ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes
Em novo “tiro no próprio pé” como o protagonizado pelo presidente Renato Oliveira (MDB), a vereadora Aline Santos (MDB) buscou na sessão nesta quarta-feira (30) atacar os governistas dissidentes e “entregou” que o prefeito Ney Santos (Republicanos) transformou a prefeitura em um “cabidão de emprego” – governo inchado de cabos eleitorais voltados a defender os “padrinhos políticos” que os indicaram para os cargos, em vez de atender bem a população.
No último dia 3, ao tentar afastar o risco de ser cassado acusado de injúria racial e “passear” com carro oficial da Câmara no Rio de Janeiro (peculato), Renato apontou que os vereadores praticam “rachadinha”. Ele generalizou ao indicar saber de “transferências bancárias de mesmos valores de assessores para outras pessoas” e revoltou os governistas -, até então 16 dos 17 membros -, como Bobilel Castilho (PSC) e Ricardo Almeida (Republicanos).
“Eu não vou aceitar que aqui nesta Casa fale que tem ‘rachadinha’ e generalize todos os vereadores. Não jogue palavras ao vento”, reagiu Bobilel à fala de Renato. “Foi uma fala muito irresponsável da parte do senhor. Quando usamos um borrifador, mudamos o jato e direcionamos para a pessoa ou borrifamos e pegamos todo mundo. O que o senhor fez aqui foi borrifar. O senhor […] pulveriza os 16 vereadores. É uma falta de respeito”, reforçou Ricardo.
Na sessão passada (23), os vereadores Índio Silva e Gideon Santos, além de Bobilel, discursaram para revelar que, além de ameaçados, foram retaliados por Ney por votarem contra o projeto de criação da loteria municipal e por defenderem a investigação e até a cassação de Renato. Eles falaram que tiveram indicados a cargos na prefeitura mandados embora pelo prefeito, da “pior forma possível” e sem “compaixão nenhuma”, pontuaram Bobilel e Índio.
Hoje, Aline, “submissa” ao prefeito, tentou desmoralizar os vereadores que romperam com Ney ao chamar a atenção para o grande número de correligionários dos colegas que estavam na sessão – para fazer coro às críticas ao chefe do Executivo – e expôs o governo. “Eu pude observar na sessão anterior algumas falas um tanto irresponsáveis e que ficarão gravadas nesta Casa de Leis e em nova eleição. São falas que configuram cabide de emprego”, afirmou.
“Eu vi esta Câmara quarta-feira lotada. Quantos funcionários tem cada vereador que estava aqui se queixando? Quarenta, 50, 60? É um grande cabide de emprego, é isso que a gente está vendo aqui? Porque é isso que se configura, é isso que ficou gravado. E amanhã ou depois, cada um que veio fazer a fala tem que arcar com as consequências. Eu fiquei muito surpresa e muito admirada”, disse Aline, que já defendeu Renato sobre a injúria racial.
Aline disparou contra Índio e Bobilel. “Como duas pessoas enchem uma Câmara Municipal com tantos cargos? Como assim, um cabidão de emprego?”, disse, em mal-estar no governo. Depois, aparentemente sem se dar conta de ter “falado demais”, ela focou sobre os dois vereadores passarem à oposição. “Quer dizer que o governo Ney Santos serviu até quarta-feira passada e agora não serve mais? Bebi dessa água, hoje não me serve mais, é isso?”, disse.
Inábil, ela chamou os dissidentes de “oportunistas” e indicou que negociam benesses. “Não vamos olhar para o nosso umbigo e brigar por uma causa própria. Aqui a fala é uma, nos bastidores é totalmente diferente, não vamos ludibriar a população para favorecimento próprio, que é o que a gente vê acontecendo nesta Casa de Leis. […] Vir aqui e falar que o prefeito não presta? E esses cargos todos? É muito fácil ‘lavar roupa suja’ e por trás é um ‘oba-oba'”, atacou.
Sobre o grande número de cargos, Aline chegou a dizer “de onde saiu?”. Mas o responsável por assinar as nomeações a rodo é Ney. A prática, porém, não é nova na gestão do prefeito. De 2017 a 2020, o então vereador Doda Pinheiro também tinha um “cabide de emprego” no governo Ney, com salários em torno de R$ 8 mil, e cobrava “rachadinha” dos funcionários para enriquecer e fazer caixa para eleições posteriores, conforme relata um ex-assessor.
Bobilel rebateu Aline, após exibir vídeo da cidade suja. “Quero que me mostre quando falei mal do governo ou do prefeito. [Mas ele] Tomou uma atitude irresponsável. Agora, [ao] mostrar o que está acontecendo para a população estou falando mal? Aí tem pessoas que querem fazer média com o prefeito, puxa-saco de prefeito, e falam que falo mal! E cabide de emprego é problema da prefeitura, não é de vereador!”, reagiu, ao indicar que Ney “inchou” a gestão.
OUÇA ALINE ATACAR BOBILEL E ÍNDIO AO ACUSAR QUE TINHAM ‘CABIDE DE EMPREGO’ NO GOVERNO NEY





