O vereador Abidan Henrique (PSB) ingressou na quinta-feira (19) no Ministério Público de São Paulo com denúncia em que solicita investigação sobre o ato do pastor Marco Roberto da Silva de trafegar com placa oficial da presidência da Câmara de Embu das Artes falsa ou adulterada, além de uso indevido de identificação institucional e possível interferência política na ação policial. Pastor Marco é chefe de gabinete do prefeito de Taboão da Serra, Engenheiro Daniel (União).
Pastor Marco foi preso na quarta-feira (18) em Águas da Prata (SP) por trafegar com a placa “001 Poder Legislativo Presidente” de Embu “artesanal”. Ele depôs que a placa “foi colocada em seu veículo” em “Taboão da Serra, no pátio da prefeitura”, mas não por ele, e atribuiu alguém por “brincadeira ou maldade”. Alegou que “viu que tinham colocado, mas como está fazendo uso de remédios fortes, tanto para doenças físicas quanto psíquicas, acabou esquecendo de retirá-la”.
Mas, aos policias rodoviários, o pastor deu versão bem diferente da que falou na delegacia. Disse que a placa original do carro tinha sido retirada por ele e estava dentro no veículo, que usava a outra placa por ser secretário de Taboão para “desfrutar de livre circulação”, mas que a obteve na Prefeitura de Embu, e ele próprio providenciou o emplacamento. Ele foi preso pela PM de Minas Gerais, após não obedecer a sinal de parada no Estado e fugir, até a cidade paulista.
Na denúncia, Abidan justifica que “há indícios” de que pastor Marco – com atuação política em Embu – cometeu os crimes de adulteração de placa veicular e uso indevido de identificação funcional, ou seja, tentou se passar pelo presidente da Câmara embuense, o que “pode induzir agentes públicos e terceiros a erro”, mas também como “possível tentativa de obtenção de vantagem ou intimidação mediante o uso de identificação de ‘Poder Legislativo – Presidente'”.
Abidan diz também que informações de bastidores políticos e da imprensa dão conta de que deputados, prefeitos e outros agentes políticos teriam tentado pressionar o delegado de Águas da Prata para que “a investigação fosse deixada de lado ou conduzida de forma branda”. “Trata-se de fato extremamente grave, pois atinge diretamente a independência funcional da autoridade policial e o regular andamento da persecução penal”, afirma o parlamentar.
Abidan requer ao MP a abertura de investigação para “apuração integral dos fatos” e dos possíveis crimes listados, a verificação da eventual participação de agentes públicos ou políticos na tentativa de interferência nas investigações” e “adoção das medidas judiciais”, inclusive de improbidade administrativa, se for o caso. Pastor Marco foi chefe de gabinete de Ney Santos quando prefeito. Encerrado o mandato, Ney o indicou para a gestão Engenheiro Daniel em Taboão.
Nesta quarta (25), em sessão, o vereador questionou como Marco conseguiu a placa oficial ao lembrar que o pastor primeiro admitiu que a obteve na cidade, antes de mudar a versão. “[Só depois] Ele tenta acusar funcionários da Prefeitura de Taboão, de que colocaram a placa no carro dele lá. Presidente, eu quero publicamente perguntar ao senhor: quem deu a placa para aquele sujeito que se intitula pastor andar por aí se passando pelo presidente da Câmara?”, disse.
“Foi o senhor, presidente? Foi o ex-presidente Renato Oliveira? Foi o Ney Santos?”, completou Abidan, ao afirmar que “esse ato criminoso mancha a Câmara de Embu”. O presidente Abel Arantes (SD) disse ter que aguardar a Justiça “me provocar”. “Para mim [sic] formalizar qualquer tipo de resposta”, disse. Sobre a pergunta, o VERBO não conseguiu contactar Renato. Indagado se deu a placa ao pastor, Ney se irritou com a reportagem. “Foi sua mãe, seu vagabundo”, disse.
DENÚNCIA DO VEREADOR ABIDAN HENRIQUE CONTRA USO INDEVIDO DE PLACA OFICIAL PELO PASTOR MARCO ROBERTO






