Um homem de 63 anos internado em uma clínica de reabilitação em Itapecerica da Serra que estava desaparecido foi encontrado morto em área externa da instituição – nos fundos -, nesta quinta-feira (26). Robson de Carvalho Costa não era visto desde o dia 12, depois de deixar a Associação Renovar Vidas, no bairro Itaquaciara, na qual se tratava de dependência química. Ele iniciou o tratamento no dia 17 de maio e receberia a primeira visita de familiares no último dia 15.
Os responsáveis pela clínica contaram aos familiares de Robson que o idoso havia fugido na companhia de um outro paciente, de 23 anos, o qual tinha retornado para a casa da namorada. Segundo o boletim de ocorrência eletrônica que registraram, eles relataram que o internado deixou a instituição durante momento de descanso. Segundo ainda o relato, os funcionários notaram a ausência de Robson no horário do café, ao perceberem que uma porta dos fundos estava aberta.
Com a família chamada, as buscas por Robson foram realizadas ainda naquela noite. Familiares do outro paciente confirmaram aos responsáveis pela clínica que os dois saíram juntos, mas teriam se separado próximo a uma linha férrea com destino a Santos (litoral), onde o idoso morava. Em um complemento ao BO, a associação disse ser uma unidade terapêutica de tratamento voluntário, ou seja, os pacientes têm liberdade de sair, não são obrigados a ficar no local.
Familiares de Robson chegaram a fazer buscas por conta própria – ligaram para hospitais e inclusive foram ao IML da região, em Taboão da Serra, na tentativa de descobrir o paradeiro dele. A filha de Robson, Lucimeire Costa, contou ter cobrado por várias vezes respostas do responsável pela clínica, identificado como Marcio Ribeiro da Silva. O corpo do idoso foi encontrado por um funcionário. O empregado foi ao almoxarifado do local, quando viu o cadáver dentro de um córrego.
Segundo policiais militares que atenderam a ocorrência, o corpo estava a uma distância curta do centro de recuperação, de cerca de cinco metros. A filha de Robson passou a suspeitar da clínica e questionou a conduta de Silva. “E ontem, de forma misteriosa, ele mesmo liga para minha mãe para dizer que o corpo já havia sido encontrado, que o corpo foi encontrado dentro da clínica dele, na parte de trás. Área de fácil acesso”, diz Lucimeire, 43, em um áudio.
“A gente quer resposta, quer entender por que em todo momento ele disse que não precisava de busca na mata. Ele disse que o menino retirou meu pai da clínica e que ele estava perdido por aí”, protesta ela. A ONG afirmou que “nossas buscas não foram bem-sucedidas em razão do local de difícil acesso e da divergência nas informações fornecidas, especialmente pelo áudio do acolhido de 23 anos que indicava um ponto distante da área onde o corpo foi localizado”.
A instituição disse ter todas as licenças exigidas por elei e que falava com familiares. “Todos os fatos aqui relatados estão documentados por meio de registros fotográficos, boletins de ocorrência e arquivos de áudio. Desde o desaparecimento, em 12 de junho, mantemos acompanhamento constante e comunicação direta com a família”, acrescenta. Os policiais disseram não ter identificado ferimentos aparentes no corpo – que já estava em estado de decomposição.





