ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes
EXCLUSIVO. O ex-vereador Doda Pinheiro (Republicanos, expulso do PT) ficou muito rico na política ao praticar “rachadinha” durante os governos Chico Brito (2013-2016) e Ney Santos (2016-2020). Ao receber parte do salário de cada vez mais funcionários e de apoiadores que empregou e exigir cifras cada vez maiores, ele embolsou montante que soma, por baixo, R$ 3 milhões no período, revela a liderança que foi o principal assessor do parlamentar.
Após a “rachadinha”, Doda declarou patrimônio quatro vezes maior em apenas quatro anos, de R$ 262 mil (2016) para R$ 996.784,19 (2020). O VERBO já noticiara em 2019 que Doda começou com a prática em 2013, denunciado pelo primeiro chefe-de-gabinete, José de Arimateia. Mas “Ari” não aceitou a “safadeza” e foi logo demitido. Já o “braço-direito” seguiu no gabinete e testemunhou em detalhes o esquema de Doda, pelos quase oito anos.
No primeiro ano como vereador, durante a gestão Chico (então PT), além dos quatro assessores no gabinete, Doda ganhou em torno de 16 cargos da prefeitura para pôr cabos eleitorais ou R$ 40 mil em vagas. “Lá não classifica [por] ‘cargo, cargo, cargo’. Lá se classifica [por] um valor. […] Ele poderia, vamos supor, colocar 20 pessoas de R$ 2 mil, e aí foi que ele colocou”, conta o então assessor. Doda era o presidente da Câmara, “posto” por Chico.
Nos dois primeiros meses, porém, Doda não teria exigido parte do salário de todos os 20 empregados na prefeitura e Câmara. Por enquanto. “Por inexperiência, nessa tramoia que eles [políticos] têm. Passou um tempo, [tendo] envolvimento, escutando mais os pares [vereadores], aí ele começou, foi fazer a conversa [exigir a ‘rachadinha’]. Aí criou um mal-estar, inclusive o Arimateia ficou revoltado, porque tinha que contribuir. Ele não aceitou”, relata.
Inicialmente, segundo o único “homem forte” do gabinete (com a saída de Ari), Doda não cobrou o repasse de todos os comissionados que empregou. “O menor salário, ele ‘deixou quieto’, [valor] que na época era de mil e pouquinho – R$ 1.300 se não me engano”, diz. Ele passou a exigir do que tinha o segundo menor vencimento. “É, o penúltimo. Era R$ 1.800, R$ 1.900. Quem tinha um salário melhorzinho, todos tinham que contribuir”, afirma.
Dos 16 cabides de emprego na prefeitura, Doda teria cobrado o repasse de mais da metade. “Uns 10. Porque teve muito cargo pequeno [salário baixo]”, explica o então assessor. Após se livrar do único “empecilho”, a partir de abril, ele já exigiu a “rachadinha” ao contratar, não mais com a pessoa já empregada. “Aí foi ‘beleza’, porque saiu o Arimateia. Aí quem entrou, já entrou daquele jeito. Entrou com um chute no cu já, desculpe a palavra”, conta.
“Não tinha mais o negócio de ficar ‘brigando’ nos setores [cobrando dos nomeados nos locais de trabalho na prefeitura]”, completa a testemunha. No início, porém, o repasse não se tratava da “rachadinha” clássica. “Não chegava a ser metade, não. Era um valor de 30%, mais ou menos. De uns 20 a 30%. Isso porque ele não tinha experiência, já ia cobrar no começo, e quando foi cobrar não sentiu tanta firmeza de cobrar a metade”, diz.
Contudo, Doda já tirava um valor polpudo, livre. “Da prefeitura, naquela época do Chico, uns R$ 15 mil”, afirma o então assessor, ao se referir à quantia mensal. “[Só] Da prefeitura! Tinha o salário da chefia de gabinete [na Câmara]. Do gabinete, ele tinha todinho [o salário] de R$ 7 mil só do chefe [de gabinete], a [assessora de gabinete II] dava metade – o [salário do assessor] II era R$ 4 mil e pouco”, cita, em relato a este portal em outubro de 2019.
