O secretário de Habitação de Taboão da Serra, Marcio Alfredo Ferreira, nega envolvimento com uma quadrilha de tráfico de drogas e ter praticado qualquer ação ilícita. A Polícia Civil de São Paulo realizou na quarta-feira (17) uma operação para desarticular uma organização criminosa que usava empresas de fachada para misturar cafeína com cocaína. Os investigadores cumpriram quatro ordens de prisão. Também 27 de busca e apreensão, com Marcio como um dos alvos.
A operação aconteceu em Santana de Parnaíba, Embu das Artes, Guarulhos e Taboão (Grande SP), além da capital. Os mandados de prisão temporária são contra dois homens e duas mulheres. A polícia prendeu duas pessoas. Uma das detenções foi em um condomínio de alto padrão, em Alphaville. Entre as apreensões estão 12 carros, entre eles de luxo como Corvette e Porsche, duas motos, dinheiro (dólares, euro e reais), celulares e armas de fogo, incluindo uma metralhadora.
A investigação revelou um crime sofisticado e muito lucrativo. O bando comprava grandes quantidades de cafeína para quadruplicar a produção da droga (adulterada), e fazer a atividade render mais dinheiro. Com o uso de firmas fantasmas, adquiriu 81,5 toneladas do produto e fez render 320 toneladas de cocaína. Segundo a polícia, o esquema movimentou mais de R$ 25 milhões, ao abastecer pontos de tráfico em São Paulo e em Estados como Paraná e Rio de Janeiro.
O trabalho de inteligência durou quatro meses. Em outubro, a polícia prendeu um homem e apreendeu 500 quilos de cafeína que, segundo apuração, iam ser adicionados à cocaína para aumentar o volume da droga. O produto vinha de uma grande empresa de Guarulhos. A companhia não sabia da finalidade criminosa e é considerada idônea pelas autoridades. A polícia investiga, porém, se a venda da cafeína ocorreu por falha interna ou por envolvimento de algum funcionário.
Apesar de ter tido a presença da polícia em casa no cumprimento do mandado de busca e apreensão, o secretário afirma não ter nenhuma participação na atividade ilícita descoberta. Ele fez o relato ao prefeito. Engenheiro Daniel (União Brasil) falou com o VERBO sobre o caso. Segundo o chefe do Executivo, Marcio vendeu um imóvel para um dos investigados no esquema e teve a transferência do valor da conta da pessoa para a dele, e “entrou na investigação por isso”.
“Ele acabou fazendo a venda para uma pessoa que não sabia quem era. Ele tem como comprovar tudo, do que é o recebimento. Ele não conhecia esse pessoal, [o negócio] foi através de uma imobiliária. Como entrou recurso na conta dele, é considerado como dinheiro ‘sujo'”, disse Daniel. Acrescentou que ao contrário do veiculado, Marcio estava em casa, “com a família”, quando a polícia chegou. “Está tudo bem. Inclusive ele está trabalhando normal”, falou nesta quinta-feira.





