RÔMULO FERREIRA
Reportagem do VERBO ONLINE, em Taboão da Serra
No último 7 de abril (Dia do Jornalista), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo lançou a primeira edição do “Relatório de Monitoramento de Ataques a Jornalistas no Brasil”, sobre 2021. A Abraji avaliou que “há pouco a ser celebrado” ao apresentar documento com registro de 453 ataques contra comunicadores e meios de comunicação, entre eles o ato do prefeito Aprígio (Podemos) de xingar o repórter do VERBO Adilson Oliveira de “filho da puta”.
“Entrou sim. Porque publicamos essa reportagem”, disse a este portal a assistente jurídica da Abraji, Leticia Kleim, ao enviar o link sobre o caso. O texto, com a manchete “Prefeito de Taboão da Serra (SP) xinga repórter”, noticia o fato, em 29 de abril de 2021, e relata que “Oliveira acusa a gestão de Aprígio de não atender aos pedidos de informação como, por exemplo, esclarecer denúncias de supostos desvios de vacina em uma unidade básica de saúde”.
A reportagem da Abraji foi publicada em 11 de maio de 2021. “As agressões do prefeito são um ataque à liberdade de imprensa e ao direito da população de acessar informações sobre o que se passa na cidade. Eu estava no exercício de buscar informações sobre a saúde”, declarou Oliveira a jornalista da entidade. Procurado também pela associação, o governo Aprígio preferiu dizer que “o repórter produziu desinformação (‘fake news’), levando pânico à população”.
A Secretaria de Comunicação não foi claro na alegação. Se falava sobre o caso das vacinas, o próprio governo admitiu que 233 doses foram desviadas, em sindicância cuja conclusão até hoje não apresentou – o dado foi obtido por este portal. Na realidade, Aprígio xingou Oliveira ao ser indagado sobre ter se recusado a participar de reunião no governo do Estado com a presença do ex-prefeito Fernando Fernandes (PSDB). Em março, ele admitiu que não ficou na sala.
“Os discursos estigmatizantes, que são agressões verbais que buscam desmoralizar o trabalho jornalístico, foram identificados como a principal forma de ataque, presentes em 74,6% dos alertas de 2021”, observa a Abraji. O xingamento do prefeito entrou no relatório em duas categorias. “Em alguns casos, colocamos como mais de um tipo de agressão. Esse foi um desses, está como ‘discursos estigmatizantes’ e ‘agressões e ataques'”, informou Leticia.
“Com frequência, essas agressões ganham contornos de violência sistemática nas redes sociais, iniciadas por figuras políticas e perpetradas por internautas. Não à toa, 62,5% dos casos tiveram origem ou repercussão na internet”, pontua ainda a entidade. Oliveira passou a ser atacado por funcionários livre-nomeados de Aprígio e até por um secretário, Rodrigo Falcão (Segurança), com acusações falsas de crime sexual, comprovadamente “fake news”.
VEJA REPORTAGEM DA ABRAJI SOBRE XINGAMENTO DO PREFEITO APRÍGIO A REPÓRTER DO VERBO ONLINE
VEJA RELATÓRIO DA ABRAJI SOBRE ATAQUES A JORNALISTAS; AGRESSÃO A ESTE PORTAL FOI COMPUTADA
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