Apenas após mãe, criança e outro filho morrerem, Ney manda interditar casas

Especial para o VERBO ONLINE

Casa atingida por deslizamento de terra que matou mãe e dois filhos na rua Jatobá, no Jd. Pinheirinho; somente após tragédia, Ney interditou 16 casas | Reprodução

ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

Apenas depois que uma mulher de 45 anos e os dois filhos – entre eles uma menina de 4 anos – morreram em um deslizamento de terra na rua Jatobá, no Jardim Pinheirinho, em Embu das Artes, no fim da noite de sábado (29), o prefeito Ney Santos (Republicanos) mandou interditar casas no local. É a terceira tragédia em menos de três anos em que o governo Ney só toma providências após a ocorrência de perda de vidas por soterramento na cidade.

Somente no domingo à noite Ney esteve na rua que registrou vítimas fatais e se reuniu com um grupo de moradores para avisar que ia interditar os imóveis da área. “Todos os moradores dessas casas que estão no pé deste barranco […], hoje o mais importante é alertar vocês dos riscos que estão correndo, que não são poucos. Precisamos ‘se’ precaver, por isso chamamos vocês para anunciar que vamos ter que interditar todas essas casas”, disse.

“Vamos formalizar um documento, vocês vão assinar que as casas estão sendo interditadas. Tudo é passageiro, a chuva vai passar, mas, Deus o livre e guarde, se morrer alguém, aí não tem jeito. Estamos aconselhando, alertando. Agora a decisão [de sair] é com vocês. Eu como prefeito, Hugo [Prado] como vice, estamos vindo aqui fazer a nossa parte”, falou Ney. Para justificar agir só agora, ele alegou que “está chovendo muito mais do que esperávamos”.

No entanto, como o próprio prefeito reconheceu, a área onde estão as casas é de alto risco. O imóvel em que estavam as três vítimas ficava em uma ribanceira. O “Bom Dia SP” (TV Globo) indicou a falta de monitoramento do local como ponto perigoso e a imediata retirada das famílias. “Dezesseis casas foram interditadas pela Defesa Civil. E não precisa ser especialista para ver o abandono do lugar e o risco de novos deslizamentos”, informou a repórter.

O telejornal mostrou ainda que, após a retirada dos corpos, só se ouviam na rua Jatobá o barulho da chuva e a voz de indignação de uma moradora antiga da área, que definiu as mortes como uma tragédia anunciada, já que na quinta-feira uma casa já tinha desabado no local. “A gente não vive de promessa. É pobre, mas é gente. E a gente toda eleição vai lá e vota, colocamos eles na cadeirinha. Por que eles não podem fazer algo pela gente”, disse a munícipe.

A ação de prevenção devia ter sido feita ao menos no início de janeiro. Mas no dia 1º Ney fazia “marketing” ao enviar cestas a vítimas de enchentes na Bahia, para a região onde é investigado por tráfico de drogas e armas. A desídia já gerou outras duas tragédias: em 29 de dezembro de 2020, seis pessoas (quatro crianças) morreram em deslizamento de terra no Jardim do Colégio. Em março de 2019, também no Pinheirinho, um bebê de 1 ano morreu soterrado.

VEJA REPORTAGEM DE JORNAL DA TV GLOBO SOBRE A ‘TRAGÉDIA ANUNCIADA’ NO PINHEIRINHO – 3 MORTOS

Fonte: “Bom Dia SP”

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