Depois de 24 anos e 3 meses no PSDB, a deputada estadual Analice Fernandes deixou o partido para se filiar ao PSD. Presidente nacional do Partido Social Democrático (centro-direita), Gilberto Kassab fez o anúncio na quinta-feira (5) de que Analice ingressará na sigla ao reunir os novos membros – a debandada entre os tucanos inclui outros seis parlamentares. A deputada foi representada na reunião pelo marido, o ex-prefeito de Taboão da Serra Fernando Fernandes.
Analice era filiada ao PSDB desde o dia 1º de outubro de 2001, levantou o VERBO. À época, ela ocupava o cargo de secretária de Assistência Social de Taboão, que exercia desde o primeiro mandato de Fernando como prefeito, em 1997. Analice iniciou, porém, a atuação política na saúde, em 1989, no governo Armando Andrade, com Fernando como vice-prefeito – ela é enfermeira. Mas foi na Assistência que despontou, ao desenvolver ações de emprego e renda e capacitação profissional.
Com o trabalho e popularidade no cargo, Analice foi eleita deputada estadual pela primeira vez em 2002, logo na primeira disputa de uma cadeira na Assembleia, com 100.114 votos, com força não somente em Taboão, onde teve 41.599 votos (42%). Ela ampliou a projeção em várias partes do Estado, não apenas na região, e se reelegeu em 2006, com 140.587 votos, 40.461 em Taboão – ainda cresceu em número absoluto mesmo com o marido não mais à frente da prefeitura.
Analice conquistou novo mandato em 2010, com 125.116 votos, agora com queda nominal em Taboão, para 31.388, mas ainda a mais votada na cidade, governada por rival. Em 2014, ela alcançou a maior votação da carreira, 151.407 votos, inclusive em Taboão, com 48.650, puxada pelo marido, novamente prefeito. Prestigiada, Analice ocupou cargos de destaque, como lider da bancada do PSDB, presidente da Comissão da Saúde e foi eleita vice-presidente da Assembleia.
Com o advento do bolsonarismo, em 2018, porém, Analice obteve até então a pior marca desde a estreia, 110.089 votos, “salva” ainda pelo desempenho doméstico – 31.730 em Taboão. O sinal de alerta se agravou. Em 2022, com o ápice da polarização PT/bolsonarismo, ela teve a menor votação obtida, 90.135, inclusive deixou de liderar na cidade – com 13.581 votos, caiu para terceiro lugar, atrás de Eduardo Nóbrega (Podemos) e Engenheiro Daniel (então Republicanos).
Mesmo com o poder político abalado, às voltas com críticas de que fez a carreira com a promessa do metrô em Taboão sem ainda “entregar”, Analice emplacou seis mandatos e se sobressaiu com leis de fortalecimento da saúde pública e em defesa da mulher, como a que prevê prioridade de atendimento no IML para vítimas de violência doméstica e disponibilização de profissional mulher para acompanhar pacientes desacordadas durante procedimentos, contra abusos.
De pulso firme, Analice não se furta em se posicionar, como em embate local em 2020 contra Eduardo, em rompimento com a família Nóbrega que perdura até hoje. A deputada respondeu a críticas de Nóbrega a Fernando e a ela e gravou um vídeo em que o chamou de alguém que “não honra compromisso” e é “oportunista”, ao apontar que o ex-aliado deixou de apoiar em 2018 candidatos do PSDB, ao qual era filiado, em reação também em desagravo ao partido.
Agora, sob risco real de não reeleição no PSDB, Analice sai com o enfraquecimento do partido, que começou com a perda do governo de São Paulo e se aprofunda ao deixar de vez de ser alternativa à esquerda. Ela vai para uma sigla considerada mais à direita que o PSDB, mas não para o bolsonarista PL, de extrema-direita, como se anunciava nos bastidores. Analice vai ingressar no PSD, nas palavras de Kassab, “no próximo dia 4 de março, durante a janela partidária”.





