Sessão da Câmara de Embu-Guaçu é marcada por bate-boca entre vereadores e BO por ameaça

Isaías Coelho, Toninho Valflor e Carlos Tatto tiveram entrevero durante votação de relatório final da CPI sobre irregularidades em licitação de obra apontadas pelo TCE

Especial para o VERBO ONLINE

Toninho Valflor (União Brasil) e Carlos Tatto (PT) na sessão da Câmara de Embu-Guaçu em que se desentenderam; Isaías Coelho (PSD) e Toninho também se atacaram | CMEG

A sessão da Câmara de Embu-Guaçu na última quinta-feira (25) foi marcada por bate-boca e boletim de ocorrência por ameaça. Os vereadores Isaías Coelho (PSD), Toninho Valflor (União Brasil) e Carlos Tatto (PT) trocaram farpas ao votar sobre o relatório final da CEI (Comissão Especial de Inquérito) que investigou irregularidades na licitação – vencida pela empresa Combate Fire – para reformas e adequações de prédios públicos, em 2022 (governo Zé Antônio, MDB).

A CEI (ou CPI) foi aberta após irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado. Apesar do parecer do TCE-SP, Toninho Valflor foi o único a votar contra o relatório final, que apresentou outros indícios de improbidade. Como justificativa do voto, o vereador disse que o serviço tem atendido a população e o valor, de R$ 920 mil, está dentro dos parâmetros de medição de preço. Ele fez ainda questionamentos aos colegas parlamentares, que ficaram visivelmente incomodados.

Toninho Valflor perguntou a David Reis (MDB), relator da CEI, se visitou as instalações para embasar o relatório, e a Douglas da Analice (SD) se viu irregularidades nas obras, como secretário de Obras à época. Os citados reagiram por conta de que o TCE-SP fez apontamentos sobre a licitação, não execução. As obras foram contratadas para tornar os equipamentos aptos a ter o AVCB (auto de vistoria) e o CLCB (certificado de licença), ambos do Corpo de Bombeiros.

A temperatura subiu quando Isaías fez críticas duras a Toninho. Ele classificou o “interrogatório” aos pares como “uma vergonha, um papelão” e disse que iria às suas redes sociais dizer à população que o colega é contra o relatório com uma “narrativa fraca”. Toninho elevou o tom e falou que “Isaías é vereador de rede social” e contra os AVCBs. Ele chegou a citar como exemplo o incêndio na boate Kiss, no Rio Grande do Sul, com 242 mortes. A casa estava com o AVCB vencido.

Carlos Tatto tomou a palavra e criticou Toninho com veemência por “usar aqui a tragédia da boate” gaúcha. “O AVCB estava vencido há seis meses, mas ele quer justificar uma irregularidade só porque o serviço foi feito”, disse. “Então, vamos fazer uma reforma aqui no plenário, presidente. Vamos fazer todo o processo irregular, tudo errado, fora da legalidade que, por exemplo, o senhor [Toninho] defende. Pode ser ilegal as coisas, mas o importante é ter”, ironizou.

Toninho interrompeu o petista e aos gritos o chamou de “moleque”. A sessão foi interrompida. Os gritos seguiram. “Tenho seis [mandatos], mas você não chega no segundo. Você enganou muita gente, mas não vai ganhar mais”, disse. Ele também mirou Isaías, que filmava a reação dele. “Cadê a ponte do Jardim São Paulo, senhor Isaías?”, falou, sobre suposta promessa não cumprida. “Foi lá e amarrou umas fitas. Cadê, acabou o problema? Você é um oportunista”, disparou.

“Olha o decoro”, respondeu Carlos Tatto. Toninho renovou a ofensiva. “Que decoro? Decoro é quem é de outra cidade, dá o endereço daqui e nem mora aqui. Isso é decoro?”, acusou, ao acrescentar que o oponente enganou a Justiça para ser candidato no município. Disse ainda que se Tatto o citasse “vai ouvir na hora, isso se não acontecer coisa pior”. A fala do vereador foi vista como ameaça por Tatto, que após a sessão foi até a delegacia e registrou boletim de ocorrência.

Procurado, Toninho negou que ameaçou Tatto. “Eu [falava]: ‘Seu moleque, você cometeu crime de transferir título para a cidade. E pode acontecer coisa pior’. O que é esse pior? É que vou no Ministério Público, [dizer que] esse cara não mora aqui, mora no endereço tal. [É] a denúncia que eu vou fazer”, disse ao VERBO. Tatto falou que Toninho tem “histórico de agressividade e truculência”. “[Por] eu ser jovem e novo na cidade, tenta me intimar”, declarou à reportagem.

PROJETOS
A Câmara aprovou três proposições enviadas pelo prefeito Francisco Neguinho (Republicanos): o projeto de lei complementar que prorroga o prazo para adesão ao programa de anistia para impostos atrasados (Refis); o que altera a lei sobre objeto, remanejamento de valores e elementos de despesa referentes a emendas positivas; e o que modifica a lei 3.356/2025 com retificação de número de cadastro de área destinada ao Estado para construção de delegacia.

Outros PLs aprovados são de vereadores: que inclui no calendário municipal a confraternização de ciclistas, de Elton Camargo (SD); cria salas sensoriais para autistas, de Marcia Almeida (Podemos); prevê inclusão digital para pessoa idosa, de Maicon Siqueira (União Brasil); que cria programa de recolhimento e reciclagem de óleo de cozinha, de Professor Colle (União Brasil); institui o programa “GCM – Geração Cidadã Melhor”, anti-drogas nas escolas, de Engenheiro Barros (SD).

Os vereadores também aprovaram projeto de resolução que altera dispositivos do regimento interno da Casa para disciplinar o trâmite de projetos, de autoria de Isaías Coelho, e o que muda dispositivos do regimento para disciplinar a tramitação de projetos sobre o Plano Diretor, proposta pela Comissão de Obras, Serviços Públicos e Meio Ambiente. Uma emenda modificativa ao artigo 1º do PL 018/2025, feita por Joãozinho do Cavalo (União Brasil), também foi aprovada.

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