Vereadores de Itapecerica criticam governo Tarcísio por falta de segurança e fazem moção de apelo

Eles cobraram câmeras, mas culparam o Estado por não coibir onda de roubos; deputados e governadores só lembram da cidade de 4 em 4 anos, acusou parlamentar

Especial para o VERBO ONLINE

Presidente Cicero conduz sessão na qual os vereadores discutiram segurança; Val (esq.) disse que deputados e governadores só lembram de Itapecerica na eleição | Reprodução

Vereadores de Itapecerica da Serra aprovaram na terça-feira (7) uma moção de apelo ao governo estadual por mais segurança na cidade devido aos altos índices de roubos, furtos e violência. Eles reclamaram maior efetivo da Polícia Militar, ampliação do patrulhamento com motos e de bases comunitárias, reforço nas operações com outras polícias e investimento em equipamentos e tecnologia. Na sessão, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi duramente criticado.

A vereadora Irmã Rose (União Brasil) iniciou a discussão sobre a falta de segurança em Itapecerica. Em requerimento, pediu ao prefeito Ramon Corsini (União Brasil) que chame os aprovados em concurso para guarda municipal. “Não é viatura e armamento só, precisamos de efetivo”, disse. O vereador Soares, também do partido do prefeito, requereu se existe projeto de videomonitoramento nas principais vias de bairros como Valo Velho, Parque Paraíso, Jacira e Santa Júlia.

“Diante da quantidade de furtos, de roubos em toda a cidade, nós precisamos urgentemente do projeto de videomonitoramento. Sabemos que tem, sim, algumas questões [câmeras] nas regiões centrais, mas na partes periféricas [não], na Comodoro, Santos Dumont, Solimões. O prefeito tem que nos explicar se tem o projeto. Na última gestão, aprovamos ‘x’ por cento do recurso da taxa CIP [iluminação] para empregar no videomonitoramento”, disse Soares.

Dr. Tinho (Republicanos) atestou que a lei sobre destinação de parte da CIP ao sistema de vigilância foi aprovada em segunda votação na atual legislatura e falou que “não sabemos se já tem alguma coisa em andamento”. Giba (PSB) reforçou que a Câmara aprovou “usar um pedaço da verba para o monitoramento”. “Mas até agora nada”, disse, em crítica ao Executivo. Gustavo Mariani (PL) citou que a parte a ser investida em câmeras é de 30%. “É bastante dinheiro”, declarou.

O Estado foi, porém, o principal alvo. “Que fique claro que a nossa Guarda Municipal atua de forma complementar, a responsabilidade pela segurança é total da Polícia Militar”, frisou Dr. Tinho. Val Santos (PL) falou que “a única maneira de minimizar é o monitoramento”. “O efetivo é baixo, tanto da Polícia Militar quanto da GCM. A tendência é ficar pior. A cidade só é lembrada de quatro em quatro anos, pelos deputados e governadores. Só quando precisa do voto”, disparou.

O presidente da Câmara, Cícero Melo (União Brasil), apontou que o déficit de PMs na região é de 80 agentes e considerou o maior problema de segurança em Itapecerica. “[É] um número muito expressivo. Uma das justificativas é que quando contrata [o policial] não permanece na função, pois o risco é alto no combate ao crime”, disse. Ele defendeu a “Operação Delegada”, parceria entre o Estado e prefeituras que convoca policiais de folga a atuarem nos municípios.

“É importante reforçar também a Operação Delegada, que em outras cidades tem resolvido. O que a gente ouve de policiais na cidade é que uma operação como essa contribui para o aumento do efetivo”, disse Cícero. Soares discordou. “O Estado quer que a prefeitura pague. Nós já pagamos nossos guardas para contribuir com a segurança pública. O Estado tem que mandar policial, o governador tem que se virar […] para termos mais patrulha na nossa cidade”, protestou.

Mariani (PL) considerou existir boa intenção da cúpula da PM local em solucionar a insegurança, mas não tem resolvido. “A gente sabe que essas decisões são políticas, não adianta ficar cobrando o comando. Eu deixo aqui a minha observação ao governo Tarcísio de Freitas, ao secretário [de Segurança Guilherme] Derrite: se não tiveram nesses três anos um olhar para Itapecerica da Serra, que ano que vem a gente responda nas urnas. Se não está bom, troca”, criticou.

“Vou fazer questão de quando eu for para a rua pontuar isso, é uma pauta que a gente briga, luta. Aqui, no [governo] municipal, a gente consegue fazer as tratativas, mas com o governo do Estado vê é muito mais difícil. Quando a gente faz reunião, só ouve promessa e desculpa”, enfatizou Mariani. Mesmo queixosos de serem “marcados na rede social” pela população a dar uma resposta à onda de crimes, os vereadores resolveram aprovar apenas uma moção de apelo.

OUTRAS PROPOSIÇÕES
Os parlamentares apreciaram três projetos de lei do Executivo. Aprovaram um que autoriza a prefeitura a firmar convênio com o governo estadual para reforma da Escola Municipal Adalgisa Feijó Nunes, de R$ 377 mil. Votaram a favor de pedido de vista à proposta de convênio com o Estado para aquisição de equipamentos e veículos para a GCM. A solicitação de maior tempo para análise foi feita por Irmã Rose. “Falta um pouquinho de discussão”, ironizou.

Eles rejeitaram o que criava “mais um cargo” (comissionado) no Executivo – de coordenadoria. Do Legislativo, foram aprovados dois projetos, um que proíbe a substituição de placas de inauguração de obras já existentes e realizadas por gestões anteriores, de autoria do Coletivo Parque União Cléo e Jones (SD), e o outro que determina a divulgação mensal, pela Secretaria Municipal de Segurança, dos dados sobre a criminalidade no município, apresentado por Mariani.

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