ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes
O vereador Renato Oliveira (MDB) proferiu palavras que levam a Polícia Civil do Rio de Janeiro a ter “conviccção” de que cometeu injúria racial contra um funcionário do condomínio na zona oeste carioca em que estava no fim de semana passado, mostrou o “Fantástico” (TV Globo) neste domingo (30). Renato, que foi preso na piscina, foi indiciado por outros três crimes. O programa revelou que o presidente da Câmara de Embu das Artes foi ao Rio de carro oficial.
Na reportagem, o supervisor do condomínio Izac Gomes, de 57 anos, 35 no ramo, reafirmou a acusação contra Renato. “[Ele falou] ‘Você está fedendo’. Eu falei: ‘Como é que é?’. [Ele] ‘Você está fedendo. Todo preto fede'”, disse. Renato falou ao “Fantástico” via online, com membros de uma ONG que criou para se eleger (mantida com apoio do governo de Embu) ao fundo. O programa disse que ele fez questão de dar entrevista com a plateia atrás dele.
“Não sou racista. É uma coisa que abomino e que jamais faria com ninguém”, falou Renato. Conforme a reportagem, o vereador alugou um apartamento para temporada de quatro dias com um grupo de amigos, mas deixou o condomínio no sábado à tarde e só retornou no domingo pela manhã, com comportamento aparentemente alterado.
No elevador, um morador reclama que Renato está sem máscara. Mesmo sem a proteção, ele se dirigiu à piscina.
“Ela [piscina] ia ser aberta às 9h. [Mas] ele já estava com a caixa de som ligada, já estava na fila gritando, porque não abre a piscina. A piscina abriu, ele botou a caixa de som na piscina no último volume. Disse a ele que não podia. Ele retrucou. E ali começou o bate-boca [com moradores]. Um, ele chamava de velho. Outro, de barba branca. A outro, mostrava a língua”, disse Izac. Diante de tantas reclamações dos moradores, a Polícia Militar foi chamada.
A calmaria durou pouco. A polícia foi chamada novamente. “Quatro vezes ele pegou um copo de cerveja, bebia e me chamava: ‘Ô, negão…’. E fazia gesto assim: fica calado. Era eu virar, e ele estava novamente no meio de moradores. Fui conversar, botei a mão nele, ele falou: ‘Tira a mão de mim, eu estou cheiroso, você está fedendo'”, disse Izac. “O Izac foi afastar, para não ter confusão. Ele: ‘Tira a mão de mim, negro fede”, disse a supervisora Fabiana Paixão.
Renato voltou a negar a ofensa, mas atacou os moradores sem provas. “Foi a maneira que eles tiveram de poder me retirar dali, são pessoas que fazem parte de uma elite que não quer que favelados como eu adentre ambientes que adentraram”, disse. A síndica rechaçou, disse que o condomínio “é um local de pessoas trabalhadoras, honestas e humildes”, “com as mesmas obrigações e direitos”, e “é inadmissível qualquer tipo de manifestação preconceituosa”.
“Ele falou que eu sou fedorento. Qual é a ficha criminal mais limpa, a minha ou a dele?”, questionou Izac. O “Fantástico” lembrou que Renato é réu e vai a júri popular, acusado, junto com um comparsa, pelo atentado contra o repórter-fotográfico e chargista Gabriel Barbosa da Silva, o Binho, em 2017. Binho, então colaborador do VERBO, contou que foi alvo de três tiros. “Não só esse, como os demais processos, eu estou muito tranquilo”, disse Renato.
“Nós já temos elementos para termos a convicção que houve sim crime de injúria racial. Já ouvimos diversas testemunhas, e elas são sempre no sentido de que as ofensas raciais para a vítima ocorreram”, disse o delegado Alessandro Petralanda. “Agentes públicos foram desrespeitados por ele. Ele responderá por quatro crimes [injúria racial, desobediência, resistência e desacato], podendo chegar as penas a seis anos de prisão”, completou.
A reportagem informou que o vereador Abidan Henrique (PDT) pediu a cassação de Renato por causa da acusação de injúria racial. “E essas imagens do vereador Renato entrando no condomínio com carro oficial podem lhe render mais um processo. O Ministério Público vai investigar o uso do carro durante os dias de folga no Rio”, arrematou o “Fantástico”. Renato alegou que “estava no Rio de Janeiro até quinta-feira a trabalho”, apesar do recesso da Câmara.
VEJA REPORTAGEM DO ‘FANTÁSTICO’ SOBRE ACUSAÇÃO DE INJÚRIA RACIAL CONTRA RENATO OLIVEIRA





