Os vereadores de Embu das Artes aprovaram no último dia 26 o orçamento municipal para 2026, além do Plano Plurianual, de metas e prioridades do Executivo para os próximos quatro anos (2026-2029). Na primeira lei orçamentária anual (LOA) elaborada por Hugo Prado (Republicanos) como prefeito – após quatro anos como vice -, Embu terá receita global prevista de R$ 1,8 bilhão (R$ 1.807.166.570,00) no ano que vem, o que significa 28,5% a mais do que o estipulado para 2025.
A sessão foi marcada por bate-boca. Os governistas tentaram abafar críticas a Hugo relacionadas à operação da Polícia Federal no dia anterior em Embu – a PF desarticulou uma organização criminosa responsável pelo desvio de milhões de reais da saúde, a gestora dos prontos-socorros Irdesi. O entrevo foi tão acalorado, que alunos da escola estadual Nelson Antonio do Nascimento, que visitavam a Câmara, tiveram de se retirar a 30 minutos do fim dos trabalhos.
Já no início, Abidan Henrique (PSB), da oposição, indagou o presidente Abel Arantes (SD) sobre o livro-ata não estar na mesa. Ele sugeriu até fazer boletim de ocorrência por “extravio”. Quando o livro apareceu, já estava preenchido com inscrições de apenas vereadores da base de Hugo para falar. Ele pediu que o fato constasse em ata, e que a Casa verificasse se a letra era mesmo do 1º-secretário Gideon Júnior (PV). “Parece que está diferente da grafia das sessões anteriores”, falou.
“Quero garantir a lisura aqui do processo administrativo. Peço que a Câmara abra uma sindicância para garantir que a letra no livro-ata é do vereador Gideon Junior”, continou Abidan, em suspeita de que as anotações foram feitas por outro vereador indevidamente. Uriel Biazin (PT), também da oposição, acusou que as “manobras” visaram impedir a fala de não aliados do prefeito sobre a “Operação Paralelo Cinco”, da PF, com mandados de busca e apreensão em Embu.
Gideon, após ficar em silêncio, aparentemente para ganhar tempo, reagiu. “Falar que estou falsificando a minha própria letra? É uma vergonha. Vereador, toma vergonha na cara e explica o que a Federal estava fazendo na casa do Márcio França”, disse, em possível alusão a uma operação em 2022 – mas da Polícia Civil – com o aliado de Abidan como alvo. “Para o senhor conseguir escrever daquela forma é pelo menos um ano de caderno de caligrafia”, ironizou Abidan.
Léo Novais (PL), da “tropa de choque” de Hugo, defendeu o prefeito com veemência ao dizer ser um “político honrado, político sério, político que não se envolve em nenhum tipo de ‘buxixo’, que leva a administração pública com seriedade, acima de qualquer suspeita”. “A PF discorda do senhor”, respondeu Abidan. Léo gritou e o chamou de “sem educação” e sugeriu que se matriculasse na escola ao se dirigir aos alunos presentes – a cena foi vista, porém, como “teatro”.
A confusão se instalou após Abidan abordar a operação da PF e os governistas imediatamente cortarem a fala dele por várias vezes, aos gritos. O embate teve proporção tão grande que já não era possível entender o que falavam. Com o “vexame”, os alunos foram embora. A sessão acabou após Abidan ainda fazer moção de aplausos à PF. Os governistas, contra, ficaram mais furiosos. Com votos contrários de Abidan e Uriel, foram aprovados os projetos de lei da LOA e do PPA.






Desde que Ney santos assumiu como prefeito essas investigações nunca deu em nada