ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra
O Núcleo de Cuidados para Pessoas Trans e Travestis de Taboão da Serra (NUCPTT) já atende 24 pessoas. Criado em abril pela prefeitura, presta atendimento no primeiro e terceiro sábado do mês, das 7h às 12h, no Centro de Especialidades Médicas (centro). O núcleo busca consolidar as ações afirmativas em prol da população LGBTQIA+, por exemplo, com palestras nas UBSs para capacitação dos profissionais para atendimento e encaminhado ao serviço.
A equipe do núcleo é composta por psicólogo, psiquiatra, assistente social, endocrinologista e fonoaudióloga. Para ser atendido, é preciso comparecer à UBS perto de casa e preencher a ficha para encaminhamento. O atendimento é agendado por telefone. O serviço tem capacidade para receber até 15 pessoas por sábado, quando ocorrem os atendimentos especializados, acolhimentos, avaliação sobre vulnerabilidades sociais e troca de informações.
O núcleo entrega medicação para terapia hormonal em vínculo com a UBS de referência, em promoção da saúde integral dos pacientes. Dos 24 atendidos, 18 já retiram os medicamentos. Os outros seis, por enquanto, só fazem acompanhamento. “Através do núcleo, a equipe ‘encurta’ caminhos para acesso à saúde. Antes quem é LGBTQIA+ tinha que aguardar muito, porque as pessoas não tinham informação”, afirma a coordenadora Bruna Soares.
O núcleo também faz visitas técnicas a outros órgãos e entidades que atendem LGBTQIA+, para trocar experiências para construção de políticas públicas, como a que aconteceu no dia 11. Acompanhada por técnicos da Coordenadoria da Diversidade Sexual de Taboão, Bruna esteve na Casa Neon Cunha, organização não-governamental que presta atendimento a LGBTQIA+ em São Bernardo do Campo e grande ABC, do fundador e presidente Paulo Araújo.
“Essa troca de experiência foi enriquecedora com fortalecimento de vínculos que dão vozes à comunidade que vem lutando por seu espaço de direito em meio social e cultural. Estimamos por mais locais que tragam a mulher e o homem transexuais e travestis para ocuparem seus lugares de direito”, comenta Bruna. Em maio, ela visitou o Núcleo de Atendimento às Pessoas Trans de Cotia (Grande SP), recebida pela responsável, a vice-prefeita Ângela Maluf (PV).
Bruna ressalta a importância do serviço em Taboão. “Em nosso país é bem complicado ser LGBTQIA+, em que a expectativa de vida de uma mulher trans é de 35 anos. Então, ser uma mulher trans e estar nessa condição [ser coordenadora] está sendo muito gratificante. […] Hoje o núcleo fornece informação, oferece atendimento e sabemos quem procurar, para onde encaminhar. Então, estamos encurtando processos para os que estão chegando”, destaca.





