Érica sai do MDB e deixa líderes irritados com governo, mas Daniel contorna crise criada pela vice

Érica ficou no MDB apenas oito meses como vice-prefeita, em vez dos 4 anos, por 'atropelo' de Ney; prefeito prometeu novos apoios ao partido e 'limpou barra dela'

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Após receber Caruso na prefeitura, Engenheiro Daniel, ao lado de Érica, fala com a imprensa sobre a vice ter mudado do aliado MDB; ele 'contornou crise' | Reprodução/SP Repórter

Érica Franquini, vice-prefeita de Taboão da Serra, deixou o MDB e se filiou ao Republicanos, na última segunda-feira (25). Ela ficou no MDB apenas um ano e quatro meses, em uma das estadas mais curtas entre líderes políticos da cidade. Antes, ela teve passagens longas em partidos em que esteve, como PDT, em que ficou quatro anos, e no PSDB, com oito anos de permanência. Em março deste ano, Érica chegou a fazer um grande ato de filiação ao MDB como se fosse “leal”.

Érica assinou a ficha do Republicanos em Brasília, na presença do presidente nacional do partido, Marcos Pereira. Ela foi à capital federal em uma grande comitiva liderada pelo ex-prefeito de Embu das Artes Ney Santos, do partido. Ney é o responsável pela filiação de Érica à nova agremiação. Ele, que busca se eleger deputado federal em 2026, acredita que vai conseguir registrar a candidatura – apesar de várias contas rejeitadas como prefeito – e “puxou” Érica para o projeto.

Ney já se considera eleito e pensa em garantir a vitória também da irmã Ely Santos, como deputada estadual. Segundo o VERBO apurou, ele “atraiu” Érica para o grupo político que controla, no Republicanos, para fazer um trabalho no partido para buscar o voto do eleitorado feminino para a irmã na região, principalmente em Taboão. Na cidade, Ely não decola. Em 2018, teve 9.908 votos em Taboão, 20% do que obteve. Em 2022, proporcionalmente caiu: teve 12.129 ou 13%.

Contudo, segundo interlocutores, ao levar Érica para o Republicanos, Ney também lançou uma cartada a longo prazo: “cercar” Engenheiro Daniel (União) até 2028 – o prefeito integrou a comitiva por outras agendas e, pego de surpresa, só soube da filiação de Érica em saída do MDB em Brasília. Com a vice no partido dele, Ney iria impor “influência” na prefeitura até o fim do mandato de Daniel – o prefeito só tem compromisso político-eleitoral com Ney até o ano que vem.

Independente do “horizonte”, mais do que a investida de Ney, a “obediência” de Érica gerou constrangimento para Daniel, por conta de o prefeito ter o compromisso de o vice ser do MDB. Aliados deram mostra do desconforto. “Acordo tem que ser cumprido. Eu não sei se o acordo era ela ficar oito meses ou quatro anos. Não vou chorar. Ela foi para uma melhor para estar abandonando o MDB”, disparou o vereador Carlinhos do Leme (MDB), durante sessão, na terça (26).

O secretário municipal André Egydio, em entrevista para falar do ingresso no PSB, fez “questão” de comentar sobre o episódio e criticou o ato de Érica ao dizer que o MDB foi usado – no ano passado, ele foi forçado a abrir mão de ser vice de Daniel em favor dela após pressão do próprio Ney. “Pegou de surpresa. Toda ajuda que o MDB fez para ela poder ser vice, inclusive contra a minha vontade [de ocupar a vaga]. O MDB foi uma barriga de aluguel, infelizmente”, disse.

Um interlocutor do Executivo relatou com mais objetividade, porém, a dificuldade criada, ao citar os líderes do MDB estadual e nacional que filiaram Érica com acordo para ser vice de Daniel – decepcionados e irritados. “O [Jorge] Caruso ligou, o Baleia Rossi ligou [para o prefeito], cobrou esse compromisso dele, que ele não podia ter deixado a Érica fazer o que fez”, disse. No governo, entretanto, a avaliação é de que “Ney atropelou”, em aparente gesto de eximir Érica de culpa.

O MDB, porém, entendeu o oposto, sobretudo como ocorreu, sem desejo de diálogo “efetivo” – Érica admitiu que ligou para Caruso só no domingo, a poucas horas de ir para outro partido. Caruso baixou na prefeitura, nesta sexta-feira (29). Mas, hábil, Daniel o “acalmou”. Segundo este portal apurou, ele se comprometeu a conseguir outros apoios para o líder do MDB. Diante do desfecho, um aliado analisou: “Daniel limpou a barra dela, contornou a crise criada pela Érica”.

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