GCM convidada para assumir Ouvidoria por Aprígio é ‘fritada’ após ‘denúncia’ de ex-secretário

Eliana não será mais ouvidora supostamente por 'não ter faculdade'; Falcão acusou 'cogitada' para o cargo de 'falsificação de assinatura e complacência com milícia'

Especial para o VERBO ONLINE

Ex-subscretária Eliana com Aprígio ao ser convidada para assumir Ouvidoria pelo prefeito publicamente; após 'alarde' de ex-secretário, ela não ocupará mais o cargo | Divulgação

A ex-secretária-executiva (antiga adjunta) de Segurança de Taboão da Serra Eliana Gonçalves Ribeiro não será mais ouvidora-geral do município. Como previsto em lei (LC 108/2005, art. 4º), para ocupar o cargo, ela precisaria ter a nomeação aprovada pelos vereadores, mas antes mesmo de passar por sabatina na Câmara teve a indicação revogada pelo governo Aprígio (Podemos). Eliana não preencheria pelo menos um dos requisitos necessários para assumir o posto.

Eliana, que é guarda civil municipal de Taboão, foi exonerada como secretária-executiva após a nomeação da delegada Michele Santana como secretária de Segurança. A GCM estava à frente da pasta interinamente – desde a exoneração do delegado Rodrigo Falcão, que foi demitido em 19 de outubro do ano passado após ser flagrado ao dar um soco no rosto de uma mulher, na praça central de Taboão. Com a escolha da nova titular da secretaria, Eliana perdeu o cargo.

Eliana foi indicada para a Ouvidoria pelo prefeito publicamente. No próprio ato em que assinou a portaria de Michele para chefiar a Segurança, no último dia 20, Aprígio fez o convite. Ela teria sido surpreendida. “Preciso de você na nossa Ouvidoria. Se você topar, já peço ao presidente da Câmara, Dr. André da Sorriso, e aos vereadores para que marquem a sabatina na Câmara, já que precisa ser aprovado. Aceita o convite?”, disse Aprígio, relata o “Taboão em Foco”.

“Quero agradecer a confiança que o prefeito me concedeu por segurar a pasta de Segurança nesse determinado tempo. Foi muito engrandecedor. Espero ter feito um bom trabalho e aceito, sim”, disse Eliana. Ela – que no início do governo tinha sido comandante da Guarda – ficou seis meses como secretária. Eliana era, porém, considerada inexpressiva. “Comando fraco. Secretária-executiva sem representatividade operacional e política”, disse um GCM ao VERBO.

Eliana como ouvidora foi visto na GCM como “desprestígio”, pela indicação em área “estranha”, fora da segurança. No entanto, acabou que nem teve a nomeação confirmada. Segundo um interlocutor dos vereadores ouvido pela reportagem, ela não reuniria a principal condição para o cargo. “Ela não tem todos os requisitos. Ela não teria faculdade”, disse. A nova reestruturação administrativa aprovada em janeiro diz que a escolaridade exigida é ensino superior completo.

O governo Aprígio ficou, porém, em “saia justa” ao ser exposto sobre a suposta manobra. Na quarta-feira (26), o ex-secretário Falcão foi à Câmara para fazer, conforme definiu, uma “grave denúncia contra a pessoa que está sendo cogitada para ser ouvidora”. “Denúncia muito grave: falsificação de assinatura, complacência com atos… quase formando uma milícia aqui… É uma pessoa que não pode auferir um cargo tão importante como ouvidora”, disse ao chegar ao Legislativo.

Ao citar milícia, Falcão mencionou a Corregedoria da Guarda (órgão que investiga a conduta de GCMs), em indicação de se referir a Eliana, única cogitada para ouvidora. Contudo, na visão de membros do governo ouvidos pela reportagem, o ex-secretário reagiu contra o Executivo, contrário ao desligamento de Eliana da subsecretaria – ele que tinha designado a GCM ao posto. Aliados de Aprígio levantaram a suspeita de que Falcão se beneficiaria com Eliana no cargo.

OUTRO LADO
Contatada por este portal, a GCM Eliana não respondeu. Indagado a esclarecer sobre a denúncia, Falcão não quis e preferiu atacar este repórter com falas caluniosas, como quando secretário. Ele ainda fez ilação sobre falso crime contra um assessor da Câmara – na Casa, ele não falou com o presidente, que estava em agenda externa. Um GCM chamou a atenção de que Falcão e Eliana “trabalharam mais de 15 anos juntos” na 1ª Delegacia de Taboão, sobre a longa “parceria”.

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