2ª Bienal do Livro de Taboão da Serra, com 280 expositores, tem início e vai até domingo (24)

Evento, na sede da prefeitura, reúne escritores, editoras independentes, agentes literários e demais profissionais do mercado com foco nos autores da periferia

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2ª Bienal do Livro de Taboão da Serra, com quatro dias de programação, que acontece até domingo, na sede da prefeitura, em celebração da diversidade e inclusão | Divulgação

A 2ª Bienal do Livro de Taboão da Serra teve início nesta quinta-feira (21), com escritores de todas as regiões do Brasil. Reconhecido como o maior acontecimento literário da região sudoeste da Grande São Paulo, a bienal reúne 280 expositores, entre escritores, editoras independentes, agentes literários e demais profissionais do livro. O evento acontece de 21 a 23 de agosto (quinta a sábado), das 10h às 20h, e domingo (24), das 8h às 14h, na prefeitura – entrada gratuita.

Durante os quatro dias, o público terá lançamentos, saraus, debates, palestras e oficinas, movimentando toda a cadeia produtiva do livro e reforçando a democratização da leitura. A 2ª Bienal de Taboão busca ampliar espaço para escritores da periferia, que trazem narrativas e perspectivas únicas sobre as realidades urbanas e as transformações culturais contemporâneas. Visa promover a diversidade e fortalecer a representatividade, geográfica e social, trazendo novas vozes.

“É essencial descentralizar a cultura e levar bienais às periferias, dando voz e visibilidade a poetas e artistas urbanos frequentemente silenciados. A literatura é um instrumento poderoso que resgata a autoestima e abre portais para novos horizontes”, diz a idealizadora e curadora Iracy Coutinho. A curadoria avaliou 550 inscrições de expositores e focou autores independentes e periféricos, fomentando diálogo entre vozes emergentes e nomes consagrados do mercado.

Entre os quase 300 expositores selecionados, está Vinicius Silvério Serafim dos Santos (Vs Marabá), de 25 anos, que estreia em uma bienal com um livro de poesias que a narra a própria trajetória de superação: “Válvula de Escape” (Selo Aula Viva). “O hip hop teve um papel de alicerce para que eu pudesse vencer a depressão e construir minha carreira como escritor e produtor cultural”, diz. O pai dele virá do Rio de Janeiro exclusivamente para prestigiar o lançamento.

Além de talentos emergentes, a bienal reúne artistas consagrados, entre eles a escritora e multiartista Ju Cassou Aruã, vencedora do Prêmio Jabuti 2023 pelo álbum biográfico “Guerreiras da Ancestralidade” (em parceria com o coletivo Mulherio das Letras Indígenas). Agora, no evento literário na periferia da maior metrópole do país, ela apresenta o novo livro “Mborai”, que reúne partituras de cantos sagrados Guarani, celebrando a riqueza da tradição ancestral.

Também na bienal de Taboão, a escritora Zuleica Tani lança o livro “A Boneca que Mudou o Tempo: Emília e sua Visão do Século XXI”. Voltado ao público adulto, a obra faz uma releitura da icônica boneca do Sítio do Picapau Amarelo sob a ótica dos desafios, valores e transformações da época atual. Com 18 livros lançados, dos quais cinco solo, a escritora conta com orgulho que é tataraneta de um dos maiores escritores da literatura infantil brasileira: Monteiro Lobato.

Entre os nomes locais, participam o autor de poemas e historinhas infantis rimadas J. B. Romani, radicado em Cotia, e o jornalista e escritor Paulo Silveira, de Itapecerica da Serra, que lança o livro “A Cidade das Mulheres”. “É uma trilogia. A história se passa numa cidade do interior, governada por mulheres: prefeita, presidente da Câmara, delegada de polícia. Um jovem paulistano muda para lá e se envolve com as questões políticas e pessoais dos moradores”, disse ao VERBO.

A bienal conta ainda com o artista de Cachoeiro de Itapemirim (ES) mais taboanense do país -, por vir à cidade com frequência a convite para mostrar a sua obra -, o cartunista e ilustrador Ricardo Ferraz, com traços pró-inclusão da pessoa com deficiência e contra o preconceito. O evento foi idealizado para ser acessível, com sanitários adaptados, cadeiras de rodas disponíveis, sinalização em braille, intérprete de Libras e apoio especializado a pessoas com deficiência.

A preocupação com a acessibilidade visa assegurar a participação integral de todos na programação, diz Iracy, ela própria pessoa com deficiência física, vítima de poliomielite aos 9 anos de idade e ativista da causa. Na bienal, ela vai lançar o livro “A Princesa do Dandá”. No último dia, domingo, palco e microfone serão liberados para batalhas de poesia e performances de MCs, celebrando o slam e o hip hop como expressões culturais e instrumentos de transformação social.

SERVIÇO
2ª Bienal do Livro de Taboão da Serra
De 21 a 24 de agosto
De quinta a sábado, das 10h às 20h, e no domingo, das 8h às 14h
Na sede da Prefeitura de Taboão da Serra (rua Pedro Mari, 80 – Parque Assunção/Centro)
Entrada gratuita com ingresso no site: https://bienaldotaboao.com.br/
Estacionamento gratuito
Praça de alimentação no local
Acessibilidade

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