Atropelado, cão Bob ‘Coveiro’ é sepultado no Cemitério da Saudade, onde seguia enterros

Especial para o VERBO ONLINE

Cachorro Bob 'Coveiro', que morava há 12 anos no Cemitério da Saudade e morreu atropelado; Zeca, com a cova do cão ao fundo (detalhe) | AO/Verbo/Divulgação

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra

Um animal que morava há 12 anos no Cemitério da Saudade, em Taboão da Serra, e “acompanhava” os enterros – e com a “presença” proporcionava um pouco de conforto às famílias enlutadas -, o cachorro Bob “Coveiro” morreu nesta segunda-feira (25) no município, atropelado. Identificado como labrador, ele estava no cemitério desde o enterro da dona, quando não mais deixou o local, mesmo quando parentes da proprietária tentaram levar o cão.

Bob tinha cerca de 15 anos. “Era muito bonito. Uma vez por mês, o pet vinha pegá-lo para dar banho. Ele era uma figura, seguia os sepultamentos”, comentou o diretor do cemitério, Valdivio Nascimento, o Bil. “A dona dele morreu, foi enterrada aqui e ele nunca mais foi embora. A gente cuidava dele, todo mundo dava um pouco da própria comida”, contou à reportagem o coveiro José Henrique Pereira, o Zeca, que tratava o cão como o melhor amigo.

Zeca estava com Bob quando o animal foi atropelado. Segundo o coveiro, o cão foi atingido por uma moto em alta velocidade, na mesma avenida do cemitério, a Laurita Ortega Mari, porém cerca de um quilômetro à frente, no Parque Pinheiros. “Perto da rotatória da biquinha d’água, descendo a ladeira, veio um motoqueiro em uma velocidade tão ‘sinistra’ que o cachorro ‘subiu’ e foi parar do outro lado da rua”, disse. A moto e o condutor caíram.

“Para não passar por cima da lombada, o cara foi passar do lado e acelerou. Na hora que o cachorro pôs o ‘pé’ na rua, o motoqueiro pegou ele, no meio. Eu não consegui gravar o rosto do cara nem a moto, eu estava tentando socorrer o cachorro. Ele ainda veio para cima de mim para me agredir, falou um monte para mim”, acrescentou Zeca. O cão foi socorrido. “Passou um casal de veterinário que socorreu a gente”, disse. Bob, porém, não resistiu.

Zeca parecia prever o pior. “Às vezes, eu o levava para dormir em casa, e até dormia no meu quarto. Só que ontem insisti para ele não ir, deixei trancado aqui. Só que tem buraco por aí, e ele saiu. Ele me encontrou na favela, e não voltei, levei para casa. Eu rachava pizza com ele, tinha comprado calabresa para a gente jantar. Não deu tempo”, falou, triste. Bob, que teve caixão doado por uma funerária, foi enterrado no cemitério, cercado de homenagens.

comentários

  • Primeiro que o Bob não tinha que ter saindo do cemitério acompanhando de um irresponsável embreagado ainda tarde tá noite todos que trabalham ali no local deveria te impedido o Bob de ir com ele esse cara só vivia bebendo e drogado nunca deveriam ter deixado o cão sai com ele nestas condições que ele representava todos ali são responsáveis por que viu e deixou o Bob seguer esse embreagado!

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