PF faz operação em Taboão para investigar fraude em licitações, mas sem relação com a prefeitura

Além de 6 mandados de prisão, a Polícia Federal cumpriu 50 de busca e apreensão, um na cidade, mas, segundo apuração, a administração não é alvo da 'Coffee Break'

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Empresa de kit de robótica é alvo da Polícia Federal em Piracicaba (SP); Taboão é citada em busca por conta de suspeito ser morador do município - prefeitura não é investigada | PF

A Polícia Federal realizou na quarta-feira (12) uma operação contra suspeitas de fraudes em licitações em cidades paulistas. O homem apontado como líder da organização criminosa teria movimentado R$ 125 milhões em empresa que venceu editais para fornecimento de material didático e kits de robótica. A PF cumpriu seis mandados de prisão. Também executou 50 de busca e apreensão, um em Taboão da Serra, mas, segundo o VERBO apurou, a prefeitura não é alvo.

A investigação federal começou há 2 anos e mira a Life Educacional, que fez negócio com as prefeituras de Sumaré, Limeira, Morungaba e Hortolândia. A empresa, com capital social de R$ 300 mil, passou a vencer uma série de licitações na região de Campinas. Com a quebra de sigilo das contas da Life e do sócio André Mariano, a PF descobriu esquema de superfaturamento de materiais, pagamento de propina a agentes públicos e lavagem de dinheiro via firmas de fachada.

A empresa praticou, em alguns casos, majoração de 35 vezes o preço do mesmo produto adquirido de terceiros. Por exemplo, livros eram vendidos por R$ 60 a R$ 80, enquanto eram comprados por até R$ 5, e ainda depois de formalizado o contrato. As gestões de Sumaré, Hortolândia e Limeira gastaram, respectivamente, R$ 57,6 milhões, R$ 17,9 milhões e R$ 10,7 milhões. “A Life teria lucrado pelo menos R$ 50 milhões com a venda de livros a essas prefeituras”, conclui a PF.

“Geralmente não havia concorrência, e quando havia era simulada”, afirma o delegado da PF Guilherme Alves Siqueira, responsável pelo caso. A Federal diz que ao menos R$ 16 milhões foram enviados para contas pessoais de Mariano e outra parte para “empresas com fortes indícios de serem de fachada, e possivelmente gerenciada por doleiros” – 21 CNPJs diferentes foram identificados. O dinheiro foi usado para adquirir carros de luxo, serviços de blindagem e imóveis.

Parte do dinheiro enviado aos doleiros depois seria sacado por Mariano em espécie. Do valor recebido, sairia a propina paga aos servidores das prefeituras, entre eles o vice-prefeito de Hortolândia, Cafu César (PSB). Ele foi preso, acusado de receber R$ 2,4 milhões para direcionar contratos. O gestor da empresa usava o termo “café” para se referir ao pagamento dos valores ilícitos nas trocas de mensagens obtidas – daí o nome da operação da PF, “Coffee Break”.

Foram presos Mariano, Cafu, o secretário de Educação de Hortolândia, Fernando Moraes, e o ex-secretário de Educação de Sumaré José Aparecido Marin, além de dois suspeitos de atuarem como doleiros, Eduardo Maculan e Abdalla Fares. Apenas Marin não foi detido. A Justiça deferiu também o afastamento de servidores, a proibição de contato com outros investigados, a apreensão de passaportes, quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico e bloqueios de valores.

As ações de busca e apreensão da PF ocorreram em Brasília (3); em Maringá (1), no Paraná; em Campinas (19), Piracicaba (8), Araraquara (3), Presidente Prudente (2), Bauru (1), Sorocaba (1), no interior de São Paulo; e, na região metropolitana, em São Paulo (6), Barueri (5) e em Taboão. Segundo apuração deste portal, Taboão apareceu na lista por conta de que uma pessoa suspeita de integrar o esquema mora no município – não tem relação com a prefeitura da cidade.

Um servidor ouvido pelo VERBO confirmou. Falou que o caso não se refere ao governo atual nem a anteriores. “Não tem nada a ver com a Prefeitura de Taboão da Serra. A empresa investigada nunca teve contrato em nossa prefeitura, nem em gestões passadas”, disse. Não foi possível apurar qual seria o envolvimento do morador. O processo está sob sigilo. Os R$ 125 milhões foram movimentados entre janeiro de 2021 e julho de 2024 – apenas 17% foram para pagar fornecedores.

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