Pedro Ayres, que em Embu formou gerações pelo esporte como ato de cidadania, morre aos 84 anos

Especial para o VERBO ONLINE

Professor Pedro, que formou gerações de moradores de Embu e idealizou 'Corrida do Fogo Simbólico da Pátria' na cidade, morreu nesta 3ª, em casa | Divulgação

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

Um dos educadores mais admirados de Embu das Artes, que formou várias gerações pela prática do esporte como ato de cidadania, o professor de educação física Pedro Ayres morreu nesta terça-feira (31) aos 84 anos, no município, de causas naturais – em casa, ele estava dormindo. Paulista de Vera Cruz, após se mudar para São Paulo para realizar o sonho de ingressar na universidade, Pedro se graduou em 1967 e no ano seguinte iniciou a jornada em Embu.

Pedro foi professor na tradicional Escola Estadual Madre Odete de Souza Carvalho (Mosc), na qual se notabilizou como um grande incentivador de campeonatos colegiais e o precursor da “Corrida do Fogo Simbólico da Pátria” em Embu, que teve início em 1972 – há 50 anos. Ele tomou a iniciativa ao decidir que a cidade devia ter a própria edição da corrida com a tocha de mesmo nome que percorria a região, em anos anteriores, oriunda do Sul do país.

O evento se tornou um marco em Embu, que abria as comemorações da “Semana da Pátria” ao envolver não apenas a comunidade escolar, mas também comerciantes e o poder público. A tocha era acesa no Museu do Ipiranga e trazida até a cidade pelos estudantes durante a corrida, passada de mão e mão. A festa se encerrava no 7 de Setembro com desfiles das escolas com fanfarras, diversos jogos e uma solenidade para apagar o fogo simbólico.

Além dos feitos na profissão que quis exercer na periferia da metrópole, Pedro era querido por se colocar como amigo dos alunos e os tratar com grande generosidade. Em 2016, ele recebeu uma das honrarias da Câmara Municipal, a Comenda do Mérito Legislativo Padre Belchior de Pontes, “como grande mestre que foi para nós ao fazer da escola um lugar de convivência, conhecimento e sensibilidade”, por iniciativa da então vereadora Rosana Almeida.

Na ocasião, o ex-aluno José da Silva Guego prestou homenagem ao eterno educador. “O senhor Pedro é um mestre diferenciado, uma pessoa que nos educou e foi muito importante em nossas vidas como professor e companheiro”, destacou. Hoje, com a triste notícia da morte, Guego o tratou também como “paizão”. “Você não teve filhos de sangue, mas foi o pai de maior quantidade de filhos que alguém poderia ter com respeito e consideração”, ressaltou.

“Suas palavras expressam a história desse professor dedicado e comprometido com os seus alunos”, disse Aidê Koch Mendonça, em endosso à mensagem. Pedro será velado no salão do ginásio Hermínio Espósito (centro) durante a noite, na presença de pessoas cheias de gratidão. “Aqui só tem ex-aluno. Todos avós e bisavós hoje”, disse Guego ao VERBO, sobre o último adeus. O educador será sepultado nesta quarta-feira (1º), às 9h, no Cemitério do Rosário.

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