parecer contrário a projeto de lei que apresentou de criação de campanhas por igualdade de gênero em escolas e espaços culturais.
Biazin cobrou explicações públicas dos governistas, sobretudo pela rejeição ocorrer pouco antes de sessão solene em homenagem às embuenses. “É importante que expliquem para as mulheres que estão aqui o porquê do voto contrário, se existe um motivo real ou se é pura e simplesmente divergência política. É um absurdo que esta Câmara se posicione dessa maneira”, criticou. A comissão é composta por sete vereadores, todos da situação, entre eles Léo Novais (PL).
O presidente reagiu de imediato. Abel Arantes (SD) acusou o vereador de desrespeitar os colegas e tentou impedir o debate ao alegar que questões da comissão não deveriam ser expostas publicamente. “Projeto de lei, a gente debate lá dentro [da sala], não aqui”, pontuou. “Comissões da Casa são públicas. A população precisa saber o que se passa lá”, rebateu Uriel. “Hoje não é dia para você fazer isso”, falou Abel. “Todo dia é dia de defender as mulheres”, retrucou o petista.
O clima tenso atingiu o ápice quando Léo Novais fez ataques a Uriel e seu partido. Aos gritos, o governista defendeu o que chamou de coerência da comissão em barrar o projeto em defesa das mulheres e mirou o colega. “Procure seu insignificante lugar de oposição e de ‘partido do demônio’, porque nesta cidade você não vai ter vez”, falou Léo, com a identificada tática de criar um ambiente hostil nas sessões para desviar a atenção das demandas e problemas do município.
Em defesa de Uriel, Abidan Henrique (PSB) lembrou que o mês de março deve ser de luta por direitos, e não apenas de comemoração, e questionou Hugo sobre ter realizado evento com mulheres e não terminar o novo PS infantil e maternidade, bem no centro. “Eu fui à obra na segunda-feira às 14h. O prefeito tem que vir a público explicar por que não tinha uma alma viva trabalhando naquela obra. Eu acho que é uma discussão importante para nós fazermos hoje”, disse.
“Por que aquele contrato foi assinado em setembro de 2023, com 12 meses para concluir a obra, estamos quase na metade de 2026 e a obra não está concluída. Eu encontrei ali materiais, enferrujando, sendo desperdiçados. Esta é a realidade de Embu das Artes quando o quesito são políticas públicas para as mulheres. Fazer caminhada é muito fácil, difícil é terminar uma obra para as mulheres terem dignidade na saúde”, denunciou Abidan. Nenhum projeto foi votado.





