A Câmara de Vereadores aprovou na sessão nesta terça-feira (5) projeto de lei de autoria do prefeito Engenheiro Daniel (União) que determina que a ex-rodovia Régis Bittencourt passe a se chamar avenida Taboão da Serra, e não mais Aprígio Bezerra da Silva. No texto, Daniel justificou que a denominação com que o trecho municipalizado da ex-BR-116 – de 6,5 quilômetros – foi batizada era indevida e que a maioria da população opinou pela alteração da nomenclatura.
No ano passado, o então prefeito Aprígio (Podemos) batizou a via como avenida Aprígio Bezerra da Silva, em homenagem ao próprio pai. Primeiro, ele pôs o nome por decreto, em 27 de fevereiro, sem passar pela Câmara, ao enfrentar resistência da base aliada. Após “persuadir” os vereadores, ele enviou projeto de lei ao Legislativo e teve a aprovação em 5 de março. Os vereadores demonstraram, porém, não estar interessados em debater a legalidade do nome.
Ronaldo Onishi chegou a errar o nome do pai de Aprígio duas vezes. “[O metrô será] às margens da avenida… José Bezerra da Silva? Como é que é?”, disse. E chamou a via de “Aprígio José Bezerra da Silva”. Depois, só o então presidente André Egydio tocou no tema, disse que a aprovação do nome era “compromisso que tínhamos com o prefeito” e elogiou. “Parabéns ao Aprígio, que homenageou o pai dele. [Aos] Nossos ancestrais, temos que dar sempre essa homenagem”, disse.
Em maio deste ano, a promotora Leticia Rosa Ravacci (Ministério Público) recomendou a mudança ao apontar “potencial confusão entre a figura do agente político e o nome da via” e alegar que homenagear o pai do então prefeito configurava “desvio de finalidade e autopromoção velada”. No projeto de lei, Daniel justifica “que a denominação de tal trecho através da lei municipal 2474/2024 não atendeu os princípios que norteiam a administração pública”.
Como segunda justificativa, Daniel disse que “foi auferida a vontade popular, através de consulta pública, que a denominação da referida extensão deve ser alterada para avenida Taboão da Serra”. Ele se referiu à votação online promovida pela prefeitura por quase dois meses – que tratou ainda sobre a municipalização e os cruzamentos com semáforos implantados. O governo encerrou a consulta em 14 de julho, mas até agora não divulgou os resultados oficialmente.
No entanto, apenas um fato já teria sido suficiente para vedar de início o nome dado. A denominação já existia como avenida. Aprígio Bezerra da Silva é a avenida paralela à ex-BR-116 na altura do antigo km 271 que dá acesso aos condomínios da cooperativa criada por Aprígio. Para justificar a escolha do nome do pai, pela segunda vez, o então prefeito se utilizou da manobra de que o trecho municipalizado era “prolongamento natural da Avenida Aprígio Bezerra da Silva”.
Um dia após pôr o nome do pai na via por decreto, em 28 de fevereiro de 2024, em entrevista ao portal Kinté Notícias, Aprígio admitiu que o logradouro já existia. “[O nome] Não é novidade nenhuma porque a avenida Aprígio Bezerra da Silva já existe há mais de dez anos. É uma lateral aqui da [avenida] José Dini. Agora só estamos prolongando. A avenida já existe, paralela à antiga rodovia, e agora só estamos complementando a rodovia”, declarou. A avenida foi criada em 2006.
Mesmo com o nome irregular, já na votação do projeto de lei, os vereadores aprovaram a denominação – Alex Bodinho, Anderson Nóbrega, Carlinhos do Leme, Onishi, Enfermeiro Rodney, Celso Gallo, Joice Silva, Nezito, Luzia Aprígio e Marcos Paulo, além de Egydio. Curiosamente, após virar oposição, Marcos Paulo passou a ser contra o ato e hoje é o secretário de Mobilidade do governo Daniel. Apenas Sandro Ayres e Érica Franquini, que já eram oposição, votaram contra.





