Após discursos e ‘desculpas’, servidores recebem de Aprígio só reposição de 2021

Especial para o VERBO ONLINE

Comissão é recebida pelos vereadores, aliados de Aprígio, mas servidores de Taboão só tiveram garantia de reposição da inflação de 2021 e em maio | Divulgação

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra

Após ouvirem vereadores fazerem discursos de exaltação ao governo em profusão e darem “desculpas” de que não podem gerar despesas ao Executivo, os funcionários públicos de Taboão da Serra conseguiram do prefeito Aprígio (Podemos) apenas a reposição da inflação deste ano – e somente em maio – na primeira votação do orçamento municipal de 2022, nesta terça-feira (7). Ou seja, não receberam “nada”, uma vez que o reajuste já é previsto em lei.

A comissão do funcionalismo foi à sessão para cobrar a inclusão no orçamento das reivindicações da categoria – reajuste salarial referente a 2019 e 2020, vale-transporte, vale-refeição, aumento do vale-alimentação (hoje em R$ 238) e compensação da extinção, por decisão judicial, do abono de férias, o 14º salário. Os servidores amargam perdas nos últimos governos, mas cobram promessas eleitorais de valorização dos funcionários feitas por Aprígio.

Na longa sessão, os servidores – com cartazes com as reivindicações e a cobrança de “nenhum direito a menos” em mãos – tiveram paciência de aguardar os pronuciamentos dos vereadores. André Egydio (Podemos), um dos principais defensores da gestão Aprígio, deu a atender que o funcionalismo ia ser atendido. “É o nosso primeiro orçamento, do nosso governo. A partir do ano que vem, começa a nossa luta para reconstruir Taboão”, disse.

Anderson Nóbrega (MDB), outro destacado membro da “tropa de choque” do governo, foi além. “O prefeito Aprígio tem os braços abertos para vocês, o plano de governo dele inclui, sim, a valorização do funcionalismo. Lógico, vai ter um estudo, uma conversa muito franca com vocês. Mas o Aprígio sabe da necessidade de vocês. Confiem, vão vir coisas boas, vocês vão ter respaldo muito maior ou como nunca tiveram em governos anteiores”, discursou.

O presidente Carlinhos do Leme (PSDB) suspendeu a sessão para os vereadores ouvirem a comissão. Os servidores apresentaram os apelos da categoria, mas não adiantou. Joice Silva (PTB) chegou a dizer que “a Câmara não pode criar despesa para o Executivo”. A rigor, porém, os parlamentares estão entre os principais geradores de gastos do governo ao “empregar” cabos eleitorais com altos salários que comprometem a valorização salarial dos efetivos.

Com os vereadores interessados em falar das emendas que apresentaram ao orçamento – muitas discutíveis -, o funcionalismo não foi contemplado. “Nada de reposição das perdas de 2019-2020. Nada dos valores do extinto 14º para os que tiveram férias vencidas sem usufruir. Nada do vale-transporte. Nada da recomposição da cesta-alimentação. Nada do vale-refeição, que precisamos em 1º de janeiro”, disse um membro da comissão ao VERBO.

Aprígio garantiu só conceder reajuste salarial referente ao atual exercício pelo INPC acumulado do último ano, que deve ficar em torno de 12%. “Em maio de 2022, reposição da inflação de 2021. Apenas. Mas não podemos esperar maio. E queremos receber a inflação de 2019 e 2020. Como está sendo feito em inúmeros munícipios que pesquisamos, como Barueri, Osasco, Jundiaí, Paulínia [SP], São Pedro da Aldeia [RJ]”, acrescentou a servidora.

A comissão lembra que vale-transporte “para todos os funcionários” já é inclusive lei municipal (nº 1.639), aprovada em 2006. “Mas nunca cumprida. Toda nossa pauta é legal. Apenas terão que criar uma lei para incorporação dos valores do extinto 14º aos salários. No mais, as outras reivindicações estão na lei”, afirmou. A Justiça chegou a “sugerir” a criação de lei para compensar o 14º, mas o governo Aprígio alegou que o tempo de 90 dias era curto.

Os servidores demonstram ter sido enganados, após terem reuniões com secretários de Aprígio. Eles chegaram a cancelar a segunda manifestação que fariam no dia 3 para dialogar. “A indignação no funcionalismo é imensa”, disse o membro. Outro integrante da comissão revelou o próximo passo da categoria. “A deliberação para o dia 14 é paralisação”, disse. Na próxima terça, os vereadores votam o orçamento, de R$ 1,152 bilhão, em segundo turno.

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