Vereadores rompidos com Ney aprovam pedido para tirar Renato da presidência

Especial para o VERBO ONLINE

Renato no plenário antes de levar aliados a deixar sessão para não votar requerimento para ser afastado da presidência; Abidan tem pedido aprovado | Reprodução

ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

Em nova sessão tensa na Câmara de Embu das Artes, os vereadores da base do prefeito Ney Santos (Republicanos), liderados pelo presidente Renato Oliveira (MDB), tentaram nesta quarta-feira (11) obstruir os trabalhos mais uma vez para não votar pedido de destituição de Renato da mesa-diretora por desrespeito ao regimento da Casa, mas acabaram derrotados. Com reiteradas artimanhas do presidente, o Legislativo de Embu vive a pior crise da história.

Em manobra “escancarada” dos governistas, após Abidan Henrique (PSB) propor requerimento para destituir Renato, Luiz do Depósito (MDB) pediu a suspensão da sessão. Com a cobrança de Índio Silva (Republicanos) para discutir o requerimento em público, Renato aceitou primeiro fazer a leitura, e depois fazer a interrupção. Abidan citou o regimento para dizer que o pedido tinha que ser votado “imediatamente”. Aí Renato resolveu paralisar os trabalhos.

Após a reunião a portas fechadas, o vice-presidente Gerson Olegário (Avante) assumiu o comando da sessão, por Renato ser alvo do requerimento. Mas Gerson se negou a pôr a matéria para votar, instruído por Renato e outros governistas, além de assessores. Antes, o diretor-jurídico Francisco de Souza, cargo de Renato, quis “passar por cima” dos vereadores e tentou obstruir a votação ao alegar “falta de quorum” (mínimo). Bobilel Castilho (PSC) protestou.

O diretor-jurídico foi conversar com Índio para “passar recado” em vista de continuar a influenciar os trabalhos, mas foi rechaçado. “Eu só dirijo a palavra para a doutora Leticia. Se ela quiser falar, o senhor pede para vir falar comigo. O senhor tem que se dirigir ao presidente da Casa”, advertiu o vereador, ao se referir à procuradora da Câmara. “Eles estão tentando nos obstruir de todas as formas. O presidente da Câmara é um ditador”, afirmou Bobilel.

A sessão ficou paralisada por mais de meia hora, com a Câmara sob impasse com Gerson decidido a obstruir. Mas os seis dissidentes – Índio, Bobilel, Alexandre Campos (PTB), Gideon Santos (Republicanos), Adalto Batista (PSDB) e Joãozinho da Farmácia (PL) – e Abidan, da oposição, obtiveram aval da procuradora para seguir com a votação, com Índio (1º-secretário), o próximo na linha de sucessão na presidência, no comando. Os governistas se evadiram.

Sobre pedido de destituição de membro da mesa, com Renato como denunciado e Abidan, autor da denúncia (teor do requerimento), os respectivos suplentes, Lucio Costa (MDB) e Cristiano Mendes (PDT), foram chamados a substituir os dois e votar. Lucio, na Câmara, assumiu. Cristiano, que se mostra próximo do governo Ney, deixou a Casa antes, durante o impasse. “O Cristiano foi embora. Acho que pediram para ele ir embora”, apontou Gideon.

Os sete dissidentes aprovaram o requerimento, incluído Lucio. Ele, que até 20 dias atrás substituía Luiz do Depósito e foi “arrancado” da vaga por Ney, foi “à forra” e votou “contra” Renato. Índio, alvo de deboche de Renato na sessão passada, demonstrou “satisfação”. “Eu, vereador Índio Silva, voto a favor do afastamento do presidente desta Casa”, anunciou. Mesmo ausentes, os governistas estavam “logados” no sistema e foram considerados votos de abstenção.

Na realidade, a Câmara acatou o pedido de destituição, o afastamento propriamente do presidente ainda será apreciado pelos vereadores em plenário. “Na próxima sessão, vamos criar uma comissão processante, que tem que se reunir em 48 horas. Vai dar dez dias para Renato se defender. Depois, terá 20 dias para fazer um relatório. Aí vai ser votado, daqui um mês, [para decidir] se destitui ou não Renato”, disse Abidan, autor do requerimento, ao VERBO.

Renato é investigado no Conselho de Ética por injúria racial e por ter usado carro oficial no Rio. No requerimento, Abidan citou outro ato grave de Renato, desacato a uma médica em Santa Catarina. À TV Globo, na Casa, Índio disse que o pedido de afastamento de Renato se justifica. “A gente coloca um requerimento porque ele está atrapalhando o andamento do processo. De forma truculenta, ele apaga as luzes do plenário, desliga os microfones”, declarou.

Renato negou obstrução. “Ele tramita da maneira legal dentro da Comissão, à [sic] qual não faço parte. E todas as vezes que impetraram um requerimento para que fosse votado a meu respeito, eu saí da presidência e deixei que o vice-presidente assumisse, justamente, para não ter nenhum problema”, disse. Mentiu. No dia 27, após abandonar o plenário, ele voltou às pressas ao ver que ia ser afastado e encerrou a sessão sem pôr o requerimento para votar.

Como parte das manobras, a transmissão (online) da sessão nesta quarta-feira chegou a ser interrompida. “A gente está sendo boicotado. Aqui está sendo desligado tudo e não está sendo transmitido nada. […] Se for para fazer dessa forma covarde, de não deixar o povo saber o que acontece aqui, vamos até o Fórum [Justiça] tomar as providências e mostrar que estamos do lado do povo, e não de políticos que cometem erro”, discursou Bobilel, ao mirar Renato.

comentários

>