O então assessor também contribuía, mas com valor fixo, R$ 1.000. “Tinha o meu mil, né, e tinha [rachadinha do salário] do assessor de gabinete I também”, cita, para chegar à soma de R$ 12 mil por mês embolsado por Doda só na Câmara. “R$ 27 pau [mil por mês, no total, com o valor da prefeitura]. Isso foi num período, porque teve um período em que ele estava cheio de cargo”, acusa. Segundo ele, Doda chegou a ter 26 cargos na gestão Chico.
No governo Ney (à época PRB, atual Republicanos), a partir de 2017, Doda, reeleito na oposição, aderiu logo ao novo prefeito, para retomar o esquema. Mesmo sem o acesso de antes, o então “braço-direito” soube da cifra que o vereador teve em cargos recebidos como novo “neyzista”. “Foi R$ 30 mil, o valor foi esse. Aí ele já fez estratégico. Colocou só cinco pessoas [para executar a ‘rachadinha’]. O salário das cinco pessoas é um pouco maior”, lembra.
“Ele até falou: ‘Não dá, tem que ter salário grande, senão não dá para tirar um valor bacana’. E foi agregando [mais cargos]”, diz a testemunha, que, porém, não teve mais acesso aos repasses: “Ele não deixava mais. Participei [das reuniões] no começo, ele era inexperiente, tinha conversa com o prefeito e, empolgado [contava]”. Porém, soube que Doda “rachava” cerca de 80% dos salários. Ele teria realizado a “rachadinha” até o fim do mandato, em 2020.
O hoje ex-assessor não terá o nome citado, mas Doda já tem ciência do relato. Após reportagem de que tinha enriquecido com a “rachadinha”, ele entrou na Justiça contra o VERBO. Há exato um ano, em 15 de novembro de 2020, este portal teve de retirar o texto do ar, além de responder por dano moral. Ele teve decisão a favor em primeira instância, mas este veículo recorreu e ganhou a causa em definitivo – com anexação do depoimento.
OUÇA O ENTÃO ASSESSOR RELATAR QUE DODA PRATICAVA ‘RACHADINHA’ DESDE 1º ANO DE MANDATO
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LEIA DEPOIMENTO DO ENTÃO ASSESSOR SOBRE DODA TER ‘RACHADO’ SALÁRIOS DE FUNCIONÁRIOS
VERBO – O que você acha da postura do Doda? Não como funcionário. Eu estou dizendo de [ele] não ter correspondido à confiança.
Ex-assessor – Inúmeras vezes, eu e o Doda ficamos sem ‘se’ falar. Inúmeras. Não foi uma nem duas.
VERBO – Por quê?
Ex-assessor – Porque a posição que eu tomava lá… Teve um período lá que eu passei a estar como chefe-de-gabinete, e nesse período comecei a sobrepor [discordar de] algumas atitudes dele, questões da política. [Ele] Tomava muita decisão pelo coração, era muita emoção, às vezes não procurava ouvir o grupo.
[…]
VERBO – Nesse tempo o Doda já praticava rachadinha?
Ex-assessor – É assim, o Doda começou, colocou todos [os apoiadores da eleição] lá na prefeitura, e ali ele não cobrava. Por inexperiência, nessa tramoia que eles [políticos] têm. Aí passou um tempo, [foi tendo] envolvimento, escutando mais os pares [vereadores], aí ele começou… O que aconteceu? Começou muita insatisfação: você colocar a pessoa no cargo e depois fazer a proposta [de rachar o salário], isso cria uma insatisfação.
VERBO – Mas isso foi quando?
Ex-assessor – Isso foi em 2013, né?
VERBO – Já em 2013 ele já [começou de cara rachando salários]…
Ex-assessor – Não, ele colocou as pessoas. Na época, ele era imaturo, entendeu?. Mas ali ele viu o jogo como é que é.
VERBO – Ele tinha lá os cargos na prefeitura…
Ex-assessor – Colocou todos, e não [cobrava ainda]…
VERBO – Quantas pessoas ele pôs na prefeitura?
Ex-assessor – Ah, na época tinha… se não me engano, se não me engano, era R$ 40 mil. Para começar.
VERBO – O que eram R$ 40 mil?
Ex-assessor – Em cargos.
