ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra
A empresa responsável pelo concurso público para professor de educação básica (PEB I) de Taboão da Serra – 120 vagas – divulgou o resultado parcial da prova, na última terça-feira (19). De acordo com a Associação Brasileira de Concursos Públicos (ABCP), dos 8.844 candidatos, 2.167 foram aprovados, 5.364 reprovados e 68, eliminados. Outros 1.245 não compareceram. O grande número de ausentes (dez vezes o de vagas) seria explicado pelo local do exame.
Os professores passaram sufoco para fazer a prova, no dia 10, marcada pela desorganização, com aglomeração de quase 8 mil pessoas, atraso na realização, pessoal insuficiente para aplicar, falta de distanciamento nas salas apesar da covid-19. A dificuldade começou, porém, pelo local escolhido para o exame, em outra cidade, fora da região, em Osasco, 25 km distante. O deslocamento de mais de duas horas de ônibus gerou protestos entre os candidatos.
“Absurdo. Concurso de Taboão da Serra ser realizado em outro município. Sugiro cancelamento desta prova e que seja realizada outra, mas em Taboão”, reclamou Katia Cilene, que promete ir à Justiça. Ao blog “Bar & Lanches Taboão”, Alice Silvino lembrou a dificuldade de quem, para ir a Osasco, depende de transporte coletivo, que aos domingos opera com frota extremamente reduzida. “Verdadeiramente, foi um absurdo o que passamos”, disse.
No edital de abertura do concurso, a cláusula 1.4 diz que “todas as etapas presenciais serão realizadas no município de Taboão da Serra-SP. Caso o número de candidatos exceda a oferta de locais suficientes ou adequados […] essas [etapas] poderão ser realizadas em cidades próximas”. O governo Aprígio (Podemos), que formulou o ato oficial de realização do certame, não esclareceu a partir de qual número seria considerado “excesso” de candidatos.
O jornalista David da Silva, do blog, demonstrou que a prova podia ter ocorrido no município. “Taboão não tem estrutura? Claro que tem. Na Fecaf estudam 3.693 pessoas. Na Anhanguera Taboão, 4 mil. Ao lado da prefeitura tem o [colégio] Wandyck [de Freitas], que tem 605 cadeiras. Um pouco à frente tem a Domingos Mignoni com 779 vagas. Aprígio tinha em mãos 9.077 cadeiras e mesas para o pessoal fazer a prova”, disse, no programa “Roda de Fogo”.
“A taxa de aprovação foi de 24,5%, quando normalmente é em torno de 40% – são professores, pessoal acostumado a fazer prova. Por que foi tão ruim? E o componente de estresse, de a pessoa ter de se deslocar, o medo de se contaminar? Tivemos 5.364 pessoas reprovadas. Quantas delas não foram afetadas pela distância e a verdadeira bangunça – cada sala começou em um horário, professora querendo usar o banheiro e não podia”, completou David.
Além do lugar longe, a contratada aplicou a prova em apenas um local, a mesma faculdade Anhanguera, em único período. Alvo de avalanche de críticas, o governo Aprígio se esquivou. “Uma pena que a empresa responsável, que foi licitada para realizar, não distribuiu em outros locais para ter um conforto e acomodação melhor de todos”, disse em rede social Oderlan Souza, assessor da secretária de Educação, Dirce Takano. Questionado, ele não respondeu.
VEJA EDITAL ELABORADO PELO GOVERNO APRÍGIO QUE PERMITIU QUE EMPRESA APLICASSE PROVA LONGE






