O vereador Sandro Ayres (Republicanos) disse na sessão nesta terça-feira (10) que a “vítima” do falso atentado na eleição em 2024 não foi o então prefeito e candidato à reeleição Aprígio (Podemos), mas Taboão da Serra – a população – e o hoje prefeito Engenheiro Daniel (União Brasil). Ele reagiu com contundência à afirmação da defesa e relato de parte da imprensa local de que Aprígio foi “vítima” pelo fato de a Polícia Civil ter encerrado inquérito sem apontar mandantes.
A polícia e o Ministério Público concluíram que o ataque a tiros contra Aprígio, a 13 dias do segundo turno da eleição, foi forjado, armado pelo próprio grupo político do então prefeito. Em tribuna, Sandro falou ter sido surpreendido por reportagem de um site que noticiou que Aprígio “foi vítima da própria tramoia”. “Eu fico muito estarrecido. Vítima não foi o Aprígio. Vítima foi o nosso povo de Taboão da Serra, porque ele era o prefeito da cidade. Vítima é a nossa cidade”, disse.
Sandro disse também que a vítima da farsa foi Engenheiro Daniel, inclusive os correligionários do hoje prefeito, e se incluiu entre eles. Na disputa, a campanha e até secretários de Aprígio acusaram o rival como responsável pelo ataque – a elucidação do caso ocorreu apenas após o pleito. “Quando, para ganhar a eleição, apelam, [imputam] o próprio atentado, para tentar ocultar o crime, ao grupo político do Engenheiro Daniel, vítima é o Engenheiro Daniel”, afirmou.
“Me sinto vítima também, porque fazia e faço parte do grupo político do Engenheiro Daniel. Quando se faz um atentado desse porte para sensibilizar a população, para poder mudar a opinião pública, vítima é a sociedade. A defesa do Aprígio diz que ele é vítima. Com todo respeito, você [advogado do então prefeito] está ali para defender, [mas] vítima sou eu, que sou taboanense. Vítima é o taboanense! Vítima é o grupo político do Engenheiro Daniel!”, disparou Sandro.
O vereador também criticou a polícia por encerrar a investigação sem apontar quem mandou realizar o falso atentado. Ele observou que “tem delação” – que indicou existir mandante – e que parte dos acusados ainda não foi presa. “A Polícia Civil fecha o inquérito, dizendo que o Aprígio foi vítima, sendo que tem dois suspeitos presos e três foragidos. Se tem três foragidos, como que fecha um inquérito se ainda não sabe o paradeiro desses outros três?”, questionou.
A polícia encerrou o segundo inquérito, para identificar mandantes do falso atentado, no dia 21 de janeiro. A Delegacia de Taboão alegou ter esgotado todos os “meios investigativos” e que “não foi possível identificar” os autores intelectuais. No entanto, o MP não concordou com o arquivamento da apuração e solicitou a quebra dos sigilos bancário e telefônico dos sete investigados – inclusive de Aprígio e dos então secretários à época -, além de novos laudos periciais.
O vereador elogiou o Ministério Público pela decisão. “Faço apelo para que o Ministério Público possa, sim, de fato reabrir esse inquérito, possa de fato [obter] a quebra de sigilo dos envolvidos. Esse fato tem que ser esclarecido. Foi vergonha nacional a nossa cidade”, disse, ao citar que o caso foi tema do programa “Fantástico” (TV Globo). “[Foi mostrado] como foi o atentado, desmascarando a grande mentira que o grupo político do senhor Aprígio quis ocultar”, declarou Sandro.