VERBO – O salário de todos?
Ex-assessor – É, exatamente. Lá não classifica [por] ‘cargo, cargo, cargo’… Lá se classifica [por] um valor, ‘você tem tanto’, e você faz a [distribuição]: R$ 2 mil para um, R$ 4 mil para outro, R$ 7 mil para um.
VERBO – Então no começo o Chico [Brito] deu: ‘você tem R$ 40 mil’, em cargos.
Ex-assessor – É… Para se ocupar. Ele poderia, vamos supor, colocar 20 pessoas de R$ 2 mil, e aí foi que ele colocou.
VERBO – Isso ainda com o Chico, no comecinho [do mandato].
Ex-assessor – É, mas depois ele agregou mais [conseguiu mais cargos]. Você sabe como é que funciona o jogo né?: ah, vai fazer alguma coisa, mais um cargo; alguém sai da base do governo, os ‘meninos’ [vereadores] ficam que nem lambari… Aí, parece, que no final ele tinha 26 cargos. Quando ele começou, ele tinha mais ou menos 16.
VERBO – Pulou de 16 para 26. E quanto de dinheiro?
Ex-assessor – Aí esse valor ficou em “off” entre eles.
VERBO – Mas com 16 cargos, eram R$ 40 mil…
Ex-assessor – R$ 40 mil. Ele tinha cargo de [R$] 5 [mil], entendeu? Tinha cargo de…
VERBO – E nesse período dos R$ 40 mil…?
Ex-assessor – Ele não pegou a rachadinha.
VERBO – Em 2013 não pegou?
Ex-assessor – Não, pegou. Mas depois. Foi como eu te falei, ele era inexperiente…
VERBO – Já em 2013 [‘rachou’]…
Ex-assessor – É. [Mas] Ele deu o cargo [aos apoiadores] e aí, por inexperiência, não conversou primeiro [de combinar a rachadinha]: ‘vamos conversar aqui, é tanto, tanto, tanto…’
VERBO – Ele pôs as pessoas lá [na prefeitura]…
Ex-assessor – É, e depois foi fazer a conversa! Aí criou um mal-estar, inclusive o [José de] Arimateia, que era chefe-de-gabinete dele, foi para a prefeitura – inclusive trabalhou no parque Francisco Rizzo -, [e] ficou revoltado. Porque tinha que contribuir.
VERBO – Qual era o salário dele [já na prefeitura]?
Ex-assessor – Na época era [R$] 3 mil e pouco.
VERBO – Quanto tinha que contribuir?
Ex-assessor – Não tenho…
VERBO – Metade?
Ex-assessor – Ah, não, não chegava a ser metade, não. Era um valor de 30%, mais ou menos. De uns 20 a 30%. Isso porque ele não tinha experiência, já ia cobrar no começo, e quando foi cobrar não sentiu tanta firmeza de cobrar a metade. Já estava o ‘erro’ de não ter cobrado e depois se pedisse [cobrasse] a metade ele ia ficar sem funcionário, pelo menos dos [assessores] que estavam lá [na Câmara]. Eram pessoas politizadas.
VERBO – Ele cobrou menos…
Ex-assessor – É. Por inexperiência, vamos dizer a verdade. Porque hoje [2019] cobra mais!
VERBO – Isso em 2013.
Ex-assessor – É.
VERBO – Quantas pessoas?
Ex-assessor – Mais ou menos 16.
VERBO – [Cobrava] De todas as 16?
Ex-assessor – Então, o menor salário, ele deixou quieto, [valor] que na época era de mil e pouquinho.
VERBO – A partir de que salário ele cobrava?
Ex-assessor – Ah, depois desse aí [do menor salário]…
VERBO – Acima de R$ 1.000…
Ex-assessor – Não, era mil e pouco, não lembro quanto era…
VERBO – R$ 1.500?
Ex-assessor – Acho que era menos um pouco, o último [mais baixo] naquela época era menos…
VERBO – Então a partir de que valor ele cobrava?
Ex-assessor – Era depois desse, o segundo. [Ou] Penúltimo em diante…
VERBO – Penúltimo era…
Ex-assessor – Acho que era R$ 2 mil, R$ 1.900…
VERBO – Então [do salário] de quase R$ 2 mil ele cobrava…
Ex-assessor – É, o penúltimo… O último na época, em 2013, era R$ 1.300 se não me engano.
