Enganados, servidores lembram ‘oportunista’ Aprígio que dizia que prefeito tem que dar aumento

Especial para o VERBO ONLINE

Aprígio, que dizia que prefeito que não desse aumento ao funcionalismo era político que só dá desculpas, postura que adota hoje, segundo servidores | PMTS

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra

Enganados após o governo municipal garantir apenas reposição da inflação deste ano em maio de 2022 e ignorar pauta com pelo menos outras seis reivindicações, os funcionários públicos de Taboão da Serra estão espalhando discurso em que Aprígio (Podemos) dizia que o prefeito – entre outros governantes – que não concede aumento ao funcionalismo é irresponsável e mau político. Servidores apontam que Aprígio é incorente e “oportunista”.

Aprígio fez o pronunciamento sobre o funcionalismo. “O Executivo em geral – governadores, senadores, prefeitos -, alguns se acham ‘uns herói’, se acham ‘cumpridor’ de obrigação, defensor da lei, mas na verdade não usam a lei que eles próprios às vezes criaram ou algum tempo defenderam, nessa questão de ‘só dou aumento se quiser, não tenho dinheiro para dar aumento’. E simplesmente não dá o aumento”, disse – senador é cargo do Legislativo.

“Os funcionários têm os direitos deles, têm a data-base deles, e quando chega na data-base ‘vai’ ouvir balela. Um governador, presidente, prefeito teria mais que cumprir com a obrigação dele, chegou a data-base: ‘Está aqui o teu aumento’. E não ficar cinco, seis, dez, 20 anos sem dar aumento ao funcionalismo. E depois cobra do funcionalismo uma boa produção, sem também dar condições para o funcionalismo trabalhar”, continou Aprigío, inconformado.

“E depois diz que é um herói, que está cuidando da nação, do Estado ou do município, às custas do trabalho dos funcionários, que tanto maltratam. Essa situação eu não consigo entender. Herói são os trabalhadores, é aquele pai de família que trabalha, ganha pouco, cuida da família, paga as contas em dia […]. Esse cara é um herói. Um presidente, governador, prefeito só dá desculpa – ‘não posso’, ‘não dá’, ‘não tem dinheiro’, oras”, prosseguiu.

Aprígio chegou a questionar como um governante é candidato se não cumpre o que promete. “Por que ele concorreu para assumir essa responsabilidade, sabendo da obrigação que tem, e não cumpre. O trabalhador não precisa passar por uma situação dessa. Só precisa escolher uma pessoa responsável, que tenha responsabilidade com seus compromissos para não deixar a família trabalhadora sofrer, passar fome”, finalizou o “convicto” orador.

Aprígio fez o discurso recentemente, no ano passado, quando deputado estadual, e tinha como alvo, apesar de não nominar, o então prefeito Fernando Fernandes (PSDB), ao se referir a longos anos sem aumento ao funcionalismo. Opositor a Fernando, ele já se colocava como pré-candidato a prefeito. O áudio do discurso de Aprígio foi enviado ao VERBO por uma funcionária concursada, indignada pelo governo não atender as reivindicações da categoria.

“Muito apropriado para ganhar votos dos servidores públicos, que há anos não são vistos por nenhum prefeito”, disse a servidora, com salário defasado, ao considerar o discurso demagógico e oportunista. “Sim, muito. Neste ano, além de não fazer nada pelos servidores, nossa contribuição [previdenciária] foi aumentada de 11% para 14% e ainda perdemos o 14º [abono de férias]. O Executivo podia ter pensado em alternativa e não fez nada”, criticou.

O VERBO questionou Aprígio, por meio da Secretaria da Comunicação, se o discurso que fez se aplica a ele hoje e se é um político “que só dá desculpas”, ao não atender as reivindicações do funcionalismo. A pasta não respondeu. Insatisfeitos, os funcionários decidiram realizar nova paralisação na terça-feira (14), quando os vereadores votarão o orçamento em segundo turno. “A indignação no funcionalismo é imensa”, revelou um membro da comissão.

OUÇA DISCURSO EM QUE APRÍGIO RECRIMINAVA PREFEITO QUE NÃO DAVA AUMENTO AO FUNCIONALISMO

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