Armários com material pedagógico caem em escola de Taboão e põem alunos com deficiência em risco

Os móveis e as caixas foram ao chão na sala de atendimento educacional especializado - 'acidente devido a mudança sem planejamento', diz educadora

Especial para o VERBO ONLINE

Armários com caixas de material de apoio pedagógico caem em 'sala de atendimento educacional especializado' da Emef Edson Mambelli, no Jd. das Oliveiras | Divulgação

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra

Armários com grande quantidade de material de apoio pedagógico se desprenderam da parede e caíram em uma sala de uma escola municipal de ensino fundamental de Taboão da Serra, a Emef Edson Mambelli, no Jardim das Oliveiras (região do Marabá), na quinta-feira da semana passada (8). Ninguém ficou ferido. Mas os móveis e as dezenas de jogos poderiam ter machucado crianças que precisam de cuidado maior, além de educadores.

Os armários e as caixas foram ao chão na sala de atendimento educacional especializado, que recebe alunos com deficiência, que correram risco. “Poderiam ter ferido as crianças especiais e professores também”, diz uma educadora da escola, ouvida pelo VERBO. Não é o primeiro acidente grave que ocorre na Edson Mambelli. Na unidade uma lousa caiu sobre uma professora durante aula, em junho deste ano. Ela teve trauma em um ombro.

Curiosamente, os armários que caíram estavam antes onde a lousa despencou sobre a professora. A diretora da escola, Francione de Souza Santos, é apontada como responsável. “Mais um acidente devido a mudança da sala feita sem planejamento. Ela que tirou os armários e colocou em outra sem abrir chamado na Secretaria de Educação”, diz a educadora. Ela falou o que seria o procedimento. “Pedir para alguém capacitado colocar”, adverte.

Os problemas na Edson Mambelli estariam longe de ser pontuais. Na volta do recesso em agosto, após a pintura na escola, a diretora não verificou se tudo estava no lugar. “Os professores voltaram sem extintores no local adequando, correndo riscos. Ela pediu para alguém colocar em vez de chamar a equipe de manutenção. Um quase caiu em cima de um aluno do 1º ano. Sorte que a criança conseguiu desviar, e somente foi um susto”, conta.

A secretaria – chefiada por Dirce Takano e equipe – é considerada “relapsa” na supervisão. O caso da professora que teve o ombro machucado na queda da lousa – e foi obrigada a fazer uma série de exames – é visto como emblemático. “Eles não fizeram nada até hoje. Você acha que eles vão se importar com outras coisas que caíram? Extintor já quase caiu em aluno, já teve aluno que quebrou dois dentes da frente porque não tinha luz [na sala]”, lista.

Francione assumiu como diretora da Edson Mambelli no ano passado, nomeada pelo prefeito Aprígio (Podemos). Segundo este portal apurou, ela foi indicada ao cargo pelo candidato a vereador em 2020 derrotado Tamanaka (PSD) – que não foi localizado. “Ela não teria competência para estar em outro [governo]”, critica a educadora. Questionada sobre a queda dos armários na sala que atende alunos com deficiência, Francione não respondeu.

O “descaso” com a segurança se torna um problema maior com uma nova instrução normativa imposta pela gestão Aprígio. “Agora, os professores não podem adoecer e ficar afastados por mais de 60 dias [senão têm zero na avaliação ou perdem sala]. Dada tamanha incompetência e negligência, esse prazo deve ser revisto para os funcionários que estão na iminência de um acidente igual ou mais grave dos que já ocorreram”, critica a educadora.

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