Com discurso ‘dissimulado’ após ter apoiado fechamento, Ney reabre PS Vazame

Especial para o VERBO ONLINE

Ney posa com cheque para hospital leito que levou à desativação do PS Vazame, em 2015; agora em 'guerra' com Chico, afirmou que ex-prefeito fechou PS | Verbo

ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

O prefeito Ney Santos (Republicanos) – cassado, mas reconduzido ao cargo por força de liminar de um ministro do Supremo Tribunal Federal – reabriu o Pronto-Socorro do Vazame no sábado (10), ao afirmar que o PS “foi fechado pela administração anterior de forma irresponsável”. Mas Ney aposta no esquecimento da população, por conta de que apoiou o fechamento da unidade de urgência e emergência na periferia de Embu das Artes, há quase sete anos.

Ney deu o nome do pai ao PS, com uma denominação vista para chamar atenção. “Entregamos o Complexo Municipal de Saúde Aurelino Santos Sr. Nego, no Vazame. Um centro de saúde completo e totalmente equipado com Pronto-Socorro, Centro de Referência em Saúde e Ambulatório de Feridas Complexas, além de equipamentos modernos como tomógrafo computadorizado 3D, mamografia, ultrassom de última geração, raio-X digital”, publicou.

“O local que antes era conhecido como açougue e foi fechado pela administração anterior de forma irresponsável, agora está de cara nova para trazer dignidade a nossa população. Fico feliz por cumprir mais um compromisso firmado com a nossa população, além de poder homenagear o meu amado pai, que infelizmente faleceu justamente nesse local!”, afirmou Ney. Inaugurado em 2004 (governo Geraldo Cruz), o PS deu lugar ao Hospital Leito, em 2015.

O então prefeito Chico Brito (à época PT) desativou o PS logo após inaugurar a UPA Santo Eduardo, na mesma região, a 2 quilômetros de distância. Ele justificou que a UPA ia se tornar o PS da região e o hospital leito ia receber somente pacientes que precisassem ficar internados após atendidos na UPA. “É uma reorganização […]. Nós fizemos algo extremamento pensado”, afirmou Chico, em janeiro de 2016, como noticiou o VERBO, que acompanhou o processo.

No entanto, moradores não aceitaram e no início de 2016 protestaram contra a desativação diante do já antigo PS, ao entenderem que a decisão de abrir a UPA, mas fechar o PS era trocar “seis por meia dúzia”. Eles reivindicavam dois PSs na região contra a alta demanda de pacientes. Chico admitiu depois ter prometido na campanha em 2012 a construção do terceiro pronto-socorro na cidade, mas alegou não poder reativar o PS Vazame por falta de recurso.

Com a volta da sessão após o recesso parlamentar, moradores foram até a Câmara protestar pela reativação do pronto-socorro e cobrar apoio dos vereadores à causa – abriram no plenário a faixa “Queremos a reabertura do PS Vazame”. Ney, então presidente do Legislativo – e pré-candidato a prefeito -, com a pressão, disse ser contrário ao fechamento do PS, mas foi acusado de fazer discurso vazio e de ser dissimulado por lideranças do movimento.

“Ele está se aproveitando do movimento, apesar de falar que é eleitoreiro. Agora, todos os vereadores são livres para participar, tivemos dois atos até agora, mas eles não participaram de nenhum. Aí, fomos à Câmara, lá ele falou que é a favor e contou de novo aquela história do pai [que morreu no PS]. Ele tem é que participar, todos os vereadores têm que participar para poder falar”, disse o morador Geraldo Lima, do movimento, a este portal na ocasião.

Lima reagiu ainda sobre o hoje prefeito dizer que os integrantes do movimento eram “politiqueiros” ao cobrar a reabertura do PS e disse quem gosta de se promover é Ney. “Ele usou o pessoal de Mariana [tragédia da barragem em Minas Gerais], usou a comunidade, arrecadou não sei quantas toneladas de água, enfiou num caminhão, foi lá para Mariana, fez fotos e vídeo e postou em todo lugar. Nunca vi alguém se autopromover desse jeito”, falou.

Curiosamente, apesar de dizer ser contra fechar o PS, Ney alardeou no fim de 2015, dois meses antes, devolução de recurso do Legislativo para a prefeitura até com destino dos supostos R$ 123 mil economizados. Ele indicou o recurso justamente para o hospital leito, que levou à desativação do PS – até posou com reprodução de cheque gigante com o nome do novo equipamento. Na época, Ney e Chico se aliaram, e Ney tentou capitalizar a iniciativa do aliado.

Naquela sessão, Ney chegou a se irritar com moradores. “Quem sou eu para fechar o pronto-socorro, meu amigo? Primeiro, não sou prefeito. Meu pai morreu naquele pronto-socorro, quem conhece minha história sabe que sou um defensor da saúde”, disse. Mas ele defendeu o hospital leito ao dizer que “as pessoas que estão criticando” deviam visitar o local para “entenderem o que está sendo feito lá”. Mas, hoje, Ney está em “guerra” declarada com Chico.

A reportagem esteve no PS logo depois da inauguração, no sábado – o “complexo” começou a atender seis horas após o ato, às 16h. Conhecido como “prefeito das reformas” (que não constrói nenhum equipamento novo, na saúde ou em qualquer outra área), em “opção” suspeita, Ney reformou o prédio às pressas. No último dia 23, trabalhadores começavam a pintar a parte externa. Irmã do prefeito, Ely Santos (Republicanos) é candidata a deputada federal.

RELEMBRE Após indicar hospital leito, Ney agora diz ser contra fechamento do PS Vazame

POSTAGEM EM QUE NEY COMEMORA REABERTURA DE PS E ATACA CHICO PELO FECHAMENTO, QUE APOIOU

Imagem: Instagram de Ney Santos


comentários

>