VERBO – O penúltimo era quase R$ 2.000…
Ex-assessor – Era… R$ 1.800, R$ 1.900.
VERBO – A partir de R$ 1.800, mais ou menos, ele fazia rachadinha…
Ex-assessor – Não tenho o valor exato, mas se puxar lá, já sabe o penúltimo é o valor que está lá em 2013… Aí… Rachadinha, não… Rachadinha é a metade, né?
VERBO – É, uma rachadinha…
Ex-assessor – Com porcentagem mais suave, mediante os fatos…
VERBO – Então, dos 16…
Ex-assessor – Quem tinha um salário melhorzinho, todos tinham que contribuir. Inclusive o Arimateia – que é um cara que você pode pegar o depoimento dele, que eu marco para você se você quiser -, ele foi chefe-de-gabinete do Doda, e depois foi trabalhar no [parque] Francisco Rizzo… […] Porque ele não aceitou, ele já saiu fora [do gabinete do vereador] em 2014 [na verdade, em 2013]. Ele não aceitou. Ele ficou revoltado. Ele ficou revoltado.
VERBO – Deu para sentir revolta, o pessoal [correligionários próximos] ficou muito decepcionado?
Ex-assessor – Ficou. Por quê? Como eu te falei, ele não fez o ‘combinado’ antes. Por inexperiência. Porque muita gente faz.
VERBO – Só para ficar claro: das 16 pessoas no começo, de quantos ele pegou [rachadinha]?
Ex-assessor – Uns 10. Porque teve muito cargo pequeno [salário baixo].
VERBO – Tá: [em] 2014 [ele] continuou…
Ex-assessor – Como assim?
VERBO – Pegando [ficando com parte do salário dos assessores?
Ex-assessor – Aí foi ‘beleza’ [caminho livre], porque saiu o Arimateia. Aí quem entrou, já entrou daquele jeito.
VERBO – Entrou já sabendo [que tinha que rachar]…
Ex-assessor – Entrou com um chute no cu já, desculpe a palavra [ri]. Aí o bicho já estava ‘avoando’ [a todo vapor], como diz o outro. Não tinha mais o negócio de ficar brigando nos setores [cobrando das pessoas nomeadas que indicou nos locais de trabalho na prefeitura].
VERBO – Ele chegou a ter quantos cargos?
Ex-assessor – 26.
VERBO – Foi o teto, ou aumentou, teve mais?
Ex-assessor – Teve até 26 cargos.
VERBO – E os R$ 40 mil, foi mais, subiu?
Ex-assessor – Ah, com certeza. Aí os valores, eu já não sei, porque não participei [das reuniões do vereador para tratar do assunto]. Eu participei do começo, no começo como ele era inexperiente, então muita informação chegava até a gente. Por inexperiência, porque, você sabe, eles [vereadores] não falam. Ele tinha conversa com o prefeito e ele, empolgado [contava]. Aí com o tempo você vai vendo que ele foi se controlando nessa questão.
VERBO – Já não ia abrindo muito, ficando cada vez mais discreto, não falava nada para os assessores…
Ex-assessor – Exatamente.
VERBO – Dessas pessoas que ele pegava muito, ele primeiro conversou [combinou a rachadinha]?
Ex-assessor – Depois, né? Exatamente. Com certeza. Quando ele foi para o Ney, o cargos, tudinho, ele sentou primeiro. Aí já era ele que sentava [combinava]. Nas outras eu participava. Como eu te falei, quando ele era imaturo, eu ficava ouvindo tudo.
VERBO – Você participava da reunião com ele?
Ex-assessor – Participei, caramba! Participei. Participei… [De] Várias.
VERBO – Eu ia perguntar: como você sabe? Você estava na reunião…
Ex-assessor – Exatamente. Tinha vez que eu ia buscar o dinheiro.
VERBO – Como assim?
Ex-assessor – Ué, quando chegava dia 30, às vezes ele falava ‘[diz o nome do então assessor], hoje eu estou na correria, leva fulano lá [para pegar o dinheiro], espera em tal lugar, combina com ele, liga para ele’.
