Há 25 anos morria o governador e fundador do PSDB Mário Covas

Opositor da ditadura, ele foi um líder democrata que não fugia de embates mesmo em meio a conflito; na região, terminou os hospitais de Pirajussara e Itapecerica

Especial para o VERBO ONLINE

Mário Covas, no Palácio dos Bandeirantes ao lançar obra do Rodoanel; na região, terminou os hospitais, Pirajussara e Itapecerica, que eram esqueletos de concreto | AO/Verbo - 1997

Há exatos 25 anos, em 6 de março de 2001, morria o governador de São Paulo Mário Covas (PSDB). Um dos poucos políticos admirados no país, paulista de Santos, Covas iniciou a vida pública em 1961, quando foi derrotado à prefeitura da cidade natal. No ano seguinte, venceu para o primeiro cargo eletivo, deputado federal. Em 1964, com o golpe militar que levou o general Castelo Branco à presidência, deu um voto de protesto, no marechal Juarez Távora, que não disputava o cargo.

Com o fim do pluripartidarismo em 1965, Covas foi um dos fundadores do MDB, único partido de oposição existente durante a ditadura militar. Com o AI-5, ele foi cassado, um mês depois da promulgação do ato mais violento do regime, em 16 de janeiro de 1969. Em 1979, após dez anos com os direitos políticos suspensos, ele retomou a luta contra a ditadura e se tornou presidente do MDB. Voltou a se eleger deputado federal em 1982, pelo agora PMDB.

Em 1983, Covas foi nomeado secretário estadual de Transportes, com Franco Montoro eleito governador. Mas no mesmo ano, após derrotar o grupo de Orestes Quércia dentro do PMDB, ele foi nomeado para a prefeitura de São Paulo, como “prefeito biônico”, até a realização de eleições diretas. Como prefeito, segundo a imprensa à época, Covas tocou uma ampla ação de asfaltamento de ruas, de melhorias na periferia da cidade e recuperação de órgãos e serviços públicos.

Em 1986, Covas foi eleito senador com 7,7 milhões de votos, a maior votação de um candidato na história do Brasil até então. Foi líder do PMDB no Senado durante a Assembleia que elaborou a Constituição de 1988. Nos trabalhos da Assembleia Constituinte, ele se alinhou muitas vezes às bancadas de esqueda e fez oposição ao Centrão. Em 1988, um dos principais líderes da dissidência do PMDB, fundou com outros ex-pemedebistas o Partido da Social Democracia Brasileira.

Na eleição presidencial de 1989, a primeira desde 1960, Covas disputou pelo PSDB – ficou em quarto lugar. Em 1990, foi derrotado ao governo de São Paulo – ficou em terceiro. Senador, conduziu a sigla a resistir à cooptação dee Fernando Collor de Mello e colheu dividendos quando o presidente mergulhou em espiral de corrupção. Covas foi um dos votos que cassaram Collor. Em 1994 conseguiu se eleger governador contra Francisco Rossi (PDT) no segundo turno. Em 1998 foi reeleito.

Covas fez governos marcados por medidas saneadoras, privatização de várias empresas estatais e recuperação da capacidade de investimento da gestão estadual. Ele também foi, porém, alvo de protestos por não atender melhorias salariais reivindicadas por servidores. Com personalidade de não fugir de embates, ele chegou a entrar em conflito com professores em 2000 ao tentar passar em meio a grevistas acampados na sede da Secretaria de Educação.

Covas retomou várias obras paradas. Na região terminou os hospitais gerais de Pirajussara e Itapecerica da Serra, pondo fim a quase duas décadas dos esqueletos de concreto, entre outros projetos, como de habitação e infraestrutura. Com câncer de bexiga, em janeiro de 2001 ele se afastou do governo, sem renunciar. Morreu pouco depois, aos 70 anos. Nesta foto do VERBO, lança a obra do Rodoanel, que iniciou em 1998. O anel viário recebeu o nome de Covas – um líder íntegro.

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