ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes
Após uma série de “manobras” executadas ou arquitetadas pelo prefeito Ney Santos (Republicanos), o presidente da Câmara de Embu das Artes, Renato Oliveira (MDB) – “pupilo” de Ney -, conseguiu se safar da cassação por quebra de decoro por injúria racial, peculato e desacato. A Comissão de Ética da Casa “enterrou” o processo ao arquivar as duas representações contra Renato, “estrategicamente” durante o recesso, sem sessão, para evitar a pressão popular.
Renato foi indiciado por injúria racial, segundo testemunhas, por falar para um funcionário de condomínio no Rio de Janeiro que “negro fede”, após perturbar moradores com som alto, além de mais três crimes, ao resistir à prisão, em janeiro. Depois, câmera de segurança mostrou que Renato foi ao Rio de carro oficial. Antes, em 2021, ao procurar um hospital público em Balneário Camboriú (SC), ele, bêbado, chamou a médica que o atendeu de “vagabunda” e “puta”.
O VERBO obteve a ata da reunião da comissão – ocorrida na quinta-feira (14) – que arquivou as representações contra Renato. A comissão, presidida por Gideon Santos (Republicanos), decidiu “livrar” Renato da perda de mandato com base no “exposto pelo relatório elaborado [por Gideon] no tocante à inexistência de provas ou testemunhas que comprovem as acusações de injúria racial”. Porém, a polícia do Rio disse que “diversas” pessoas relataram o crime.
A comissão apresentou outros argumentos considerados “esdrúxulos”. Diz, na ata, que, sobre “a resistência à condução à delegacia de polícia, trata-se de conduta própria a ser apurada em sede própria da polícia judiciária local dos supostos fatos”. Renato foi detido na piscina por ter se recusado a obedecer a ordem de prisão de policiais militares e depois tentou chutar um dos PMs que o conduzia para fora do condomínio – tudo registrado em vídeo.
A comissão alega ainda que como “os fatos ocorreram em 24 de janeiro de 2022 e que não foi informado que nessa data o vereador estaria em missão oficial, não cabe a essa Comissão apurar tais fatos”, e “não contam na secretaria da casa as despesas relacionadas ao uso do veículo oficial no referido período”. Em indicação de que a apuração foi uma “farsa”, o caso ocorreu em 23 de janeiro, e não 24, e o diretor-geral da Câmara é nomeado político de Renato.
Por fim, sobre o caso em Santa Catarina, a comissão, também laconicamente, diz que “a conduta ilícita em Balneário Camboriú/SC também reside em conduta própria e apurada por autoridade competente local”. Os membros do colegiado “deliberaram pelo arquivamento da representação” e se limitaram a decidir pela “adoção das medidas de advertência a direção, bem como a mesa diretora, quanto ao rigor na fiscalização da utilização dos veículos oficiais”.
Os cinco membros da comissão “salvaram” Renato da cassação – Gideon, Bobilel Castilho (PSC), Dedé (Republicanos), Luiz do Depósito (MDB) e Cesar Begali (Republicanos). Em atos com “intimidações” para manter o “protegido” no mandato, Ney convocou Luiz do Depósito para reassumir o lugar do suplente Lucio Costa e impôs Begali após tirar o vereador Ricardo Almeida “na marra” com a “promoção” de subprefeito. Lucio e Ricardo seriam a favor da cassação.
O vereador Abidan Henrique (PSB), único opositor à gestão Ney na Casa, protestou – ele foi também o único membro da comissão contrário à decisão, mas não pôde votar por ser o autor das representações. “A cassação do presidente da Câmara de Embu acabou em pizza, infelizmente. Depois de jogar o nome de Embu no lixo com tudo que aprontou, o Renato é mais um político rico, branco, que tem uma ficha corrida gigantesca que está se safando”, diz, em vídeo.
OUTRO LADO
Este portal questionou o presidente da Comissão de Ética por ter arquivado as representações mesmo após Renato ser indiciado por injúria racial, mediante testemunhas que afirmam que se referiu a Izac Gomes como “negro fede”, e ter usado carro oficial para ir ao condomínio no Rio, além de ter xingado de “vagabunda” e “puta” uma médica. “O senhor é omisso ou conivente com tais posturas incompatíveis com o decoro parlamentar?” Gideon ficou em silêncio.
VEJA ATA DA REUNIÃO DA COMISSÃO DE ÉTICA QUE DECIDIU ARQUIVAR REPRESENTAÇÕES CONTRA RENATO