VERBO – Você ia até a pessoa…
Ex-assessor – E ela me dava.
VERBO – …para a pessoa te dar o dinheiro, e você entregar para o Doda…
Ex-assessor – É. O Wanderley [Leite, assessor do vereador] já fez isso [já repassou]. Eu fui na Secretaria de Educação, ele me deu o dinheiro.
VERBO – E do Wanderley, quanto era?
Ex-assessor – Na época, acho que era R$ 500, o salário dele era pouco.
VERBO – Você era o cara que naquela época…
Ex-assessor – Às vezes. Às vezes.
VERBO – …que ia cobrar, digamos assim, fazer o ‘pedágio’.
Ex-assessor – É. Fazer a sacolinha. [ri].
VERBO – Quanto você chegou a recolher?
Ex-assessor – Não era tudo de uma vez… Tipo, hoje eu vou lá, tinha vez que você [cabo eleitoral empregado por Doda na prefeitura] falava ‘vem amanhã’… Mas, mais ou menos da prefeitura, naquela época do Chico, [era] uns R$ 15 mil.
VERBO – Por mês…?
Ex-assessor – Da prefeitura! Tinha o salário da chefia de gabinete [na Câmara].
VERBO – Só os cargos de dentro da prefeitura R$ 15 mil?
Ex-assessor – É, R$ 15 pau [mil].
VERBO – E mais os cargos do gabinete…
Ex-assessor – Do gabinete, ele tinha todinho, que era R$ 7 mil só do chefe [chefe-de-gabinete]. A [assessora de gabinete 2] dava metade, e eu dava os meus milzinhos também. […] O [salário do assessor] 2 era R$ 4 mil e pouco.
VERBO – R$ 2 mil então [a assessora repassava]. Então, R$ 10 mil para arredondar.
Ex-assessor – Ah, mas tinha o meu mil, né, e tinha [rachadinha do salário do assessor de gabinete] 1 também.
VERBO – R$ 12 ‘pau’ [mil].
Ex-assessor – É, por aí.
VERBO – Então R$ 12 mil do gabinete, mais R$ 15 ‘pau’ [mil] da prefeitura.
Ex-assessor – R$ 27 ‘pau’ [mil por mês]. Isso foi num período, porque teve um período em que ele estava cheio de cargo.
VERBO – Bom, este foi o governo Chico. E no governo Ney, quando ele mudou completamente, da água para o vinho [deixou a oposição]?
Ex-assessor – Aí foi [a mudança]. [Antes] Ainda dava para trabalhar, ainda nesse período [até 2016] dava para acreditar.
VERBO – Aí [depois de disfarçar fazer oposição] ele conseguiu os cargos de volta? Quanto?
Ex-assessor – A quantidade…, eu não sei. Mas foi R$ 30 mil, o valor foi esse. Aí ele já fez estratégico. Colocou só cinco pessoas [para fazer a rachadinha]. O salário das cinco pessoas é um pouco maior. […] Ele até falou ‘não, não dá, tem que ter salário grande, senão não dá para tirar um valor bacana’.
VERBO – Cinco pessoas vai dar…
Ex-assessor – […] Cinco cargos de [mais de] R$ 6 mil [líquido], R$ 30 mil. Aí nesse mesmo período, passando um pouquinho, ele já conseguiu outro.
VERBO – Outro o quê?
Ex-assessor – Outro cargo. Aí depois, ele foi agregando. Só que com valorzinhos menores.
VERBO – Dessa primeira leva de cargos, cinco cargos de R$ 6 mil, ele ficava com quanto de dinheiro?
Ex-assessor – Meu, eu dava mil reais, esse era o valor que eu dava. Os outros, ele não deixava mais eu ter acesso, eu não tinha mais acesso. E os caras parece que já estavam no esquema para não falar nada. Mas eu sabia que tinha…
VERBO – Você não sabe quanto foi, quanto ele pegou?
Ex-assessor – Dessa última agora?
VERBO – Desses seis [cinco] cargos…
Ex-assessor – Depois que eu saí, agora que os caras me contaram.
>Colaborou a Redação do VERBO ONLINE





