Em 2014, durante ‘talk show’, Jô Soares expôs o apologista do estupro Renato Oliveira

Especial para o VERBO ONLINE

Em 2014, Renato levanta o braço para dizer que gritou 'Viva Bolsonaro' e apoia fala de apologia do então deputado ao estupro, e Jô Soares reprova | Reprodução

ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

Além de contribuir com a cidadania e o respeito à dignidade humana no Brasil com entrevistas inteligentes, sensíveis e esclarecedoras, Jô Soares como que prestou um serviço particular à região (sem saber) ao expor um apologista do estupro – e antever um “delinquente-político” que despontava -, Renato Oliveira (MDB). Em 2014, o apresentador (criador do “talk show” no país) que morreu nesta sexta-feira (5) se revoltou com o hoje vereador de Embu das Artes.

Durante a mesa-redonda “Meninas do Jô” (jornalistas de política como convidadas) em 17 de dezembro daquele ano, o apresentador pôs em debate um discurso do então deputado federal Jair Bolsonaro (à epoca do PP) na Câmara dos Deputados para a colega Maria do Rosário (PT). “A frase é uma coisa tão louca que parece ficção”, antecipou Jô, para chamar o vídeo sobre a fala. “Eu falei que não estuprava porque você não merece [não vale a pena]”, disse Bolsonaro.

Após a imagem exibida, com o apresentador ainda perplexo pela fala do deputado, um grito surgiu na plateia: “Viva Bolsonaro!”. Conhecido pela alegria não apenas como humorista, mas como entrevistador, Jô fechou o semblante, virou-se para o público que assistia no estúdio e condenou a manifestação. “Quem gritou esse absurdo?”, disse. Com a revolta do comunicador, um silêncio se seguiu entre os espectadores. “Fala, só para eu saber”, continuou Jô.

No fundo do auditório, após hesitar diante da reprovação da maioria da plateia ao grito de apoio ao político, um rapaz levantou o braço para assumir que tinha feito a espécie de saudação. Ele foi logo tentando se explicar. “Mas eu entendi o que ele quis dizer”, disse. “O que ele quis dizer?”, questionou Jô. Após mudar de assunto, o espectador disse que “ele [Bolsonaro] não quis fazer apologia ao estupro”. “Acredito que tem um contexto na fala dele”, apelou.

As jornalistas rejeitaram o comentário. Jô, sem perder a elegância, riu e fez coro às convidadas. “Olha, eu já ouvi muita bobagem na minha vida. Mas essa supera a do Bolsonaro”, falou, em misto de revolta e ironia. Diante dos aplausos do público à reação do apresentador, o rapaz passou a rir, constrangido, e teve de bater palmas. “Isso é um absurdo”, disse Jô, sobre a fala de Bolsonaro ser injustificável. O apoiador na plateia do hoje presidente era Renato.

Apenas dois anos depois, em 2016, à época assessor na Câmara de Embu do hoje prefeito e mentor político Ney Santos, então presidente da Casa, Renato, sentado, agarrou a perna de uma jovem, em pé, e com o rosto próximo aos seios da garota, disse: “Essa é a verdadeira cultura do estupro”. A assediada era menor de idade. Em 2017, tentou matar Gabriel Binho ao derrubar o chargista e repórter de moto na rodovia Régis Bittencourt durante a madrugada.

Nos casos mais recentes de “delinquência”, Renato, em fevereiro de 2021, já vereador e presidente da Câmara, chamou uma médica de “vagabunda” e “puta” em hospital em Santa Catarina. E em janeiro deste ano falou para um funcionário em condomínio no Rio de Janeiro que “negro fede”, segundo testemunhas. Ele viu aliados enterrarem o pedido para ser cassado, mas virou réu por injúria racial e resistência à prisão, denunciado pelo Ministério Público.

RENATO APOIA BOLSONARO EM FALA SOBRE ESTUPRO E JÔ REPROVA; EM 2016, FAZ APOLOGIA AO ABUSO

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